Olhos Atentos
Você já teve a sensação de passar pelos dias como quem cumpre um roteiro automático? Não vemos mais o porteiro do prédio, aquele que nos dá bom dia todos os dias, como se ainda acreditasse na delicadeza das rotinas. Não vemos a flor que nasceu no jardim, insistente, silenciosa, bonita sem plateia. Não vemos nem a nós mesmos, refletidos no vidro apressado de uma vitrine qualquer. E, sem perceber, vamos deixando de notar o mais inevitável de todos os movimentos: o tempo passando dentro da gente.
Não apenas ver, mas contemplar o caminho para o trabalho. Não ouvir, mas escutar aquela música que estava tocando durante o trajeto.
Devemos ter os olhos atentos não apenas para o que se vê, mas para o que passa despercebido.
Para os detalhes simples: o gesto de alguém, uma mudança de tom, um silêncio que diz mais que palavras.
Para o tempo: ele não para, não espera, não avisa. Estar atento é perceber que estamos envelhecendo enquanto adiamos encontros, conversas, abraços.
Para as pessoas: quem está ao nosso lado hoje pode não estar amanhã.
Para nós mesmos: nossas escolhas, nossos cansaços, nossos desejos escondidos. Há momentos em que seguimos no automático e deixamos de nos enxergar.
E, talvez acima de tudo, atentos ao agora. Porque é no presente que a vida realmente acontece , não nas memórias, nem nas expectativas.
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