quinta-feira, 15 de outubro de 2026

ILKA AGRIPINA VERA: A PROFESSORA QUE AJUDOU A ESCREVER A HISTÓRIA DE FOZ DO IGUAÇU


Foto: Áurea Cunha /
Arquivo Guatá

  Pioneira da educação iguaçuense, Ilka Vera dedicou mais de quatro   décadas ao magistério e deixou um legado que ultrapassa as salas de     aula.

 Por Emerson Fulgencio - pesquisas realizadas e organização do texto  com uso de IA. 

 Antes de Foz do Iguaçu se transformar em um dos principais destinos   turísticos do Brasil, antes da construção de Itaipu e do crescimento   acelerado da cidade, havia pessoas que, silenciosamente, construíam os   alicerces de nossa história. Algumas erguiam prédios, outras abriam   estradas. E havia aquelas que ensinavam as primeiras letras.

 Entre elas estava Ilka Agripina Vera, uma mulher cuja trajetória se   confunde com a própria história da educação iguaçuense.

 Nascida em 23 de junho de 1919, em Foz do Iguaçu, Ilka era filha de   Diego Ignácio Vera, argentino, e de mãe de origem paraguaia. Sua família representa bem a identidade fronteiriça da cidade, formada pelo encontro de diferentes povos, idiomas e culturas.

Seu pai foi responsável pelo funcionamento de um dos primeiros geradores de energia elétrica da cidade, movido a lenha. Enquanto ele ajudava a iluminar a pequena Foz do Iguaçu, a filha, anos depois, dedicaria a vida a outra forma de iluminação: o conhecimento.

Uma menina que queria aprender

A infância de Ilka aconteceu em uma Foz muito diferente daquela que conhecemos. As oportunidades de escolarização eram escassas, e o acesso à educação dependia, muitas vezes, da iniciativa de particulares ou de religiosos.

Sua primeira experiência escolar foi traumática. Em entrevista concedida ao jornalista Juvêncio Mazzarollo, em 1993, ela contou que abandonou uma pequena escola depois de presenciar uma professora castigar um aluno com a palmatória.

Ilka não concordava com aquela violência.

Passou a aprender em casa, com a ajuda de um tio, até ingressar, em 1928, na recém-criada Escola Bartolomeu Mitre. Fez parte da primeira turma de formandos da instituição.

A menina que enfrentou dificuldades para estudar se tornaria, anos depois, uma das professoras mais importantes da cidade.

O magistério como missão

Antes de ingressar definitivamente no magistério, Ilka trabalhou em atividades ligadas às obras realizadas no Parque Nacional do Iguaçu e também na área de enfermagem.

Sua experiência como educadora começou com filhos de trabalhadores envolvidos na construção da Usina São João, no Parque Nacional. Em 1947, passou a atuar oficialmente como professora na Escola Bartolomeu Mitre.

Posteriormente, também lecionou no Colégio Monsenhor Guilherme, onde trabalhou com a disciplina de História.

Foi uma das pioneiras na alfabetização de adultos em Foz do Iguaçu, numa época em que muitos trabalhadores não haviam tido oportunidade de frequentar a escola.

Sem os recursos tecnológicos de hoje, Ilka desenvolveu uma maneira própria de ensinar. Utilizava elementos da natureza, objetos simples e situações do cotidiano para tornar a aprendizagem mais próxima da realidade dos alunos.

Não precisava de grandes equipamentos para ensinar. Precisava conhecer seus estudantes.

Em sua entrevista de 1993, deixou uma frase que merece permanecer na memória de todos os educadores:

“O principal segredo do sucesso do professor é cativar os alunos.”

Uma afirmação simples, mas de extraordinária profundidade pedagógica.

A professora que enxergava além do comportamento

Entre os episódios de sua carreira, um revela especialmente sua sensibilidade.

Certa vez, ao enfrentar problemas de indisciplina com um aluno, Ilka tomou uma atitude pouco habitual: retirou-o da sala. Incomodada com a própria reação, procurou compreender o que estava acontecendo.

Descobriu que o menino enfrentava dificuldades familiares, relacionadas à separação dos pais.

O estudante posteriormente pediu desculpas e se tornou um dos melhores alunos.

A história revela uma educadora que, muito antes de expressões como educação socioemocional ganharem espaço nos debates pedagógicos, compreendia que o comportamento de uma criança nem sempre poderia ser explicado apenas pelo que acontecia dentro da sala de aula.

Era preciso olhar para o aluno. Conhecer sua história. Compreender suas dores.

Uma vida dedicada à educação

Ilka continuou estudando ao longo da vida, conquistando formação no magistério e, posteriormente, licenciatura em História.

