Havia um homem que sempre trocava de lugar.
Mudava de casa.
Mudava de cidade.
Mudava os móveis.
Mudava os planos.
Mudava até os sonhos.
Achava que o problema era o bairro.
Depois, acreditou que era o salário.
Mais tarde, pensou que era a falta de tempo.
Então culpou o governo, o calor, o trânsito, os vizinhos, a idade.
Comprou coisas que queria muito.
Esperou dias ansiosamente por entregas.
Sonhou com carros.
Com viagens.
Com uma casa silenciosa.
Com um sofá confortável.
Com um quarto escuro e frio o suficiente para dormir sem preocupações.
E por alguns instantes funcionava.
Funcionava quando a chave do carro novo girava.
Funcionava quando o cheiro de tinta fresca tomava conta da casa.
Funcionava quando alguém dizia:
“Agora sua vida vai pra frente.”
Mas havia um problema:
A felicidade sempre chegava com prazo de validade.
Era como segurar água nas mãos.
Quanto mais apertava, mais ela escapava.
Com o tempo, percebeu algo estranho:
Não importava onde estivesse, existia sempre uma sensação de não pertencimento.
Como se sua alma estivesse esperando alguma coisa que o mundo não sabia entregar.
Foi então que começou a notar detalhes pequenos.
Os idosos olhando fotografias antigas em silêncio.
Os cemitérios crescendo.
As rugas surgindo devagar no rosto das pessoas.
Os hospitais lotados.
Os remédios sobre as mesas.
Os “adeus” que ninguém estava preparado para dizer.
Descobriu que o mundo inteiro sofria da mesma saudade.
Uma saudade de algo que muitos nunca tinham visto.
Então lembrou de Abraão.
A Bíblia dizia que ele morava em tendas porque aguardava uma cidade cujo construtor era Deus.
Achou aquilo bonito.
Depois lembrou de José do Egito, que viveu no palácio mais poderoso da Terra, mas pediu que seus ossos não permanecessem no Egito.
Até os grandes homens da Bíblia pareciam carregar a sensação de que estavam apenas de passagem.
Naquela noite, sentado sozinho, o homem percebeu algo assustador e ao mesmo tempo consolador:
Talvez ninguém consiga realmente “ficar” neste mundo.
Talvez a alma humana tenha sido feita para outro lugar.
E então entendeu por que nada satisfaz completamente.
Nem dinheiro.
Nem beleza.
Nem fama.
Nem prazer.
Nem conquistas.
Porque existem vazios que não são daqui.
O mundo oferece distrações.
O Céu oferece lar.
Naquela madrugada, pela primeira vez em muitos anos, ele olhou para cima.
Não para procurar estrelas.
Mas para procurar esperança.
E enquanto a cidade fazia barulho do lado de fora, uma paz silenciosa começou a nascer dentro dele.
Como se Deus sussurrasse:
“Você sente falta de casa porque foi criado para a eternidade.”
Produzido com IA.
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