sexta-feira, 22 de maio de 2026

A rua

Uma rua pode revelar uma realidade sem nenhuma palavra.

Nas rachaduras da calçada, no portão sempre fechado, na cadeira vazia da varanda, no comércio que abriu tarde demais, na freada antes da lombada.

Algumas carregam o cansaço de quem acorda antes do sol. Outras exibem a pressa, o abandono, a esperança nas roupas de bebê penduradas no varal. 

Há ruas onde crianças brincam até anoitecer; outras, onde o medo aprende a andar cedo.

Muros, grades, flores no jardim. Música alta, som de vozes na tevê, fumaça de fogão a lenha. Cachorro latindo, gato no telhado, chorrinho e cantiga de ninar.

Toda rua é um retrato humano.
E mesmo calada, sempre está dizendo alguma coisa.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Entre a memória e a fronteira: Festa do Povo Paraguaio celebra cultura, mães e raízes em Foz do Iguaçu

Em maio, duas datas carregadas de significado histórico e afetivo se encontram no coração da comunidade paraguaia: o Dia da Independência do Paraguai, celebrado em 14 e 15 de maio, e o Dia das Mães. Em Foz do Iguaçu, cidade marcada pela convivência entre povos e culturas da tríplice fronteira, essas celebrações ganharam mais uma vez um tom especial com a realização da tradicional Festa do Povo Paraguaio.

A quinta edição do evento aconteceu no último dia 16 de maio, na Vila Paraguaia, bairro localizado às margens do Rio Paraná, praticamente vizinho do Paraguai. Separados apenas pelo rio que também marca a divisa entre os dois países, Brasil e Paraguai compartilham naquela região muito mais do que território: compartilham histórias, famílias, sotaques e tradições.

A festa é organizada por duas amigas da comunidade, Indyanara e Luiza, esta presidente da associação de moradores da Vila Paraguaia, filha de um dos pioneiros paraguaios que ajudaram a construir a história do bairro em Foz do Iguaçu. Mais do que um evento cultural, a celebração tornou-se um símbolo de pertencimento e preservação das raízes paraguaias em solo brasileiro.

A relação de Foz do Iguaçu com os povos vizinhos vem de longa data. Um levantamento populacional realizado em 1889 registrou 324 habitantes na então colônia militar da região, sendo a maioria paraguaios e argentinos, além da presença indígena e de outros grupos ligados à extração de erva-mate e madeira.

Essa diversidade continua viva até hoje — e pode ser vista em festas como essa.

Durante o evento, o pequeno bairro ganhou cores, música e aromas típicos do Paraguai. Moradores e visitantes acompanharam apresentações culturais, danças tradicionais, músicas folclóricas, além de exposições de artesanato que ajudam a manter viva a identidade do povo paraguaio na fronteira.

Na culinária, um dos grandes destaques foi o tradicional “vori vori”, prato típico paraguaio preparado à base de caldo e bolinhas de farinha de milho e queijo, além da famosa chipa, patrimônio gastronômico muito apreciado pelos moradores da fronteira.

As fotos registradas durante a festa mostram a participação da comunidade, famílias reunidas, crianças, idosos e visitantes celebrando juntos uma herança cultural que atravessa gerações. Em uma cidade conhecida mundialmente pelas Cataratas, eventos como a Festa do Povo Paraguaio revelam outro patrimônio valioso de Foz do Iguaçu: sua diversidade humana e cultural.

Mais do que celebrar datas históricas, a festa reafirma a importância dos imigrantes paraguaios na formação social da cidade e fortalece os laços entre os povos da fronteira, mostrando que cultura também é memória, resistência e união.















sexta-feira, 15 de maio de 2026

O Homem Que Nunca Conseguia Ficar

Havia um homem que sempre trocava de lugar.

Mudava de casa.
Mudava de cidade.
Mudava os móveis.
Mudava os planos.
Mudava até os sonhos.

Achava que o problema era o bairro.
Depois, acreditou que era o salário.
Mais tarde, pensou que era a falta de tempo.
Então culpou o governo, o calor, o trânsito, os vizinhos, a idade.

Comprou coisas que queria muito.
Esperou dias ansiosamente por entregas.
Sonhou com carros.
Com viagens.
Com uma casa silenciosa.
Com um sofá confortável.
Com um quarto escuro e frio o suficiente para dormir sem preocupações.

E por alguns instantes funcionava.

Funcionava quando a chave do carro novo girava.
Funcionava quando o cheiro de tinta fresca tomava conta da casa.
Funcionava quando alguém dizia:
“Agora sua vida vai pra frente.”

Mas havia um problema:
A felicidade sempre chegava com prazo de validade.

Era como segurar água nas mãos.

Quanto mais apertava, mais ela escapava.

Com o tempo, percebeu algo estranho:
Não importava onde estivesse, existia sempre uma sensação de não pertencimento.

Como se sua alma estivesse esperando alguma coisa que o mundo não sabia entregar.

Foi então que começou a notar detalhes pequenos.

Os idosos olhando fotografias antigas em silêncio.
Os cemitérios crescendo.
As rugas surgindo devagar no rosto das pessoas.
Os hospitais lotados.
Os remédios sobre as mesas.
Os “adeus” que ninguém estava preparado para dizer.

Descobriu que o mundo inteiro sofria da mesma saudade.

Uma saudade de algo que muitos nunca tinham visto.

Então lembrou de Abraão.

A Bíblia dizia que ele morava em tendas porque aguardava uma cidade cujo construtor era Deus.

Achou aquilo bonito.

Depois lembrou de José do Egito, que viveu no palácio mais poderoso da Terra, mas pediu que seus ossos não permanecessem no Egito.

Até os grandes homens da Bíblia pareciam carregar a sensação de que estavam apenas de passagem.

Naquela noite, sentado sozinho, o homem percebeu algo assustador e ao mesmo tempo consolador:

Talvez ninguém consiga realmente “ficar” neste mundo.

Talvez a alma humana tenha sido feita para outro lugar.

E então entendeu por que nada satisfaz completamente.

Nem dinheiro.
Nem beleza.
Nem fama.
Nem prazer.
Nem conquistas.

Porque existem vazios que não são daqui.

O mundo oferece distrações.
O Céu oferece lar.

Naquela madrugada, pela primeira vez em muitos anos, ele olhou para cima.

Não para procurar estrelas.

Mas para procurar esperança.

E enquanto a cidade fazia barulho do lado de fora, uma paz silenciosa começou a nascer dentro dele.

Como se Deus sussurrasse:

“Você sente falta de casa porque foi criado para a eternidade.”


Produzido com IA.  

terça-feira, 28 de abril de 2026

: - )

 Dois amigos se encontram, como quem não quer nada, e de repente o passado encosta na mesa.

— Lembra do tijolão que comprei quando ainda éramos bem jovens? — diz um, com um meio sorriso, como quem revive um troféu antigo.

— Fazia sucesso — responde o outro, sem hesitar. — Imagina, quando tocava aquele “bip” na minha cintura, eu me sentia  muito importante, E olha que muita gente nem entendia o que estava acontecendo. 

E os dois riem.

Porque era estranho mesmo. Um toque de telefone ecoando numa festa, num café, num bar, chamava atenção como se fosse um anúncio público da própria existência. E aqueles ringtones? Cada um mais chamativo que o outro. Era quase uma assinatura sonora da pessoa.

— Mas o melhor — continua um deles — era a encenação.