Ao longo de mais de quatro décadas de trabalho, ajudou a alfabetizar gerações de iguaçuenses. Entre seus antigos estudantes estavam pessoas que mais tarde se tornariam médicos, engenheiros, advogados e profissionais de diferentes áreas.

Mas ela não costumava destacar um aluno em particular. Sua satisfação estava na aprendizagem e no reconhecimento recebido daqueles que passaram por suas salas de aula.

Na década de 1990, recebeu da Câmara Municipal o título de cidadã benemérita de Foz do Iguaçu, em reconhecimento à sua contribuição para a educação pública.

Ilka faleceu em 31 de janeiro de 2012, aos 92 anos.

Deixou, porém, algo que não pode ser medido apenas por diplomas, homenagens ou anos de serviço: o conhecimento transmitido a milhares de pessoas e a influência que esse conhecimento exerceu sobre suas vidas.

Uma professora que também amava sua cidade

Além de educadora, Ilka cultivava um profundo sentimento de pertencimento a Foz do Iguaçu.

Na década de 1950, escreveu um poema dedicado à cidade, no qual exaltava suas belezas naturais, sua gente e a importância do trabalho e da instrução para o desenvolvimento local.

O manuscrito foi preservado pela família e divulgado posteriormente, acrescentando mais uma dimensão à memória dessa mulher que testemunhou tantas transformações da fronteira.

Ilka conheceu uma Foz de ruas tranquilas, cinemas improvisados, escolas ainda em formação e uma população que começava a construir sua identidade urbana.

Viu a cidade crescer, transformar-se e ganhar projeção internacional.

E participou desse processo ensinando.

A memória de quem ensinou não pode ser esquecida

Foz do Iguaçu costuma contar sua história por meio das grandes obras, dos monumentos, das Cataratas, da Ponte da Amizade e da Usina de Itaipu.

Tudo isso tem sua importância.

Mas uma cidade também é construída por pessoas que, muitas vezes, não aparecem nas fotografias oficiais de inaugurações.

Professores que ensinavam com poucos recursos. Mulheres que enfrentaram limitações de sua época. Educadores que abriram caminhos para gerações inteiras.

Ilka Agripina Vera pertence a esse grupo.

Sua trajetória nos lembra que a história da educação não se resume a prédios escolares, reformas curriculares ou políticas públicas. Ela também é feita de relações humanas, persistência, dedicação e compromisso.

Talvez essa seja uma das maiores lições deixadas por Ilka: uma cidade não se desenvolve apenas quando aprende a construir grandes obras, mas também quando oferece às pessoas a oportunidade de aprender a ler o mundo.

E Ilka ajudou Foz do Iguaçu a fazer exatamente isso.


Fontes históricas: Entrevista de Ilka Agripina Vera concedida ao jornalista Juvêncio Mazzarollo, em 1993, publicada no livro Foz do Iguaçu: Retratos (1997); acervo Guatá Cultura em Movimento; revista Escrita, edição 53, e Museu da Imprensa de Foz do Iguaçu.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Esquerda ou direita?

 Entrei na briga, resolvi discutir sobre a direita e a esquerda. Vem comigo?

Ultimamente, tenho ouvido tanta gente dizendo “sou de direita”, “sou de esquerda”, “não suporto a direita”, “detesto a esquerda”, que resolvi investigar. Parece que o mundo foi dividido em dois lados e que, obrigatoriamente, precisamos escolher um deles. E, de preferência, não gostar do outro.

Comecei pela escrita. Há quem escreva com a mão direita e quem escreva com a esquerda. Confesso que o que me dá certa aflição é letra feia, mas não vamos criar mais uma divisão por causa disso.

Outro dia, assistindo a um vídeo de Geografia, aprendi uma curiosidade. Você sabe identificar as margens direita e esquerda de um rio? Basta olhar no sentido da correnteza, de costas para a nascente.

No Rio Paraná, por exemplo, olhando de Itaipu em direção ao Marco das Três Fronteiras, Ciudad del Este fica à direita e Foz do Iguaçu, à esquerda. Portanto, Foz está na margem esquerda do Rio Paraná. Seria, então, uma cidade de esquerda? Calma, pessoal! É apenas Geografia.

E no Rio Iguaçu? Se você olhar das Cataratas em direção à foz do rio, Foz do Iguaçu estará em qual margem? Deixo como tarefa de casa. Afinal, professor não perde o costume.

Certa vez, precisei comprar uma peça para o carro. O vendedor perguntou se era a direita ou a esquerda. Fiquei na dúvida. Direita de quem? Minha ou de quem olha o carro de frente? Descobri que a referência é a posição de quem está sentado ao volante, olhando para a frente. Simples assim. 

E o relógio? Tradicionalmente no braço esquerdo. A aliança? No Brasil, costuma ficar na mão direita durante o noivado e na esquerda depois do casamento. Até o amor muda de lado! Tomara que não mude de sentimento.

