Em maio, duas datas carregadas de significado histórico e afetivo se encontram no coração da comunidade paraguaia: o Dia da Independência do Paraguai, celebrado em 14 e 15 de maio, e o Dia das Mães. Em Foz do Iguaçu, cidade marcada pela convivência entre povos e culturas da tríplice fronteira, essas celebrações ganharam mais uma vez um tom especial com a realização da tradicional Festa do Povo Paraguaio.
segunda-feira, 18 de maio de 2026
sexta-feira, 15 de maio de 2026
O Homem Que Nunca Conseguia Ficar
Havia um homem que sempre trocava de lugar.
Mudava de casa.
Mudava de cidade.
Mudava os móveis.
Mudava os planos.
Mudava até os sonhos.
Achava que o problema era o bairro.
Depois, acreditou que era o salário.
Mais tarde, pensou que era a falta de tempo.
Então culpou o governo, o calor, o trânsito, os vizinhos, a idade.
Comprou coisas que queria muito.
Esperou dias ansiosamente por entregas.
Sonhou com carros.
Com viagens.
Com uma casa silenciosa.
Com um sofá confortável.
Com um quarto escuro e frio o suficiente para dormir sem preocupações.
E por alguns instantes funcionava.
Funcionava quando a chave do carro novo girava.
Funcionava quando o cheiro de tinta fresca tomava conta da casa.
Funcionava quando alguém dizia:
“Agora sua vida vai pra frente.”
Mas havia um problema:
A felicidade sempre chegava com prazo de validade.
Era como segurar água nas mãos.
Quanto mais apertava, mais ela escapava.
Com o tempo, percebeu algo estranho:
Não importava onde estivesse, existia sempre uma sensação de não pertencimento.
Como se sua alma estivesse esperando alguma coisa que o mundo não sabia entregar.
Foi então que começou a notar detalhes pequenos.
Os idosos olhando fotografias antigas em silêncio.
Os cemitérios crescendo.
As rugas surgindo devagar no rosto das pessoas.
Os hospitais lotados.
Os remédios sobre as mesas.
Os “adeus” que ninguém estava preparado para dizer.
Descobriu que o mundo inteiro sofria da mesma saudade.
Uma saudade de algo que muitos nunca tinham visto.
Então lembrou de Abraão.
A Bíblia dizia que ele morava em tendas porque aguardava uma cidade cujo construtor era Deus.
Achou aquilo bonito.
Depois lembrou de José do Egito, que viveu no palácio mais poderoso da Terra, mas pediu que seus ossos não permanecessem no Egito.
Até os grandes homens da Bíblia pareciam carregar a sensação de que estavam apenas de passagem.
Naquela noite, sentado sozinho, o homem percebeu algo assustador e ao mesmo tempo consolador:
Talvez ninguém consiga realmente “ficar” neste mundo.
Talvez a alma humana tenha sido feita para outro lugar.
E então entendeu por que nada satisfaz completamente.
Nem dinheiro.
Nem beleza.
Nem fama.
Nem prazer.
Nem conquistas.
Porque existem vazios que não são daqui.
O mundo oferece distrações.
O Céu oferece lar.
Naquela madrugada, pela primeira vez em muitos anos, ele olhou para cima.
Não para procurar estrelas.
Mas para procurar esperança.
E enquanto a cidade fazia barulho do lado de fora, uma paz silenciosa começou a nascer dentro dele.
Como se Deus sussurrasse:
“Você sente falta de casa porque foi criado para a eternidade.”
Produzido com IA.
terça-feira, 28 de abril de 2026
: - )
Dois amigos se encontram, como quem não quer nada, e de repente o passado encosta na mesa.
— Lembra do tijolão que comprei quando ainda éramos bem jovens? — diz um, com um meio sorriso, como quem revive um troféu antigo.
— Fazia sucesso — responde o outro, sem hesitar. — Imagina, quando tocava aquele “bip” na minha cintura, eu me sentia muito importante, E olha que muita gente nem entendia o que estava acontecendo.
E os dois riem.
Porque era estranho mesmo. Um toque de telefone ecoando numa festa, num café, num bar, chamava atenção como se fosse um anúncio público da própria existência. E aqueles ringtones? Cada um mais chamativo que o outro. Era quase uma assinatura sonora da pessoa.
— Mas o melhor — continua um deles — era a encenação.
— Nossa!!! — o outro já antecipa, rindo.