— Nossa!!! — o outro já antecipa, rindo.

— Tocava, a gente saía de onde estava, ia pra um canto qualquer e começava a gesticular. Como se o corpo pudesse traduzir uma conversa que ninguém estava ouvindo.

—  Lembrei-me também do nosso amigo que estava sempre acompanhando a moda e apareceu com o tijolão na cintura, todos riram dele, pois o irmão é que era médico e ele com aquele aparelho do lado parecia ser o plantonista.

Os dois ficam alguns segundos em silêncio, como se enxergassem aquelas cenas acontecendo diante deles.

— Era bem estranho mesmo — conclui um, ainda rindo. — Mas sabe o que quase me fez jogar aquele tijolão fora?

— A conta?

— A conta. — agora os dois riem juntos — Cobravam tudo! Minuto, deslocamento, mensagem. Meu Deus, parecia um assalto.

— Bons tempos!

— Falando em mensagem, como era o nome mesmo?

— SMS.

— Isso! SMS — ele repete, saboreando a sigla — Short Message Service. Até 160 caracteres, e sem internet.

— Sem internet. — o outro balança a cabeça, como se isso hoje fosse quase inacreditável.

— E tinha um nome que a gente usava...

— Tinha mesmo! — o outro se anima — Como era?

Os dois se olham, e quase ao mesmo tempo respondem:

— Torpedo.

— Mas peraí —  um deles interrompe, com aquele ar de quem não deixa a história passar batida —  SMS já não é mais do tijolão.

— Verdade! — o outro se corrige na hora — Aí já estamos falando dos Nokias, aquele auge do celular raiz.

E os dois riem, como quem muda de fase dentro da própria memória.

— E os emojis? — um lança, quase como quem abre uma gaveta esquecida.

— Se lembro? — o outro já entra no jogo — Aquilo era arte!

— Meu pai já fazia isso na máquina de escrever, desenhava com as teclas, mas acho que ele nunca imaginou que a gente ia mandar “carinha” por mensagem.

— Total! — responde o amigo — Era tipo emoção em código.

E aí os dois começam a puxar da memória, como quem coleciona pequenas relíquias:

— Clássicos. Vamos ver se ainda lembramos.

E quase como um ritual, eles vão dizendo em voz alta:

— :) ou :-) — sorriso, feliz

— :( ou :-( — triste

— ;) ou ;-) — piscadinha

— :-P ou :p — língua pra fora, zoeira pura

— :-D — gargalhada

— :-O ou :-o — surpresa

— >:( — bravo

— :'( — chorando

— <3 — coração, esse aqui era especial

— :-* — beijo

Eles param. Sorriem.

— Engraçado.  — diz um, pensativo — a gente tinha menos recurso, mas talvez colocasse mais intenção.

— É! — o outro concorda — hoje tem emoji pra tudo, mas naquela época, cada símbolo parecia que carregava um pouco da gente.

Silêncio de novo. Mas agora com um certo gosto de saudade boa.

— E pensar que tudo isso cabia em 160 caracteres.

— E ainda tinha que escolher bem, porque cada mensagem custava.

Os dois riem mais uma vez.

Porque, no fundo, não era só tecnologia.

Era jeito de sentir.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

O dia em que parar não assusta mais

Dia de greve.

Os ônibus estão parados. Os motoristas de aplicativos também.

Curioso, depois daquele “dia em que a Terra parou”, lá no auge da pandemia de COVID-19, parece que nada mais assusta tanto assim. A gente já viu o mundo desacelerar de um jeito tão absurdo que, agora, o caos cotidiano quase soa comum.

Mas não deixa de incomodar.

Porque, no fundo, a pergunta fica martelando: se o transporte coletivo é uma concessão pública, se a mobilidade urbana é um bem comum, então quem está falhando? Quem está negligenciando?

É, talvez pense demais.

Porque começo falando de greve e, quando vejo, já estou discutindo etimologia.

A palavra “greve” vem do francês grève, que originalmente significava uma faixa de areia à beira de um rio ou mar. Um espaço meio neutro, meio de ninguém. Há quem diga que era ali que trabalhadores se reuniam para protestar, justamente por não ser um território “formal”.

Outra versão, talvez a mais conhecida, aponta para a Place de Grève, em Paris, às margens do Rio Sena. Um lugar onde, durante séculos, trabalhadores se encontravam, primeiro para procurar emprego, depois para reivindicar direitos.

Não há um ano exato que marque o nascimento da greve como conhecemos hoje. Mas sabe-se que, no século XVIII, esses encontros começaram a ganhar um tom mais reivindicatório. Com a Revolução Francesa, o espaço virou símbolo. E, no século XIX, o termo faire grève já carregava o sentido que conhecemos: parar de trabalhar como forma de pressão.

Ou seja, essa história de parar para ser ouvido, não é de hoje.

E aí vem a pergunta que ecoa: 

Por que as pessoas sempre precisam se reunir para exigir melhores condições?
Por que quem emprega não percebe isso antes?

Fico com a sensação de que existe um desencontro quase permanente: quem paga acredita que está pagando muito; quem recebe sente que recebe pouco. E os dois lados seguem, cada um convicto da sua própria razão.

Será que é da natureza humana essa dificuldade de perceber o outro?
Ou será que, no fundo, ninguém acha que precisa se preocupar mesmo?

Afinal, como diz o velho ditado:
“manda quem pode, obedece quem tem juízo.”

Uma frase que, no fundo, não é só sobre autoridade. É sobre conformismo. Sobre sobrevivência. Sobre saber que, às vezes, questionar custa caro.

E assim a roda gira.

“O que o chefe manda, se faz.”
“É melhor calar e obedecer.”
“Acatar a ordem superior.”

Mas até quando?

Porque, olhando para um dia como hoje, cidade travada, gente parada, rotina interrompida, talvez a gente precise encarar uma verdade desconfortável:

Se chegou ao ponto de parar tudo é porque, em algum momento, ninguém quis escutar quando ainda dava para ajustar.

No fim das contas, a greve não começa no dia em que o trabalho para.

Ela começa bem antes, no dia em que alguém percebe que está sendo ignorado e decide que, sozinho, já não dá mais.

Manda quem pode, obedece...

 Ele se chamava Jonas.

Jonas acordava todos os dias às 5h17 — nem 5h15, nem 5h20. 5h17. Era o tempo exato que ele calculava para não se atrasar, não chamar atenção, não criar problema. Vestia o uniforme ainda meio amarrotado, tomava um café ralo e saía em silêncio, como se até o barulho pudesse ser interpretado como insubordinação.

No trabalho, Jonas era conhecido como “tranquilo”. Nunca reclamava. Nunca questionava. Nunca dizia “não”.
Se pediam hora extra, ele fazia.
Se mudavam o turno, ele aceitava.
Se atrasavam o pagamento, ele respirava fundo e seguia.

— “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”, dizia ele, meio rindo, meio sério.

Mas Jonas não era burro. Pelo contrário. Ele via tudo.

Via o colega adoecendo de cansaço.
Via a funcionária chorando no banheiro.
Via o chefe dizendo “é o que dá pra pagar”, enquanto trocava de carro no estacionamento.

E, ainda assim, Jonas se calava.

Porque Jonas tinha medo.
Medo de perder o emprego.
Medo de “arrumar problema”.
Medo de ser aquele que “fala demais”.

Até que veio o dia.