Você sabia que os botões das camisas masculinas tradicionalmente ficam à direita de quem veste, enquanto os das femininas ficam à esquerda? Uma das explicações históricas associa essa diferença ao tempo em que mulheres da elite eram vestidas por criadas. Até para abotoar uma camisa encontramos uma maneira de dividir os lados.

E os ingleses, que dirigem pela esquerda? Uma das explicações remonta aos cavaleiros medievais, que circulavam desse lado para manter a mão direita livre para sacar a espada. Imagine um brasileiro chegando a Londres e descobrindo que, por lá, a esquerda é o lado certo!

No cérebro, a situação é ainda mais curiosa: o hemisfério esquerdo controla boa parte dos movimentos do lado direito do corpo, e vice-versa. Ou seja, dentro da nossa própria cabeça, direita e esquerda precisam trabalhar juntas. Talvez esteja aí uma boa lição.

E no futebol? Quem não gostaria de ter uma perna esquerda tão destra quanto a de Nilton Santos, a Enciclopédia do Futebol? Ou a canhota de Branco, autor de verdadeiras bombas nas cobranças de falta? E Garrincha, que jogava pela ponta direita e deixava os adversários sem saber para que lado correr? No futebol, ninguém se incomoda com a esquerda ou com a direita. O importante é saber jogar. Pena que fora dos gramados nem sempre pensamos assim.

Até a linguagem entrou nessa história. A palavra “sinistro” vem do latim sinister, que também significava “esquerdo”. Com o tempo, ganhou sentidos negativos. Coitados dos canhotos! Será que até o vocabulário resolveu persegui-los.

Mas, afinal, de onde surgiram a direita e a esquerda na política?

A história nos leva à Revolução Francesa, em 1789. Na Assembleia, os representantes se organizaram fisicamente conforme suas posições. À direita, de modo geral, ficavam os defensores da monarquia e da ordem tradicional. À esquerda, aqueles que defendiam mudanças mais profundas na sociedade.

A disposição das cadeiras acabou dando nome a correntes políticas que atravessaram séculos e fronteiras. E pensar que tudo poderia ter sido diferente se alguém tivesse trocado as cadeiras de lugar!

Humberto Gessinger, dos Engenheiros do Hawaii, já brincava com essas contradições em A Revolta dos Dândis II, quando cantava: “Esquerda e direita, direitos e deveres”.

Uma frase curta, mas provocadora. Afinal, em tempos de tanta preocupação em defender a direita ou a esquerda, talvez estejamos nos esquecendo justamente dos direitos e dos deveres. Principalmente dos deveres, que parecem sempre pertencer ao lado de lá.

Hoje, evidentemente, as diferenças políticas são muito mais complexas. Existem várias direitas, várias esquerdas e inúmeras posições entre elas. O problema não está em ter convicções, mas em transformá-las em verdades absolutas.

Conheço pessoas extraordinárias que pensam diferente de mim. E outras que pensam exatamente como eu, mas com quem tenho enormes dificuldades de convivência. Isso deveria nos ensinar alguma coisa.

Um amigo costumava dizer que existem ideias dominantes em determinadas épocas, mas que nem tudo permanece para sempre. A história confirma isso. Costumes mudam, conceitos envelhecem e certezas aparentemente inabaláveis acabam sendo revistas.

Lembro novamente de Humberto Gessinger:

"Você esquece que eu não sou de ferro
E até o ferro pode enferrujar
Você esquece que eu não sou de aço
E faço questão de provar
Olhe pra mim... Enquanto eu me quebro"

Quando canta sobre a fragilidade humana e nos recorda de que até o ferro pode enferrujar. Se até o ferro sofre a ação do tempo, por que nossas opiniões deveriam permanecer intocáveis?

E Raul Seixas, em sua genial Metamorfose Ambulante, já nos provocava a desconfiar daquela velha opinião formada sobre tudo.

Não se trata de abandonar princípios ou mudar de opinião conforme o vento. Trata-se de reconhecer que aprender também exige disposição para rever aquilo que julgávamos definitivo.

Talvez a vida seja mesmo um grande campo de futebol. Há quem jogue pela direita, quem prefira a esquerda e quem passe os noventa minutos em cima do muro, reclamando do juiz. Mas de nada adianta discutir tanto os lados se ninguém estiver preocupado em fazer o gol.

Depois de tantas descobertas, cheguei a uma conclusão: a direita e a esquerda são importantes na Geografia, no trânsito, na anatomia, na história e na política. Mas há algo ainda mais importante: saber de onde estamos olhando.

Talvez o grande problema dos nossos dias seja que muita gente está tão preocupada em defender uma das margens que já nem se interessa em compreender o rio.