— Tocava, a gente saía de onde estava, ia pra um canto qualquer e começava a gesticular. Como se o corpo pudesse traduzir uma conversa que ninguém estava ouvindo.
— Lembrei-me também do nosso amigo que estava sempre acompanhando a moda e apareceu com o tijolão na cintura, todos riram dele, pois o irmão é que era médico e ele com aquele aparelho do lado parecia ser o plantonista.
Os dois ficam alguns segundos em silêncio, como se enxergassem aquelas cenas acontecendo diante deles.
— Era bem estranho mesmo — conclui um, ainda rindo. — Mas sabe o que quase me fez jogar aquele tijolão fora?
— A conta?
— A conta. — agora os dois riem juntos — Cobravam tudo! Minuto, deslocamento, mensagem. Meu Deus, parecia um assalto.
— Bons tempos!
— Falando em mensagem, como era o nome mesmo?
— SMS.
— Isso! SMS — ele repete, saboreando a sigla — Short Message Service. Até 160 caracteres, e sem internet.
— Sem internet. — o outro balança a cabeça, como se isso hoje fosse quase inacreditável.
— E tinha um nome que a gente usava...
— Tinha mesmo! — o outro se anima — Como era?
Os dois se olham, e quase ao mesmo tempo respondem:
— Torpedo.
— Mas peraí — um deles interrompe, com aquele ar de quem não deixa a história passar batida — SMS já não é mais do tijolão.
— Verdade! — o outro se corrige na hora — Aí já estamos falando dos Nokias, aquele auge do celular raiz.
E os dois riem, como quem muda de fase dentro da própria memória.
— E os emojis? — um lança, quase como quem abre uma gaveta esquecida.
— Se lembro? — o outro já entra no jogo — Aquilo era arte!
— Meu pai já fazia isso na máquina de escrever, desenhava com as teclas, mas acho que ele nunca imaginou que a gente ia mandar “carinha” por mensagem.
— Total! — responde o amigo — Era tipo emoção em código.
E aí os dois começam a puxar da memória, como quem coleciona pequenas relíquias:
— Clássicos. Vamos ver se ainda lembramos.
E quase como um ritual, eles vão dizendo em voz alta:
— :) ou :-) — sorriso, feliz
— :( ou :-( — triste
— ;) ou ;-) — piscadinha
— :-P ou :p — língua pra fora, zoeira pura
— :-D — gargalhada
— :-O ou :-o — surpresa
— >:( — bravo
— :'( — chorando
— <3 — coração, esse aqui era especial
— :-* — beijo
Eles param. Sorriem.
— Engraçado. — diz um, pensativo — a gente tinha menos recurso, mas talvez colocasse mais intenção.
— É! — o outro concorda — hoje tem emoji pra tudo, mas naquela época, cada símbolo parecia que carregava um pouco da gente.
Silêncio de novo. Mas agora com um certo gosto de saudade boa.
— E pensar que tudo isso cabia em 160 caracteres.
— E ainda tinha que escolher bem, porque cada mensagem custava.
Os dois riem mais uma vez.
Porque, no fundo, não era só tecnologia.
Era jeito de sentir.
segunda-feira, 27 de abril de 2026
O dia em que parar não assusta mais
Dia de greve.
Os ônibus estão parados. Os motoristas de aplicativos também.
Curioso, depois daquele “dia em que a Terra parou”, lá no auge da pandemia de COVID-19, parece que nada mais assusta tanto assim. A gente já viu o mundo desacelerar de um jeito tão absurdo que, agora, o caos cotidiano quase soa comum.
Mas não deixa de incomodar.
Porque, no fundo, a pergunta fica martelando: se o transporte coletivo é uma concessão pública, se a mobilidade urbana é um bem comum, então quem está falhando? Quem está negligenciando?
É, talvez pense demais.
Porque começo falando de greve e, quando vejo, já estou discutindo etimologia.
A palavra “greve” vem do francês grève, que originalmente significava uma faixa de areia à beira de um rio ou mar. Um espaço meio neutro, meio de ninguém. Há quem diga que era ali que trabalhadores se reuniam para protestar, justamente por não ser um território “formal”.
Outra versão, talvez a mais conhecida, aponta para a Place de Grève, em Paris, às margens do Rio Sena. Um lugar onde, durante séculos, trabalhadores se encontravam, primeiro para procurar emprego, depois para reivindicar direitos.