O dia em que não tinha ônibus.
O dia em que não tinha aplicativo.
O dia em que a cidade parecia travada e, pela primeira vez, Jonas também travou.

Ele ficou parado na calçada, olhando outras pessoas como ele: cansadas, atrasadas, irritadas… mas, curiosamente, juntas.

Alguém falou alto:
— “Se a gente não parar, nada muda.”

Jonas ouviu.

Outro respondeu:
— “Mas parar dá problema.”

E um terceiro retrucou:
— “Continuar também tá dando.”

Aquilo ficou ecoando na cabeça dele.

Continuar também tá dando.

Naquele dia, Jonas chegou atrasado. Pela primeira vez em anos.

O chefe veio com o discurso pronto:
— “Aqui não é bagunça, Jonas. Tem regra.”

E pela primeira vez Jonas respondeu.

Calmo. Sem gritar. Sem desrespeitar.

— “Tem regra pra gente, mas não tem pra tudo, né?”

O silêncio que veio depois foi diferente de todos os outros silêncios que Jonas já tinha vivido.

Não era o silêncio do medo.
Era o silêncio do incômodo.

Na semana seguinte, Jonas não estava sozinho.

Outros começaram a falar também.
Não gritando. Não quebrando nada.
Mas deixando de aceitar tudo.

Jonas continuava trabalhando. Continuava responsável.
Mas já não era obediente por reflexo — era consciente por escolha.

E ele entendeu uma coisa simples, mas poderosa:

Obedecer pode evitar problemas imediatos…
Mas questionar, às vezes, é o único jeito de resolver os problemas que nunca acabam.

E naquele dia, enquanto voltava pra casa — ainda sem ônibus, mas com algo diferente no peito — Jonas percebeu:

O mundo não muda quando um manda e o outro obedece.

O mundo começa a mudar quando quem sempre obedeceu, finalmente entende que também pode falar.


Texto elaborado com auxilio de IA. 

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Educar filhos emocionalmente saudáveis: que filhos você vai deixar para o mundo? - Escola de Pais | 1ª Edição 2026

Educar filhos emocionalmente saudáveis: que filhos você vai deixar para o mundo?

Escola de Pais | 1ª Edição 2026

Na noite de ontem, 23 de abril de 2026, a professora Marilu Grassi Fulgencio realizou a primeira edição de 2026 do projeto “Escola de Pais”, iniciativa que já desenvolve há muitos anos.

O projeto teve início no Colégio Cívico-Militar Costa e Silva, onde a professora atuou até 2024. Atualmente, na direção do Colégio Cívico-Militar Carlos Drummond de Andrade, Marilu trouxe a proposta para dar continuidade ao trabalho, fortalecendo a parceria entre escola e família.

A Escola de Pais consiste em encontros mensais, nos quais são apresentados e discutidos temas relevantes relacionados à educação dos filhos. Mais do que uma palestra, trata-se de um espaço de troca de experiências, vivências e práticas. Ao longo dos anos, o projeto já contou com a participação de pedagogos, psicólogos e profissionais de diversas áreas, além de pais e mães que compartilham suas experiências.

Neste primeiro encontro, a diretora e mestre Marilu Grassi Fulgencio iniciou apresentando a proposta, a dinâmica e o histórico do projeto, considerando que muitos dos presentes participavam pela primeira vez. Em seguida, introduziu o tema da noite:

“Educar filhos emocionalmente saudáveis: que filhos você vai deixar para o mundo?”

Durante a apresentação, foram destacados os principais objetivos da Escola de Pais:
  • Refletir sobre a formação emocional dos filhos;
  • Apresentar estratégias práticas de disciplina e orientação;
  • Fortalecer vínculos, limites e valores familiares.

Entre os pontos abordados, a professora enfatizou a importância do exemplo na educação:

“Ensine pelo exemplo.”

Ela destacou que o caráter é moldado desde a infância e que educar filhos exige planejamento, intenção e estratégia. Também abordou a importância de desenvolver a resiliência, ensinando que frustrações e pequenos fracassos fazem parte do aprendizado e contribuem para a formação de indivíduos emocionalmente fortes.

Outro tema relevante foi o papel dos pais como referência direta para os filhos. Nesse contexto, reforçou a necessidade de consciência sobre atitudes e comportamentos no dia a dia.

A professora também chamou atenção para o uso do mundo digital, destacando a importância da supervisão ativa e consciente dos pais, sem abrir mão do diálogo e da orientação. Alertou sobre os riscos da liberdade sem acompanhamento nas redes sociais.

Durante o encontro, houve intensa participação dos pais, que contribuíram com opiniões, relatos e experiências pessoais. Os professores Lorenzo, Izadora, Ivonete e a pedagoga Maria do Belém  estiveram presentes, enriquecendo ainda mais o debate. 

Foram discutidos aspectos importantes da rotina familiar, como:

  • Estabelecimento de horários e responsabilidades;
  • Participação dos filhos nas tarefas domésticas;
  • Construção de limites e valores;
  • A compreensão de que ser pai ou mãe vai além de um papel mecânico.

Um ponto de destaque foi o alerta sobre a coerência entre discurso e prática:
os filhos observam tudo — atitudes, comportamentos e até pequenas incoerências, como mentiras, imprudências no trânsito ou atitudes agressivas.

Ao final, a professora apresentou um slide com perguntas reflexivas para os pais:

  • Você sabe identificar o que seu filho sente?
  • Seu filho consegue se adaptar a mudanças?
  • Seu filho tem amigos?
  • Seu filho é persistente?
  • Como está a autoestima do seu filho?

Encerrando o encontro, os participantes puderam desfrutar de um momento de confraternização, com um café preparado com muito carinho pelas merendeiras da escola, incluindo sucos, bolos, sanduíches, pipoca e frutas. 

O evento reforçou a importância da parceria entre família e escola na formação de cidadãos mais conscientes, responsáveis e emocionalmente preparados para o mundo.







quinta-feira, 23 de abril de 2026

ENCCEJA 2026

Principais Datas Encceja 2026: 
Publicação do Edital: 31 de março de 2026. 
Justificativa de Ausência (para faltantes de 2025): 6 a 17 de abril de 2026. 
Inscrições: 4 a 15 de maio de 2026. 
Aplicação das Provas: 23 de agosto de 2026. 
Resultado Final: 14 de dezembro de 2026.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

O silêncio que transforma

Era domingo, mas não daqueles domingos barulhentos de futebol e churrasco. Era um domingo quieto, desses em que o tempo parece andar de meias, sem fazer barulho no chão. Na igreja do bairro, o ventilador girava com preguiça, empurrando um ar morno que mais embalava do que refrescava. As pessoas estavam ali — cada uma com sua história, seus cansaços, seus pedidos não ditos. Dona Lúcia, por exemplo, sentou-se no mesmo banco de sempre. Ninguém sabia, mas ela carregava uma dor antiga no joelho e uma mais recente no coração. O culto seguia simples, como quase sempre. Um canto aqui, uma oração ali. Até que, no meio do silêncio, alguém começou a falar. Não era alto, não era ensaiado — era como se as palavras viessem de um lugar que não passava pela cabeça primeiro. Era um daqueles dons que a gente não explica direito, só sente. Palavra que consola, que encontra quem precisava ser encontrado. Dona Lúcia não entendeu tudo. Aliás, quase nada. Mas, curiosamente, entendeu o essencial. Sentiu. E, naquele instante, algo dentro dela — que há tempos estava endurecido — cedeu um pouco. Não foi milagre de sair andando sem dor. Não foi espetáculo. Foi pequeno, quase invisível. Mas foi real: uma espécie de alívio que não vinha do corpo, mas atravessava ele. No banco de trás, um rapaz fechou os olhos com força. Tinha chegado ali por insistência da mãe, meio descrente, meio irritado. Pensava que nada daquilo fazia sentido. Mas, naquele momento, uma frase — dita por alguém que ele nem conhecia — parecia ter sido feita sob medida para ele. Como se alguém tivesse lido um capítulo secreto da sua vida. Ele não contou pra ninguém. Só respirou diferente ao sair. E assim o culto terminou. Sem fogos, sem aplausos, sem nada que chamasse atenção de quem passasse na rua. Mas, dentro de cada um, alguma coisa tinha sido tocada. Talvez seja isso que chamam de dom. Não o barulho que impressiona, mas o silêncio que transforma. FEITO COM IA.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