E agora, se me dão licença, preciso encerrar esta crônica. Ainda tenho uma lanterna do carro da minha esposa para comprar e não lembro se é a direita ou a esquerda. Vou ter que sentar no carro no banco do motorista, segurar firme o volante e olhar para frente. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

“Quem bate esquece; quem apanha, não.”

 


Existiam algumas frases emblemáticas que saíam da boca do meu pai, e essa era uma delas: “Quem bate esquece; quem apanha, não.” Quando ele falava isso, com certeza, o contexto o perturbara.

Entendo-o, pois a frase expressa uma ideia muito humana: para quem causa a dor, o episódio pode ser pequeno e passageiro; para quem a recebe, pode deixar uma marca por muito tempo. E não precisa se referir à agressão física. Vale para palavras, humilhações, injustiças, abandonos e atitudes aparentemente pequenas.

Acredito que essa frase também nos ensina que existem muitas maneiras de bater sem usar as mãos. Uma palavra dita no momento errado, uma brincadeira que humilha, um comentário feito diante de outras pessoas, um desprezo, uma ausência. Para quem fez, talvez não tenha significado quase nada. Para quem recebeu, pode ter significado muito.

Talvez por isso algumas pessoas se lembrem, décadas depois, de uma frase ouvida na infância, de uma vergonha passada na escola ou de uma injustiça sofrida no trabalho. Quem provocou aquilo provavelmente seguiu a vida e esqueceu. Quem sentiu a dor guardou até os detalhes.

Mas há um lado dessa frase que me inquieta ainda mais: somos muito bons em lembrar das vezes em que apanhamos e nem sempre tão bons em lembrar das vezes em que batemos. Pode ser que alguém carregue até hoje uma palavra que dissemos e da qual já nem nos lembramos.

Talvez meu pai soubesse disso.

Hoje, quando aquela velha frase me volta à memória, penso menos em quem me feriu e mais nas marcas que eu mesmo posso ter deixado pelo caminho.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

 A FÉ CABE NUMA SEMENTE

Ontem fui à igreja.

O pastor Coty que havia participado de uma conferência no Paraguai aproveitou a passagem por Foz do Iguaçu e veio pregar na DOXA. Abriu a Bíblia e falou sobre uma história que eu conheço há muitos anos: a parábola do semeador.

Semente.

Terra.

Pedra.

Espinhos.

Fruto.

Jesus tinha essa extraordinária capacidade de explicar o céu apontando para a terra.

Talvez porque o mundo natural tenha muito mais a nos ensinar sobre o espiritual do que imaginamos.

Uma das primeiras frases daquela noite me alcançou:

— Frutificação não é um ato de esforço.

Pensei nas árvores.

Nunca vi uma laranjeira fazendo força para produzir laranjas. Nunca vi uma videira angustiada tentando fabricar uvas. O galho não acorda pela manhã preocupado com sua produtividade. Ele simplesmente permanece ligado à árvore.

E, porque permanece, frutifica.

Talvez tenhamos complicado demais algumas coisas.

Queremos produzir frutos sem permanecer na árvore. Queremos fé sem relacionamento, transformação sem Palavra, respostas sem escuta.

Na parábola, o problema nunca esteve na semente.

A semente era boa.

O que mudava era a terra.

Algumas sementes foram roubadas. Outras nasceram depressa e morreram. Algumas foram sufocadas. Mas houve aquelas que encontraram boa terra e produziram fruto.

E foi então que outra coisa chamou minha atenção.

Mateus diz que a boa terra representa aquele que ouve e compreende.

Marcos fala daquele que ouve e recebe.

Lucas, daquele que ouve e conserva.

Compreender.

Receber.

Conservar.

Três verbos para uma vida inteira.

Talvez eu tenha passado muito tempo pensando que oração fosse principalmente falar. Naquela noite, porém, anotei uma frase que me incomodou de um jeito bom:

Oração tem muito mais a ver com audição do que com fala.

Fiquei pensando em quantas vezes cheguei diante de Deus carregando uma lista de assuntos e, depois de dizer tudo, levantei-me e fui embora.

Sem perguntar:

— E o Senhor? Quer me dizer alguma coisa?

A fé vem pelo ouvir.

Pedro não caminhou sobre a água simplesmente porque teve coragem de colocar o pé para fora do barco. Antes disso houve uma palavra:

— Vem.

Talvez ninguém caminhe verdadeiramente sobre as águas.

Caminhamos sobre uma Palavra.

O centurião também compreendeu isso quando disse a Jesus que não precisava ir até sua casa:

— Basta uma palavra.

Gente de fé aprende a se agarrar à Palavra.

Mas existe ainda o terceiro verbo: conservar.

E talvez seja esse o mais difícil.

Porque receber uma promessa é emocionante. Conservá-la enquanto nada acontece é outra história.

Queremos a promessa, mas Deus parece interessado também na pessoa em que nos transformaremos enquanto esperamos por ela.