Não há um ano exato que marque o nascimento da greve como conhecemos hoje. Mas sabe-se que, no século XVIII, esses encontros começaram a ganhar um tom mais reivindicatório. Com a Revolução Francesa, o espaço virou símbolo. E, no século XIX, o termo faire grève já carregava o sentido que conhecemos: parar de trabalhar como forma de pressão.
Ou seja, essa história de parar para ser ouvido, não é de hoje.
E aí vem a pergunta que ecoa:
Por que as pessoas sempre precisam se reunir para exigir melhores condições?
Por que quem emprega não percebe isso antes?
Fico com a sensação de que existe um desencontro quase permanente: quem paga acredita que está pagando muito; quem recebe sente que recebe pouco. E os dois lados seguem, cada um convicto da sua própria razão.
Será que é da natureza humana essa dificuldade de perceber o outro?
Ou será que, no fundo, ninguém acha que precisa se preocupar mesmo?
Afinal, como diz o velho ditado:
“manda quem pode, obedece quem tem juízo.”
Uma frase que, no fundo, não é só sobre autoridade. É sobre conformismo. Sobre sobrevivência. Sobre saber que, às vezes, questionar custa caro.
E assim a roda gira.
“O que o chefe manda, se faz.”
“É melhor calar e obedecer.”
“Acatar a ordem superior.”
Mas até quando?
Porque, olhando para um dia como hoje, cidade travada, gente parada, rotina interrompida, talvez a gente precise encarar uma verdade desconfortável:
Se chegou ao ponto de parar tudo é porque, em algum momento, ninguém quis escutar quando ainda dava para ajustar.
No fim das contas, a greve não começa no dia em que o trabalho para.
Ela começa bem antes, no dia em que alguém percebe que está sendo ignorado e decide que, sozinho, já não dá mais.
Manda quem pode, obedece...
Ele se chamava Jonas.
Jonas acordava todos os dias às 5h17 — nem 5h15, nem 5h20. 5h17. Era o tempo exato que ele calculava para não se atrasar, não chamar atenção, não criar problema. Vestia o uniforme ainda meio amarrotado, tomava um café ralo e saía em silêncio, como se até o barulho pudesse ser interpretado como insubordinação.
No trabalho, Jonas era conhecido como “tranquilo”. Nunca reclamava. Nunca questionava. Nunca dizia “não”.
Se pediam hora extra, ele fazia.
Se mudavam o turno, ele aceitava.
Se atrasavam o pagamento, ele respirava fundo e seguia.
— “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”, dizia ele, meio rindo, meio sério.
Mas Jonas não era burro. Pelo contrário. Ele via tudo.
Via o colega adoecendo de cansaço.
Via a funcionária chorando no banheiro.
Via o chefe dizendo “é o que dá pra pagar”, enquanto trocava de carro no estacionamento.
E, ainda assim, Jonas se calava.
Porque Jonas tinha medo.
Medo de perder o emprego.
Medo de “arrumar problema”.
Medo de ser aquele que “fala demais”.
Até que veio o dia.
O dia em que não tinha ônibus.
O dia em que não tinha aplicativo.
O dia em que a cidade parecia travada e, pela primeira vez, Jonas também travou.
Ele ficou parado na calçada, olhando outras pessoas como ele: cansadas, atrasadas, irritadas… mas, curiosamente, juntas.
Alguém falou alto:
— “Se a gente não parar, nada muda.”
Jonas ouviu.
Outro respondeu:
— “Mas parar dá problema.”
E um terceiro retrucou:
— “Continuar também tá dando.”
Aquilo ficou ecoando na cabeça dele.
Continuar também tá dando.
Naquele dia, Jonas chegou atrasado. Pela primeira vez em anos.
O chefe veio com o discurso pronto:
— “Aqui não é bagunça, Jonas. Tem regra.”
E pela primeira vez Jonas respondeu.
Calmo. Sem gritar. Sem desrespeitar.
— “Tem regra pra gente, mas não tem pra tudo, né?”
O silêncio que veio depois foi diferente de todos os outros silêncios que Jonas já tinha vivido.
Não era o silêncio do medo.
Era o silêncio do incômodo.
Na semana seguinte, Jonas não estava sozinho.
Outros começaram a falar também.
Não gritando. Não quebrando nada.
Mas deixando de aceitar tudo.
Jonas continuava trabalhando. Continuava responsável.