CARTÃO VERMELHO

Acho que deveria existir multa para pessoas em relação ao estado de cuidado e conservação. Pensa comigo: se o pneu do carro estiver careca… você já entendeu, né? Precisa trocar imediatamente, porque corre o risco de levar multa — e, de quebra, sofrer um acidente. Agora, olha que curioso: as pessoas usam tênis furado, calças rasgadas, camisetas já sem forma e, como dizem meus alunos, “nem dá nada”. Se você deixa o terreno sem roçar, multa. Se não segue o padrão da calçada, multa. Mas, se sai com o cabelo despenteado,ou sem cabelo nenhum. o máximo que acontece é uma risadinha escondida de alguém. Pensou? Brincadeiras à parte, o ser humano tem dado tanto valor às coisas e, em boa parte das vezes, não valoriza a si próprio. Falta consciência sobre si mesmo. É essa consciência que faz a pessoa perceber quando está exagerando, negligenciando ou precisando mudar. Sem isso, mesmo sabendo o que é certo, a gente simplesmente não pratica. Gosto de pensar a vida de forma prática: fugiu à regra, cartão amarelo; insistiu no erro, cartão vermelho. Fico imaginando um juiz invisível levantando placas ao longo do nosso dia: Não escovou os dentes antes de dormir? Cartão vermelho. Pegou o celular de novo, sem necessidade? Cartão vermelho. Prometeu que ia cuidar de si e não cuidou? Vermelho direto. Seria engraçado… se não fosse tão real. Se analisarmos bem, a vida da maioria segue um padrão curioso: as mudanças de hábito só aparecem quando uma patologia resolve apitar o jogo. Dia desses, meu cardiologista soltou uma frase que não sai da cabeça: “todos iremos morrer, mas é bem melhor morrer com saúde”. Parece estranho. Quase um paradoxo. Mas faz todo sentido. O problema é que, na prática, não funciona assim. As grandes mudanças na alimentação, por exemplo, costumam começar só depois de um exame de colesterol alterado. O exercício físico vira prioridade depois do susto. O cuidado só chega quando o corpo já está gritando. E olha que o corpo foi feito para se mover. Exercício não é só estética: regula hormônios, reduz ansiedade, melhora a longevidade. A saúde mental e emocional também não é detalhe — é base. Saber lidar com o estresse, com as frustrações, com as relações… consigo mesmo. No fim das contas, talvez o que esteja faltando não seja mais informação, nem mais regra, nem mais lei. Talvez esteja faltando um pouco de fiscalização interna. Porque, se dependesse de multa, tem muita gente andando por aí já com a saúde apreendida e nem percebeu ainda que deverá ir direto para a reciclabem.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Olhouvê

O olho vê;

o ouvido ouve. 

O olhouvido olhouvê:

a palavra antes do som;

o som antes da forma.

Ver é escutar a imagem.

Ouvir é tocar o som,

Em instantes tudo acontece junto,

o mundo não separa.

Quem ouve sente;

quem vê sente;

é o corpo inteiro que olha.

OLHOS ATENTOS

Olhos Atentos

Você já teve a sensação de passar pelos dias como quem cumpre um roteiro automático? Não vemos mais o porteiro do prédio, aquele que nos dá bom dia todos os dias, como se ainda acreditasse na delicadeza das rotinas. Não vemos a flor que nasceu no jardim, insistente, silenciosa, bonita sem plateia. Não vemos nem a nós mesmos, refletidos no vidro apressado de uma vitrine qualquer. E, sem perceber, vamos deixando de notar o mais inevitável de todos os movimentos: o tempo passando dentro da gente.

Não apenas ver, mas contemplar o caminho para o trabalho. Não ouvir, mas escutar aquela música que estava tocando durante o trajeto. 

Devemos ter os olhos atentos não apenas para o que se vê, mas para o que passa despercebido.

Para os detalhes simples: o gesto de alguém, uma mudança de tom, um silêncio que diz mais que palavras. 

Para o tempo: ele não para, não espera, não avisa. Estar atento é perceber que estamos envelhecendo enquanto adiamos encontros, conversas, abraços.

Para as pessoas: quem está ao nosso lado hoje pode não estar amanhã.

Para nós mesmos: nossas escolhas, nossos cansaços, nossos desejos escondidos. Há momentos em que seguimos no automático e deixamos de nos enxergar.

E, talvez acima de tudo, atentos ao agora. Porque é no presente que a vida realmente acontece , não nas memórias, nem nas expectativas.


sexta-feira, 27 de março de 2026

FERNANDO CRAVIOLA

 Os garotos e garotas da minha época gostavam de rock. Éramos da geração que queria mudar o mundo e nosso canal de comunicação — a música — tinha que falar o que sentíamos. Aproveitar a juventude era ter uma banda.

A nossa chamava-se "Blecaute Social". Beto na guitarra e vocal, Marlon na guitarra e vocal, Marcos no contrabaixo (era o dono da pedaleira, principalmente do overdrive Boss) e eu na bateria GOPE do irmão do Marlon. Sim, na bateria.

Tinha 16 anos, tinha um par de baquetas brancas e fazia aulas com uns músicos recém-chegados do Nordeste. Ministravam aulas em um conservatório musical ali atrás da rodoviária velha (a rodoviária, nessa época, aqui em Foz, ficava entre a Almirante Barroso e a Av. Brasil).

Um dia, o professor de bateria faltou. Sei lá, teve um imprevisto qualquer, e o professor de guitarra é que veio ministrar aula naquela tarde. O cara tocava em uma banda que admirávamos; ele era uma espécie de padrinho das bandas da piazada.

Quem se inscrevia para fazer aula ali é porque tinha a certeza de que iria montar uma banda. E o cara de quem estou falando, daquela aula de improviso ou sei lá o quê, era o Fernando Craviola.

A aula daquela tarde foi uma "discoteca lisa". Nem sei se esse nome existe ou se minha memória autoficcional é quem criou. Repicava com as baquetas no chimbal e, no tempo certo, com uma delas batia na caixa. E mais: tinha que abrir o chimbal para dar aquele efeito de pratos que o baterista dos Incríveis fazia na introdução de uma de suas músicas.

Para entender bem, é aquela batida da música "Camila", da banda Nenhum de Nós.

Nossa banda tem fotos, tem muitos amigos, tem muitas lembranças. O Fernando tem uma história real de músico, pois continuou com a música durante todos esses anos e só encerrou o expediente hoje.