Então me ocorreu uma pergunta:

O que vale mais: o prêmio ou a pessoa que precisei me tornar para alcançá-lo?

Talvez algumas promessas não tenham sido dadas apenas para nos informar onde chegaremos. Talvez tenham sido dadas para nos encorajar a atravessar o caminho.

É durante a caminhada que aprendemos perseverança.

É durante a espera que o caráter cresce.

É quando ainda não vemos que descobrimos em quem realmente confiamos.

Josué recebeu uma missão enorme, mas a orientação de Deus passava por algo aparentemente silencioso: meditar na Palavra dia e noite.

É preciso coragem para enfrentar gigantes.

Mas talvez também seja preciso coragem para fechar a porta, silenciar o mundo e permanecer diante de Deus.

Vida devocional também é coragem.

Saí da igreja pensando naquela pequena semente.

Ela não faz barulho.

Não anuncia o que está acontecendo debaixo da terra.

Durante algum tempo, quem olha de fora pode até pensar que nada está acontecendo.

Mas está.

A casca se rompe.

A raiz procura profundidade.

Depois surge um pequeno sinal verde sobre a terra.

E um dia aquilo que cabia na palma da mão oferece sombra, abrigo e fruto.

Talvez a fé seja assim.

Não necessariamente compreender tudo o que Deus está fazendo, mas conhecer suficientemente o caráter de quem lançou a semente.

Ouvir.

Compreender.

Receber.

Conservar.

E permanecer ligado à Árvore.

Porque fruto não se fabrica.

Fruto nasce de relacionamento.


Observação: Fiz anotações da palavra, organizei em forma de texto, essa é a minha interpretação, acredito que o pastor transmitiu muito mais que isso na manhã do domingo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Piá de rua X Piá de prédio

Eu fui piá de rua.

Não desses que dizem que brincavam na rua porque, vez ou outra, chutaram uma bola na calçada. Fui piá de rua com endereço, território e jurisdição: Conjunto Libra, Rua Piraí.

A Rua Piraí era nossa, a Rua Iapó era nossa, mas nosso território comum era a Rua Mané Garrincha, que na época nem tinha esse nome, pois ainda não ligava os bairros como hoje. Ela era uma rua provisória para prefeitura, mas era nossa orficialmente. 

Ou pelo menos era isso que pensávamos.

Naquele tempo, ela não tinha o movimento que tem hoje. Dava para esticar uma rede de vôlei de um lado ao outro e, se a brincadeira fosse futebol, colocávamos os golzinhos no asfalto e pronto: estava inaugurado o estádio.

Carro?

De vez em quando aparecia um.

Alguém gritava:

— Ó o carro!

Arrastávamos o gol, esperávamos o cidadão passar e, imediatamente, retomávamos a posse do patrimônio público.

A prefeitura provavelmente nunca soube, mas havia concedido aquela rua para nós.

E havia moradores em todos os setores do nosso pequeno país.

Eu morava na Piraí. A Cíntia também, mas lá na última quadra. Júnior, Vinícius, Gabriela e Marcos moravam na rua de trás.

Marcos?

Bem, nós só descobrimos que ele se chamava Marcos depois de adultos.

Para nós, ele sempre foi o Índio.

Aliás, infância de bairro tinha dessas coisas. Você podia conviver dez anos com uma pessoa sem ter a menor ideia do nome que constava na certidão de nascimento dela.

Na avenida moravam Marli e a irmã. Tinha o Fabinho, o Etelvino e, evidentemente, o icônico Magvaldo.

Magvaldo não cabe nesta crônica.

Merece uma só para ele.

E havia ainda outros que apareciam, desapareciam, voltavam no dia seguinte e ninguém perguntava onde tinham ido. Criança não precisava confirmar presença. Bastava chegar.

Nossa comunicação também era bastante sofisticada.

A gente parava diante da casa e gritava:

— ÔÔÔÔ, FULANO!

Se não funcionasse, gritava mais alto.

Se a mãe aparecesse na janela dizendo:

— Ele tá de castigo!

Pronto.

Era o equivalente analógico de visualizar a mensagem e não poder responder.

Mas faltou alguém.

E eu sei que ele reclamaria se ficasse de fora.

Eder.

Meu primo.

Tecnicamente, Eder era um piá de prédio.

Mas ninguém é perfeito.

Ele morava em apartamento, conhecia elevador, interfone e essas modernidades todas. Só que, nos finais de semana, fazia sua migração particular para o Conjunto Libra.

E escolhia a rua.

Talvez porque tivesse descoberto uma coisa que nós, moradores do Conjunto Libra, nem percebíamos: aquelas ruas oferecia uma liberdade que não cabia entre quatro paredes.

No Libra, Eder deixava de ser piá de prédio.