Mas já não era obediente por reflexo — era consciente por escolha.
E ele entendeu uma coisa simples, mas poderosa:
Obedecer pode evitar problemas imediatos…
Mas questionar, às vezes, é o único jeito de resolver os problemas que nunca acabam.
E naquele dia, enquanto voltava pra casa — ainda sem ônibus, mas com algo diferente no peito — Jonas percebeu:
O mundo não muda quando um manda e o outro obedece.
O mundo começa a mudar quando quem sempre obedeceu, finalmente entende que também pode falar.
Texto elaborado com auxilio de IA.
sexta-feira, 24 de abril de 2026
Educar filhos emocionalmente saudáveis: que filhos você vai deixar para o mundo? - Escola de Pais | 1ª Edição 2026
Educar filhos emocionalmente saudáveis: que filhos você vai deixar para o mundo?
Escola de Pais | 1ª Edição 2026
Na noite de ontem, 23 de abril de 2026, a professora Marilu Grassi Fulgencio realizou a primeira edição de 2026 do projeto “Escola de Pais”, iniciativa que já desenvolve há muitos anos.
O projeto teve início no Colégio Cívico-Militar Costa e Silva, onde a professora atuou até 2024. Atualmente, na direção do Colégio Cívico-Militar Carlos Drummond de Andrade, Marilu trouxe a proposta para dar continuidade ao trabalho, fortalecendo a parceria entre escola e família.
Neste primeiro encontro, a diretora e mestre Marilu Grassi Fulgencio iniciou apresentando a proposta, a dinâmica e o histórico do projeto, considerando que muitos dos presentes participavam pela primeira vez. Em seguida, introduziu o tema da noite:
“Educar filhos emocionalmente saudáveis: que filhos você vai deixar para o mundo?”
- Refletir sobre a formação emocional dos filhos;
- Apresentar estratégias práticas de disciplina e orientação;
- Fortalecer vínculos, limites e valores familiares.
Entre os pontos abordados, a professora enfatizou a importância do exemplo na educação:
“Ensine pelo exemplo.”
Ela destacou que o caráter é moldado desde a infância e que educar filhos exige planejamento, intenção e estratégia. Também abordou a importância de desenvolver a resiliência, ensinando que frustrações e pequenos fracassos fazem parte do aprendizado e contribuem para a formação de indivíduos emocionalmente fortes.
Outro tema relevante foi o papel dos pais como referência direta para os filhos. Nesse contexto, reforçou a necessidade de consciência sobre atitudes e comportamentos no dia a dia.
Durante o encontro, houve intensa participação dos pais, que contribuíram com opiniões, relatos e experiências pessoais. Os professores Lorenzo, Izadora, Ivonete e a pedagoga Maria do Belém estiveram presentes, enriquecendo ainda mais o debate.
Foram discutidos aspectos importantes da rotina familiar, como:
- Estabelecimento de horários e responsabilidades;
- Participação dos filhos nas tarefas domésticas;
- Construção de limites e valores;
- A compreensão de que ser pai ou mãe vai além de um papel mecânico.
Ao final, a professora apresentou um slide com perguntas reflexivas para os pais:
- Você sabe identificar o que seu filho sente?
- Seu filho consegue se adaptar a mudanças?
- Seu filho tem amigos?
- Seu filho é persistente?
- Como está a autoestima do seu filho?
Encerrando o encontro, os participantes puderam desfrutar de um momento de confraternização, com um café preparado com muito carinho pelas merendeiras da escola, incluindo sucos, bolos, sanduíches, pipoca e frutas.
O evento reforçou a importância da parceria entre família e escola na formação de cidadãos mais conscientes, responsáveis e emocionalmente preparados para o mundo.
quinta-feira, 23 de abril de 2026
ENCCEJA 2026
segunda-feira, 13 de abril de 2026
O silêncio que transforma
sexta-feira, 10 de abril de 2026
CARTÃO VERMELHO
quarta-feira, 8 de abril de 2026
Olhouvê
O olho vê;
o ouvido ouve.
O olhouvido olhouvê:
a palavra antes do som;
o som antes da forma.
Ver é escutar a imagem.
Ouvir é tocar o som,
Em instantes tudo acontece junto,
o mundo não separa.
Quem ouve sente;
quem vê sente;
é o corpo inteiro que olha.












.jpeg)