Tempos atrás, tive o privilégio de ministrar aulas para o Fernandinho, na época de escola. Todos os meses, o pai, Fernando, estava lá na escola. Era muito bom conversar sobre música e relembrar histórias.

O Fernandinho se formou e, então, para encontrar o Fernando também não era difícil. Bastava sair para jantar em algum restaurante bacana da cidade que lá estava ele, esbanjando talento, musicalidade, mas, acima de tudo, simpatia.

Fernando sempre será uma das pessoas que levarei como referência musical. Ele alimentou e valorizou nosso sonho de juventude.

A música sempre foi e é algo muito presente na minha vida. Entendi, com o tempo, que ela é a trilha sonora dos nossos momentos. Acho que é por isso que não gosto de repetir muito algumas músicas que hoje não fazem mais sentido para mim.

Fernando, você não lerá essas palavras, mas eu sei que o que já falamos um para o outro, apesar de mais simples do que isso tudo escrito, expressou quem sempre considerei que você era.

Descanse.

Foz do Iguaçu, 08 de janeiro de 2023. 

segunda-feira, 16 de março de 2026

O silêncio do abandono

 O silêncio do abandono

Há abandonos que fazem barulho. Portas que batem, malas arrastadas, passos que descem a escada sem olhar para trás. Mas há também abandonos silenciosos. São os mais profundos. A criança não sabe explicar o que sente. Ela apenas percebe que algo falta. Falta um olhar, uma pergunta simples no fim do dia, um “como foi na escola?”, um abraço sem motivo. No começo, ela espera. Toda criança espera. Espera na porta, espera na janela, espera no coração. Com o tempo, ela começa a inventar explicações. Talvez tenha feito algo errado. Talvez não tenha sido boa o suficiente. Talvez precise se comportar melhor, tirar notas melhores, falar menos, chorar menos. A criança tenta merecer o amor que deveria ser gratuito.

É nesse momento que a psicologia começa a explicar aquilo que o coração da criança ainda não sabe dizer. Quando o vínculo é quebrado cedo demais, algo se desorganiza por dentro. A criança aprende a viver em estado de alerta, com medo de perder novamente quem ama. Alguns crescem tentando agradar o mundo inteiro. Outros aprendem a não confiar em ninguém. Como dizem os psicólogos, a primeira imagem que temos do mundo nasce da forma como fomos cuidados. Se o cuidado falta, o mundo parece um lugar inseguro.

Lembro-me então de uma parte marcante do livro O Vendedor de Sonhos, de Augusto Cury.
Um homem extremamente ocupado, sempre correndo atrás de resultados, reuniões, negócios, compromissos. Um homem que dizia amar a família, mas que nunca tinha tempo para ela. Sua filha tinha uma apresentação na escola. Algo simples para os adultos, mas gigantesco para o coração de uma criança. Ela pediu que o pai fosse. Ele prometeu tentar. Mas o possível nunca aconteceu. O trabalho falou mais alto. A agenda venceu. E a cadeira do pai ficou vazia no auditório. Quando ele chegou em casa, encontrou a filha em silêncio. E ela disse algo que corta qualquer coração:

Pai, eu fiquei esperando você.

Não era uma acusação. Era apenas a verdade de uma criança.

Muitas vezes o mundo adulto cria justificativas para essas ausências. Dizemos que é pelo trabalho, pela correria, pela necessidade. Contamos a nós mesmos que depois compensaremos, que amanhã teremos mais tempo, que um dia faremos diferente. Mas, como canta Legião Urbana na música Quase Sem Querer, “mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira.” Porque no fundo sabemos. Sabemos quando estamos ausentes. Sabemos quando estamos trocando presença por urgência, pessoas por compromissos, abraços por prazos. No mundo adulto aquilo parece pequeno. No mundo da infância é tudo.

Mais tarde, na mesma história, a vida faz aquilo que às vezes faz com todos nós: vira o jogo de maneira brutal. A esposa e a filha entram em um avião. O avião explode. De repente, aquele homem que nunca tinha tempo descobre o peso de um silêncio definitivo. Agora é ele quem espera. Espera por um abraço que não virá mais, por uma voz que não responderá, por uma presença que não voltará. E naquele momento ele entende algo que antes parecia invisível: o abandono que feriu a filha agora ecoa dentro dele.

Quando caminhamos pelas cidades, não é difícil deparar com ecos dessa mesma história espalhados pelas calçadas. Muitos moradores de rua não começaram ali. Houve um dia em que tiveram casa, família, sonhos, mesa posta. Mas a vida, às vezes, quebra laços. Uma separação difícil, um casamento que terminou em silêncio, um filho que se afastou ou até mesmo um emprego perdido.

E quando o coração fica vazio demais, algo tenta ocupar o espaço. Infelizmente, muitas vezes o álcool ou outra qualquer substância entra onde antes moravam pessoas. A garrafa passa a fazer companhia. Algo para anestesiar lembranças. E pouco a pouco a vida vai se desfazendo.

Não é raro perceber que, por trás de muitos rostos cansados nas ruas, existe uma história de abandono recebido ou praticado. Gente que perdeu alguém, ou que se perdeu de si mesma.

A teologia, curiosamente, também fala muito sobre essa experiência humana. A Bíblia guarda histórias de pessoas esquecidas, rejeitadas, deixadas à margem. O próprio Cristo, na cruz, em dor profunda, pronunciou uma frase que atravessa os séculos: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” É como se a fé reconhecesse que o abandono é uma das dores mais universais da humanidade. Mas a mesma fé também insiste em outra esperança. No Salmo 27, versículo 10, uma promessa bíblica de de consolo e acolhimento divino em momentos de rejeição ou abandono família, está escrito: “Mesmo que pai e mãe me abandonem, o Senhor me acolherá.” Talvez seja por isso que a cura, tanto na psicologia quanto na fé, comece quase sempre da mesma forma simples: alguém que permanece.

Nem sempre quem volta é quem foi embora. Às vezes surge um professor, um avô, um amigo, um amor, alguém que chega sem discursos grandiosos. apenas fica. Fica ouvindo, ou fica cuidando, ou simplesmente fica presente.  A psicologia chama isso de reconstrução do vínculo. A teologia chama de graça.

E então aquela criança, que um dia aprendeu a esperar sozinha, descobre algo novo: que nem todas as pessoas vão embora. Algumas permanecem. E às vezes é isso que começa a curar tudo. 

...

Talvez esse texto já tenha terminado para muitos em algum parágrafo que o fez parar e refletir e sem força não quis dar sequência. Mas o incrível que um dia após ter escrito eu percebi que caberia mais um parágrafo aqui que se chamaria  "O autoabandono".

Uma forma de abandono que não acontece na ausência do outro, acontece na ausência de si. Aquele que, muitas vezes, nasce lá atrás, na infância ferida. A pessoa aprende que precisa cuidar de tudo, de todos, agradar, resolver, suportar e, sem perceber, deixa a si mesma por último.

Não cuida da própria saúde, adia sonhos, não se capacita, não se desenvolve. Entrega tudo aos outros e oferece a si apenas o resto.

A psicologia explica isso como um padrão aprendido: quando o amor foi instável ou insuficiente, a pessoa passa a acreditar que precisa merecer existir para o outro, mas não aprende a existir para si. É como se, internamente, repetisse o abandono que um dia sofreu.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Cria em mim, ó Deus, um coração puro.

Existe o ladrão que ama, que se arrepende, que luta contra injustiças, e isso desafia nossa ideia simplista de bem e mal.