Virava um dos nossos.

Jogava bola, vôlei, corria, inventava, brigava, fazia as pazes e participava daquele maravilhoso sistema educacional sem reconhecimento do MEC chamado rua.

A rua ensinava muita coisa.

Ensinava a dividir times.

Ensinava que o dono da bola tinha certos privilégios políticos.

Ensinava que “a bola é minha e eu vou embora” era uma poderosa ferramenta de negociação.

Ensinava medicina. Quantos "tampos" de dedão tivemos que colar de forma improvisada, quantos ralados, esfolados... O caso da porta da Brasília do pai do Vinícius que abriu, bem no momento da curva, não cabe aqui ainda, será conversa para outras crônicas. Acho que o leitor vai ficar curioso, mas não dá para contar agora.

Ensinava que uma discussão de quinze minutos sobre se a bola entrou ou não podia terminar imediatamente quando alguma mãe aparecia no portão:

— CHEGA! TODO MUNDO PRA CASA!

E todo mundo ia.

Porque existiam autoridades superiores ao dono da bola.

Hoje passo pela Mané Garrincha e quase não reconheço nosso antigo estádio.

A rua se tornou uma das mais movimentadas do bairro. Imagino o que aconteceria se alguém resolvesse esticar uma rede de vôlei de uma calçada à outra.

Provavelmente apareceria no grupo de WhatsApp do bairro antes mesmo do primeiro saque, ou da primeira bola furada, o que não era incomum acontecer, pois a cerca viva de espinhos era um rival difícil de vencer. 

Talvez seja essa uma das diferenças entre o piá de rua e o piá de prédio.

Nós tínhamos menos estrutura e mais território.


sábado, 5 de setembro de 2026

21ª Feira Internacional do Livro de Foz do Iguaçu - Praça da Paz, no coração de Foz do Iguaçu, transformou-se em uma grande página de livro.

 📚✨ FOZ VOLTOU A RESPIRAR LITERATURA!

Por Emerson Fulgencio. 

A 21ª Feira Internacional do Livro de Foz do Iguaçu está simplesmente encantadora. Um cenário que parece ter saído das páginas de um conto de fadas.

E talvez seja justamente disso que a cidade estivesse com saudade: de encontrar-se novamente entre livros, histórias, música, arte e gente.

Nestes dias, a Praça da Paz, no coração de Foz do Iguaçu, transformou-se em uma grande página de livro. E por ela passam crianças de olhos curiosos, jovens descobrindo novas histórias, adultos reencontrando o prazer da leitura e famílias inteiras vivendo juntas a cultura.

É bonito caminhar pela Feira e perceber a atmosfera contagiante. Livros por todos os lados, conversas, encontros, música, apresentações artísticas e, especialmente, o talento dos nossos escritores e artistas locais ganhando espaço e encontrando seus leitores.

Há crianças sentadas folheando livros. Há gente parando para ouvir música. Há escritores autografando suas obras. Há encontros inesperados e histórias sendo compartilhadas.

E talvez uma Feira do Livro seja exatamente isso: um lugar onde a cidade se encontra consigo mesma por meio da cultura.

Foz do Iguaçu tem muitos cartões-postais conhecidos pelo mundo inteiro. Nestes dias, porém, há outro cartão-postal que merece ser contemplado:

uma praça cheia de livros, arte, crianças, famílias e histórias.

Que cena bonita!

Que atmosfera!

Que saudade a gente estava disso.

📖❤️ A Praça da Paz virou uma página de livro. E Foz do Iguaçu está escrevendo uma história linda nela.





















quinta-feira, 3 de setembro de 2026

21ª FEIRA INTERNACIONAL DO LIVRO DE FOZ DO IGUAÇU! 2026


 📚✨ COMEÇOU A 21ª FEIRA INTERNACIONAL DO LIVRO DE FOZ DO IGUAÇU!

E adivinha quem vai estar por lá? 👀🌿
O Mitá Arandu!

Durante todos os dias da Feira, o Mitá vai passear, conhecer livros, encontrar histórias, descobrir curiosidades e trazer muita coisa legal para compartilhar por aqui. 📖💛

📅 3 a 6 de setembro de 2026
⏰ 9h às 22h
📍 Praça da Paz — Foz do Iguaçu

E o Mitá já avisou:

“Vou visitar todos os dias e trazer muitas dicas pra você!” 😄

Porque livro não é só para ler.
Livro é para descobrir mundos! 🌎📚

#MitáArandu #FeiraDoLivro #FeiraDoLivroFoz #FozDoIguaçu #Literatura #Leitura #Livros #Cultura #NossaFoz #LerTransforma


PROGRAMAÇÃO COMPLETA: https://www.foz.pr.gov.br/21a-feira-internacional-do-livro-de-foz-do-iguacu-comeca-nesta-quinta-feira-03/

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Nino e Lola



No início eram apenas dois cães, Nino e Lola. Juarez ia todos os dias visitar o canil. Quando chegava, era uma festa: rabos abanando, pulos e lambidas.