Essa frase sempre me volta à mente quando penso nas histórias humanas. Histórias que incomodam porque recusam a divisão confortável entre heróis e vilões, entre luz absoluta e trevas completas. A vida real raramente se encaixa nesses contornos simples. O coração humano é um território mais confuso.

Lembro-me de uma cena da série Narcos. Pablo Escobar, interpretado por Wagner Moura, está sentado em um balanço no jardim da casa na montanha. É a famosa hora silenciosa em que parece que até o vento sabe que algo está terminando. Pouco antes, ainda em fuga, ele havia queimado dois milhões de dólares para aquecer a filha que entrava em hipotermia.

Naquele instante, o dinheiro que havia custado tantas vidas, virou apenas papel. A vida da filha era tudo.

A cena é perturbadora. O mesmo homem conhecido pela violência e pela ausência de piedade queimando uma fortuna para salvar uma criança.

Mas talvez seja justamente aí que mora a verdade incômoda: até as figuras mais temidas são moldadas por laços humanos.Crueldade e amor podem habitar a mesma biografia.Todo mundo ama alguém.

Talvez seja aí que começa o verdadeiro drama humano. Porque amar não nos impede de errar — e errar não nos impede de amar. E quando o ser humano perde o senso do sagrado, perde também o senso do pecado.

Então começa um processo quase imperceptível: um erro chama outro erro; uma justificativa chama outra justificativa; um abismo chama outro abismo.

No início, o erro parece pequeno. Depois vem a explicação que o torna aceitável. Logo surge a frase perigosa que costuma vestir o mal com roupas de virtude: “se a intenção é boa, o crime pode ser justificável.” É nesse momento que o homem começa a se colocar acima da moral. Mas quem se coloca acima da moral assume uma tarefa impossível: tornar-se o próprio juiz. E quase ninguém suporta esse peso.

A literatura conhece bem essa agonia. Raskólnikov, em Crime e Castigo, decide assassinar uma velha agiota acreditando que sua mente superior está além da moral comum. Durante páginas e páginas ele tenta provar para si mesmo que seu crime foi racional, necessário, quase justo. Mas há algo que ele não consegue silenciar. A consciência. Ela não grita de uma vez. Ela sussurra. Mas sussurra todos os dias.

E quanto mais ele tenta justificar o crime, mais a própria alma se torna um tribunal. No final, Raskólnikov descobre que a paz não nasce das explicações. Ele nasce da confissão. Não é apenas remorso emocional, é reconhecimento moral.

Essa batalha interior não pertence apenas à literatura russa. O apóstolo Paulo descreveu o mesmo conflito com uma honestidade quase dolorosa: “Pois não faço o bem que quero, mas justamente o mal que não quero fazer é que eu faço.” É a confissão mais antiga da humanidade.

Dentro de nós existe uma lei que deseja o bem e outra que insiste em nos puxar para baixo. É por isso que Provérbios resume a questão com simplicidade antiga:

“A justiça conduz à vida, mas quem segue o mal vai para a morte.”

Essa luta atravessa séculos de histórias. Camilo Castelo Branco escreveu sobre ela em O Bem e o Mal. Tolkien a transformou em epopeia em O Senhor dos Anéis, quando mostra como o poder pode corromper até os corações mais nobres. Oscar Wilde revelou sua face mais decadente em O Retrato de Dorian Gray, quando a alma se deteriora enquanto o rosto permanece intacto.

Mas talvez uma das imagens mais belas dessa batalha esteja em As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis. Ali, a teologia aparece disfarçada de conto infantil. Edmundo trai os irmãos. Escolhe o lado errado. Vende a própria família por um punhado de promessas. Pela lógica da justiça antiga, ele deveria pagar pela culpa. Mas então Aslan se oferece para morrer em seu lugar. O leão inocente caminha até a Mesa de Pedra, cercado de zombaria e violência, e aceita o sacrifício. A cena ecoa uma história ainda mais antiga.

No evangelho, Jesus é crucificado entre dois ladrões. Um deles ri. O outro confessa. No meio da dor, ele reconhece o que poucos ali tiveram coragem de admitir: que a justiça estava sendo invertida naquele momento. E então Jesus responde com três palavras que carregam toda a esperança do cristianismo: Hoje mesmo (não depois de provar algo) estará Comigo (não sozinho) no Paraíso (restaurado).

É curioso perceber que, naquele monte, quem reconhece a justiça não são os homens considerados justos. São os criminosos. Os religiosos condenam. O ladrão confessa. Talvez porque quem já esteve no fundo do abismo reconheça melhor a profundidade dele.

No fim das contas, todas essas histórias, bíblicas, literárias ou históricas, apontam para a mesma verdade silenciosa: o maior tribunal do mundo não está nas cortes humanas. Ele está dentro de nós. O maior castigo não vem da sentença de um juiz. Vem da consciência. E talvez por isso uma das orações mais humanas já escritas continue ecoando através dos séculos, no Salmo 51: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro.”

Porque, no fundo, a redenção não começa quando alguém consegue provar que estava certo. Ela começa quando alguém finalmente tem coragem de admitir que estava errado.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Quinze minutos

 Foi incrível o que vivenciei hoje pela manhã.

Meu trajeto de casa até o trabalho leva apenas quinze minutos. Rápido. Curto demais para grandes acontecimentos. Mas, às vezes, quinze minutos são suficientes para guardar uma vida inteira de reflexões.

Logo no início do caminho, três senhoras seguiam para o trabalho empurrando seus carrinhos de catar papelão. Vida dura. Rotina pesada. Mas havia algo que contrariava qualquer dureza: em um dos carrinhos, bem acomodadinho dentro de uma caixa de entrega de supermercado, um menininho tomava sua mamadeira. Tinha sombrinha protegendo do sol, um travesseirinho improvisado e um cuidado que transbordava amor. Era lindo de ver. No meio da precariedade, havia zelo. Havia ternura.

Segui adiante.

Num semáforo, um homem tomava chimarrão dentro do carro. Parava, servia a cuia, aguardava o sinal abrir. Quase paramos lado a lado. Quase pedi uma. Por um instante, fui transportado aos meus melhores dias em Chopinzinho, Paraná. O mate tem dessas coisas: ele aquece mais que as mãos, aquece memórias.

Em frente ao JL Shopping, uma moça estava sentada no chão. Mochila aos pés. Cabeça encostada nos joelhos. Ainda era cedo, o ar estava fresco. Havia um silêncio em volta dela que gritava. Parei na faixa elevada para esperar um pedestre atravessar e algo me chamou a atenção: uma senhora se aproximou, agachou-se e começou a conversar com a moça da mochila.

Talvez perguntasse:
— Você está bem?
— Precisa de algo?

Quem faz isso hoje em dia? Quem interrompe a própria pressa para cuidar do outro? Quem desacelera a rotina frenética para oferecer presença?

Uma lição em segundos.

E ainda houve mais.

Os rapazes que oferecem estacionamento para os turitas que visitarão Cidade do Leste no Paraguai. As mulheres começam a estender seus panos de pratos em um varal que servirá de vitrine durante o dia todo. Muitas pessoas já caminhando na Paraná, mantendo suas saúdes. O vendedor de quiabos na esquina.
O vendedor de chipas paraguaias — essa especiaria tão rica, tão emblemática da nossa região.
O rapaz das paçoquinhas, que dependia daqueles trocados para garantir o primeiro gole de café da manhã. Era cedo, mas a barriga já avisava.

A cidade acordava. E cada rosto carregava uma história invisível.

No último semáfaro a minha mente voltou para as três mulheres dos carrinhos. Voltou para o menino na caixinha de mercado.

Em qual escola ele irá estudar?
Qual será sua profissão?
Com quem se casará?
Quantos filhos terá?
Chegará à vida adulta?

Ou até quando esse cuidado e carinho de sua mãe serão a força que sustentará o seu futuro?

Tantas perguntas poderíamos fazer a todas as crianças de hoje. Mas fiz todas para aquela. Talvez porque seu contexto fosse tão único que, por um instante, quase duvidamos de um futuro promissor.

Lembrei-me de um texto usado para o trabalho de conclusão de curso de uma pós-graduação que fiz na UNIOESTE,  Natal na Barca, de Lygia Fagundes Telles. Aquela criança de colo que a narradora julgava estar morta. Morta para uma vida que ainda precisaria viver. Às vezes, olhamos para certas realidades e, apressadamente, decretamos destinos. Mas a vida insiste. A vida surpreende.

Refleti.

Cheguei ao destino.

A rua tão calma. O portão fechado. Abri. Sorri por estar ali. Dia de trabalho como outro qualquer. Uma escola. E, dentro dela, muitas vidas e muitos futuros passam por nossas mãos todos os dias.

Vamos fazer matrículas.
A vida de todos segue.
A nossa vida segue.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

O Peso que caiu das mãos

 O Peso que Caiu das Mãos

Dizem que o tempo cura tudo. Mas não é verdade. O tempo, sozinho, apenas ensina a conviver com a dor. O que cura mesmo é o perdão.

Havia dentro dele um quarto escuro, trancado por dentro. Nesse quarto moravam vozes antigas, cenas repetidas, palavras que feriram como lâminas. Toda vez que lembrava, o coração endurecia um pouco mais. Ele dizia: “Eu já superei”. Mas não tinha superado, apenas tinha aprendido a esconder.

Até que, numa dessas noites silenciosas da alma, entendeu algo simples e profundo: quem não perdoa carrega correntes invisíveis. O ofensor talvez nem lembrasse mais, mas ele lembrava. E doía.

Foi então que percebeu o escândalo do cristianismo: Deus perdoa culpados. Não porque o erro seja pequeno, mas porque o amor é maior. Na cruz, o Inocente pediu perdão pelos culpados. E se Deus perdoa assim, quem somos nós para viver colecionando dívidas?

Perdoar não foi esquecer. A memória continuou lá.
Perdoar não foi dizer que estava tudo certo. Não estava.
Perdoar foi soltar. Soltar o direito de cobrar. Soltar o peso de reviver. Soltar a prisão de sentir.

No começo parece perda. Parece injustiça. Parece fraqueza. Mas não é. Perdão é força mansa. É coragem silenciosa. É libertação disfarçada de renúncia.

Naquela noite, sem testemunhas, sem aplausos, ele fez uma oração curta, dessas que não saem da boca, só do coração:
“Senhor, eu entrego em suas mãos.”

E algo caiu. Não do céu, caiu de dentro.
O peso; a pedra; a corrente.

O outro continuou sendo o outro. O passado continuou sendo passado. Mas ele, ele ficou livre.

Porque no Reino de Deus, quem perdoa não perde, renasce.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Amar sem medidas

Ela não discutia. Ela argumentava.

Discutir, para ela, era coisa de amador. Argumentar era arte, ciência e, se deixasse, esporte olímpico.

Era uma verdadeira máquina de argumentação. Não gostava de perder uma discussão, não por orgulho, dizia , mas por “compromisso epistemológico com a verdade”. Ninguém sabia exatamente o que isso queria dizer, mas todos perdiam para ela.

Se era verde, era verde. E pronto.

Mas não “pronto” simples. Era pronto com argumento de autoridade, dados estatísticos, e, se necessário, citação de pensador renomado. “Como diria Lúcia Helena Galvão…”, começava ela. E o debate já estava encerrado antes de começar.

Um dia ela se casou e a argumentação invadiu o casamento.

— Amor, acha que devo usar o vestido azul? — perguntou ela, inocente.

— Acho lindo — respondeu o marido, distraído.

Silêncio.

Ela virou lentamente.

— Me dê três argumentos que justifiquem sua escolha.

— Hã?

— Três. Pode ser lógico, estético ou emocional. Mas fundamentado.

O marido piscou duas vezes. Pensou em correr. Ficou.

— Combina com seu olho, valoriza sua elegância e eu gosto.

Ela anotou mentalmente.

— Fraco. Muito fraco. Argumento subjetivo. Próximo.

E assim eram os dias...

Ela queria saber se as opiniões das pessoas eram realmente opiniões ou apenas ecos do vento.

— Vou votar em fulano.

— Por quê?

— Ah! todo mundo vai.

— Falácia da maioria. Próximo.

— Vou de bermuda hoje.

— Justifique.

— Tá calor, ué!

— Cite a temperatura média, por favor.

O marido começou a suspeitar que viver com ela era como fazer um doutorado permanente.

Certo dia, ele tentou surpreender:

— Amor, vamos passar nosso aniversário de casamento no Chile!

Ela arregalou os olhos.

— Chile? Interessante. Mas… por que Chile?

Ele respirou fundo.

— Vinho. Cordilheira. Neve. Romantismo.

— Continue.

— Pablo Neruda…

Ela sorriu. Era um sorriso que ele havia descoberto, com o tempo, que representava um sim vindo da alma.

— Neruda disse: “Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejeiras.”

O marido, emocionado:

— Viu? Romântico!

Ela respondeu:

— Bom argumento. Poético. Aceitável.

Foram ao Chile.

Na primeira noite, em Santiago, ele abriu um vinho.

—Este vinho tem notas de frutas vermelhas — disse.

Ela perguntou:

— Quais frutas? Percentual? Safra? Altitude da colheita?

No terceiro dia, diante da Cordilheira dos Andes, ele tentou filosofar:

—Às vezes, amor, a vida não precisa de argumento. Só precisa ser vivida.

Ela olhou séria.

Silêncio.

Depois disse:

— Continue.

Ele respirou fundo: “Ao vencedor, as batatas.” Machado de Assis. 

No casamento, às vezes, não precisamos argumentos. E tudo bem.

Ela ficou pensativa.

— Interessante, muito interessante.

Pausa.

— Mas formule melhor.

Ele desistiu.

Meses depois, discutiam sobre comprar um carro.

— Motor?

—1.6.

— Cavalos?

— 120.

— Porta-malas?

— 450 litros.

— Consumo urbano?

— Não sei!

Ela cruzou os braços.

— Argumentação incompleta.

Ele olhou para o teto e murmurou:

— “Escuta, garota, será a estrada uma prisão?”

Ela respondeu imediatamente:

— Engenheiros do Hawaii. Boa referência cultural. Mas não responde minha pergunta.

Apesar de tudo, eles riam. Riam muito, riam juntos.

Porque, no fundo, ela não queria vencer discussões. Queria sentido. Queria verdade. Queria que as escolhas tivessem alma.

Guimarães Rosa escreveu: “Viver é muito perigoso.” Ela adaptaria: "Viver sem argumento é mais perigoso ainda".

Enfim, numa noite simples, sem debate, sem tese, sem estatística,  ela apenas encostou a cabeça no ombro dele e disse:

— Hoje não tenho argumentos. Só tenho você. 