No meio do quintal havia uma grande árvore. Juarez fez apenas uma recomendação:

— Podem brincar onde quiserem, mas não cavem debaixo daquela árvore.

Nino e Lola nunca tinham pensado em cavar ali. Mas, depois da proibição, começaram a olhar para aquele lugar com curiosidade.

Até que apareceu uma gatinha.

— Por que vocês não podem cavar aí?

— Juarez não deixou — respondeu Lola.

— Talvez ele tenha enterrado um osso...

Lola olhou para Nino. Nino olhou para Lola.

Um osso?

Lola deu a primeira patada. Nino,  a segunda. Em poucos minutos, havia terra para todos os lados.

Então ouviram os passos de Juarez.

Pela primeira vez, em vez de correrem para recebê-lo, esconderam-se.

— Nino, onde você está?

NIno apareceu com a cabeça baixa e o focinho sujo de terra.

— Foi a Lola!

— Ah, claro! — reclamou ela. — E quem ajudou a cavar?

Juarez aproximou-se do buraco e explicou:

— Eu não proibi vocês porque havia alguma coisa escondida aqui. Do outro lado desta cerca passa uma estrada. Eu estava protegendo vocês.

Os dois abaixaram as orelhas.

Talvez tenha sido naquele dia que os cães aprenderam algo que os humanos também demorariam muito para entender: nem todo limite existe para nos impedir de viver. Alguns existem justamente para preservar a vida.

E dizem que foi assim que os cachorros herdaram de Nino e Lola duas características que carregam até hoje: quando fazem alguma coisa errada, sabem perfeitamente que fizeram...

E, mesmo tendo casa, comida, carinho e uma caminha confortável, basta alguém deixar o portão aberto para quererem descobrir o que existe do outro lado.



quarta-feira, 26 de agosto de 2026

“NÃO TENHO TEMPO PARA LER...”


 📱📚 CHARGE #009 | “NÃO TENHO TEMPO PARA LER...”

Quantas vezes a gente já ouviu — ou falou — essa frase?

— Eu até queria ler, mas não tenho tempo...

Aí o Mitá fez uma pergunta simples:

📱 “Quanto tempo de celular hoje?”

😳 6 horas e 47 minutos!

E o Teko matou a charada:

😂 “Acho que o tempo estava escondido no celular...”

A verdade é que, muitas vezes, não precisamos encontrar mais tempo. Precisamos apenas perceber onde estamos colocando o tempo que já temos.

Não é preciso abandonar o celular nem começar lendo um livro inteiro por dia. Que tal trocar 20 minutinhos de tela por 20 minutos de leitura?

Em uma semana, são mais de duas horas de histórias, conhecimento e descobertas. 🌱📖

Como diria o Mitá:

“Às vezes não falta tempo. Falta escolher onde colocá-lo.”

📚 LER TRANSFORMA!
Menos tempo de tela. Mais tempo de história.

E aí, coragem para conferir seu tempo de tela hoje? 😂👇

#MitáArandu #ChargeDoMitá #Charge009 #Leitura #LeiaMais #TempoDeTela #MenosTelaMaisLeitura #Livros #Educação #Literatura #PensamentoCrítico #Teko #FozDoIguaçu

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Feira do livro

 Eu não lembro exatamente quantos anos tinha.

Também não lembro o nome de todos os livros que vi, nem consigo dizer quem eram os escritores que estavam lá. Criança guarda as coisas de outro jeito. Às vezes esquece os nomes, mas não esquece os cheiros, as cores e aquilo que sentiu.

Da Feira do Livro de Foz do Iguaçu eu lembro assim.

Lembro de chegar e achar que havia livros demais no mundo.

Livros grandes, pequenos, fininhos, enormes. Livros com monstros, princesas, animais que falavam, crianças aventureiras e lugares que eu nem sabia que existiam. Alguns estavam tão bonitos nas prateleiras que dava vontade de levar para casa mesmo sem saber do que tratavam.

Eu queria tocar em todos.

Minha mãe dizia:

— Escolha um.

Mas escolher um livro no meio de tantos era uma tarefa quase impossível.

Eu pegava um, depois encontrava outro mais interessante. Colocava o primeiro no lugar, caminhava mais um pouco e descobria um terceiro.

Foi quando entendi que livro tinha um problema: a gente nunca quer apenas um.

Havia muita gente andando. Crianças sentadas ouvindo histórias, professores chamando seus alunos, pais carregando sacolas, escritores conversando com leitores. Em algum lugar alguém contava uma história e, mesmo com todo aquele movimento, algumas crianças permaneciam quietinhas, olhando para o contador como se o restante da feira tivesse desaparecido.