E o sono justificou,  como argumento de autoridade, que terem casado valeu a pena. 




segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

De onde vem esse “não pode”, se não há um padrão absoluto?

De onde vem esse “não pode”, se não há um padrão absoluto?

Ele disse que não acreditava em Deus.
Disse com a tranquilidade de quem escolhe café sem açúcar: simples, sem drama.
E logo emendou, quase como um alívio:
— Então pecado não existe pra mim.

Fiquei pensando nisso enquanto atravessava a rua, desviando de gente apressada e de um cachorro que parecia saber mais da vida do que todos nós juntos.

Talvez ele tivesse razão.
Pecado, essa palavra antiga, pesada, carregada de púlpito e culpa, realmente precisa de Deus para existir. Afinal, como ofender alguém em quem não se crê?

Mas o curioso é que, mesmo sem Deus, ele continuava usando outras palavras.
Falava em injustiça, em desrespeito, em limites que não podem ser ultrapassados.
Se indignava com corrupção, se revoltava com a violência, se entristecia com a mentira.
Não chamava de pecado — chamava de absurdo.

Mudou o nome, mas não o desconforto.

No fundo, ninguém vive num mundo onde tudo é permitido. Nem os que negam o céu conseguem morar no caos. Sempre há algo que “não se faz”. Um território invisível que, quando pisado, provoca culpa, vergonha ou aquele silêncio constrangedor que ninguém sabe explicar.

Sem Deus, o erro vira falha.
Sem Deus, o pecado vira crime, trauma ou desvio.
Sem Deus, a consciência continua lá — só muda o vocabulário.

E isso me intriga.

Porque se o homem é a medida de todas as coisas, por que algumas coisas continuam fora de medida?
Quem escreveu esse “não pode” que insiste em sobreviver mesmo quando Deus é retirado da conversa?

Talvez o pecado só exista para quem acredita em Deus.
Mas a sensação de ter ultrapassado um limite… essa parece existir para todo mundo.

No fim das contas, talvez o problema nunca tenha sido o nome da coisa.
Talvez seja o fato de que, com ou sem fé, o ser humano continua tentando explicar por que algumas escolhas pesam tanto no coração.

E peso, convenhamos, não depende de crença.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

“Onde estás?” “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra…”

INTRODUÇÃO

Amados irmãos,
há perguntas na Bíblia que ecoam mais alto do que respostas.
Perguntas que atravessam o tempo, rompem gerações e alcançam o coração do homem.

No princípio, Deus caminhava com o homem no jardim.
Não havia pecado, não havia medo, não havia distância.

Mas depois da desobediência, Deus faz uma pergunta que nunca deixou de ser feita:

“Onde estás?”

Não porque Deus não soubesse onde Adão estava,
mas porque Adão já não sabia mais onde estava em relação a Deus.

Séculos depois, em meio a uma tempestade, outra cena se forma:
um homem sai do barco, pisa nas águas e caminha enquanto mantém os olhos em Jesus.
Quando o vento sopra mais forte e o medo domina o coração, ele começa a afundar —
mas antes que se perca, uma mão se estende.

Hoje, o mesmo Deus que chamou Adão no jardim
e o mesmo Cristo que chamou Pedro sobre as águas
continua chamando homens e mulheres.

E a pergunta ainda ecoa no meio da igreja:

Onde estás?


LEITURA BÍBLICA 1

Gênesis 3:1–11

A tentação de Eva e a queda do homem

(Leitura do texto bíblico)


CONTEXTO

Adão tinha um encontro com Deus todas as tardes.

Deus dava as diretrizes para Adão de como adm o mundo (jardim).


LEITURA BÍBLICA 2

Números 13:30–33

(Leitura do texto bíblico)

CONTEXTO DOS ESPIAS

Aqueles homens foram alimentados por Deus durante 40 anos.
Viram o mar se abrir.
Viram água sair da rocha.
Tinham uma coluna de fogo para aquecer à noite.
Tinham uma nuvem para protegê-los do calor.
O maná caía do céu.

Mesmo assim, disseram:

“Éramos aos nossos olhos como gafanhotos.”


LEITURA BÍBLICA 3

Mateus 14:28–31

(Leitura do texto bíblico)


CONTEXTO DE PEDRO

Pedro andava com Jesus.
Tinha visto todas as maravilhas.
Viu Jesus alimentar milhares.
Viu Jesus curar, restaurar e devolver a vida.

E então vem a frase:

“Homem de pequena fé, por que duvidaste?”


DESENVOLVIMENTO

Por que a dúvida paralisa o homem?

1. Porque a dúvida quebra o eixo interno do homem

O ser humano precisa de referência para caminhar:

  • um norte

  • uma voz

  • um sentido

Quando a dúvida entra, o eixo se rompe.

📖 Tiago 1:6–8

“O que duvida é semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento… homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos.”

👉 Sem eixo, qualquer vento empurra.


2. A dúvida divide o coração

A fé aponta para uma direção.
A dúvida cria duas possibilidades opostas.

📌 O homem deixa de caminhar e passa a oscilar:

  • quer obedecer, mas quer controlar

  • quer confiar, mas quer garantias

🔥 Onde o coração se divide, a caminhada trava.


3. Porque a dúvida desloca a autoridade

Quando o homem confia em Deus:

  • Deus é a referência

  • a Palavra é o critério

Quando a dúvida entra:

  • o homem se coloca no centro

  • a razão passa a julgar a promessa

📖 Provérbios 3:5

“Confia no Senhor de todo o teu coração…”

👉 A dúvida não pergunta, questiona para não obedecer.


4. A dúvida tira o homem do presente

Quem duvida:

  • revive o passado (“e se eu errar de novo?”)

  • antecipa o futuro (“e se não der certo?”)

📌 A fé age no agora.
📌 A dúvida paralisa no depois.

Por isso Pedro afunda:
não porque o vento surge,
mas porque ele para de confiar no momento presente.


5. A dúvida não é ausência de fé — é fé sem direção

Isso é importante pastoralmente.

Tomé duvidou, mas permaneceu com Jesus.
Pedro duvidou, mas clamou.

🔥 O problema não é sentir dúvida.
🔥 O problema é andar guiado por ela.

📖 Mateus 14:31

“Homem de pequena fé, por que duvidaste?”

Jesus não o chama de incrédulo,
mas de desfocado.


6. Porque a dúvida rompe o movimento

Fé sempre gera ação.
Dúvida sempre pede mais sinais.

📌 Enquanto o homem espera certeza absoluta, ele não sai do lugar.

  • Fé caminha mesmo sem ver.

  • Dúvida exige ver para caminhar.


7. APLICAÇÃO PASTORAL

Adão duvida da Palavra → se esconde.

Os espias duvidam da promessa → recuam.

Pedro duvida no meio do caminho → afunda.

👉 Não foi o inimigo que os parou.
👉 Foi a dúvida que os desorientou.


FRASES FORTES PARA O PÚLPITO

A dúvida não rouba apenas a fé; rouba o rumo.

Ou:

Quem não decide em quem confiar, acaba perdido em si mesmo.


CONCLUSÃO

A fé não elimina todas as perguntas,
mas dá direção suficiente para continuar andando.

📖 Salmos 119:105

“Lâmpada para os meus pés é a tua palavra…”

A lâmpada não ilumina tudo,
mas ilumina o próximo passo.