Eu fui uma delas.

Não lembro qual história ele contou.

Isso é engraçado.

Esqueci a história, mas nunca esqueci a sensação de ouvi-la.

Durante alguns minutos, Foz do Iguaçu deixou de ser Foz. Eu não estava mais numa feira. Estava em algum lugar muito distante, desses onde só conseguimos chegar quando alguém abre um livro.

Depois continuei caminhando.

Ganhei um marcador de páginas. Peguei alguns folhetos que provavelmente minha mãe jogou fora dias depois. Folheei livros que não compramos e fiquei namorando outros que eram caros demais.

Até que finalmente escolhi o meu.

Saí segurando aquele livro com as duas mãos.

Hoje não sei onde ele está.

Talvez tenha sido emprestado e nunca devolvido. Talvez esteja dentro de alguma caixa. Talvez tenha se perdido em alguma mudança. Pode ser até que eu ainda o encontre um dia, amarelado pelo tempo, esperando silenciosamente que eu me lembre dele.

Mas uma coisa eu sei:

alguma coisa daquela Feira voltou comigo.

Durante muitos anos pensei que tivesse sido apenas um livro.

Hoje percebo que não.

Voltei carregando a descoberta de que existiam milhares de vidas além da minha, escondidas dentro de páginas.

Voltei sabendo que era possível viajar sem sair de Foz do Iguaçu.

Voltei desconfiando que as palavras poderiam fazer uma pessoa rir, chorar, pensar e até enxergar o mundo de outro jeito.

Talvez seja por isso que, quando passo perto de uma feira de livros, ainda diminuo o passo.

O adulto continua andando.

Mas aquela criança que um dia entrou na Feira do Livro de Foz do Iguaçu ainda está lá dentro.

Curiosa.

Olhando as capas.

Folheando escondido.

Tentando decidir qual livro levar.

E acreditando, como acreditava naquele dia, que atrás de cada capa existe um mundo esperando alguém abrir a primeira página.

AMORA

 Amora

O nome dela era Amora. Sua risada lembrava o doce das amoras maduras. Amora morava em uma casa cheia de crianças, cores e brinquedos compartilhados.

 Amora gostava de desenhar corações.

 Desenhava corações vermelhos, azuis, verdes, dourados.

 Dizia que cada coração tinha um sonho diferente.

 Mas o coração que ela mais desenhava era o “coração que escolhe”, um coração grande, brilhante, que encontrava outro coração só seu.

 Um dia, enquanto Amora pintava mais um de seus corações na varanda, chegou um casal: Dona Lídia e Seu Pedro. Eles caminhavam devagar, observando cada criança com muito carinho. Amora continuou desenhando, tímida, mas com esperança piscando nos olhos.

 — Que coração bonito é esse? — perguntou Dona Lídia, encantada.

 — É o coração que escolhe — respondeu Amora. — Ele sempre encontra alguém que combina com ele.

 Dona Lídia e Seu Pedro se entreolharam.

 Seu Pedro sorriu devagar.

 — E você acha que o seu já encontrou alguém? — perguntou ele.

 Amora pensou por um instante. Depois, colocou o lápis no chão, respirou fundo e disse:

 — Eu acho quem, talvez,  hoje ele esteja escolhendo.

 Dona Lídia se ajoelhou ao lado dela.

 — Sabia que o nosso coração também estava procurando alguém? — disse, com a voz macia. — Procurando alguém exatamente como você.

 O coração de Amora pulou dentro do peito. Era como se todas as amoras doces do mundo tivessem estourado de alegria ali dentro.

 Naquele dia, Amora empacotou seus desenhos, deixando apenas um na parede.

 Uma das crianças pergunta:

 — Você esqueceu esse?

 Ela responde:

 — Não. Esse fica para a próxima criança que chegar.

Por fim abraçou todos os amigos e saiu segurando a mão de sua nova família. Na porta, ela olhou para trás e viu o sol brilhando diferente, como se estivesse sorrindo para ela.

Na nova casa, Amora ganhou um quarto todo decorado com seus desenhos de coração. E, no centro da parede principal, ela colocou o maior de todos: o coração que escolhe.

 — Por que esse aqui fica no meio? — perguntou Seu Pedro.

 Amora sorriu.

 — Porque foi ele que nos encontrou.

 E, desde então, sempre que alguém perguntava a história dela, Amora dizia com orgulho:

 — Eu sou a menina que foi escolhida pelo coração.

 E sua risada doce continuava enchendo a casa de alegria, igualzinha ao sabor das amoras maduras no pé.

 

ILKA AGRIPINA VERA: A PROFESSORA QUE AJUDOU A ESCREVER A HISTÓRIA DE FOZ DO IGUAÇU

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