quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Nino e Lola


No início eram apenas dois cães, Nino e Lola. Juarez ia todos os dias visitar o canil. Quando chegava, era uma festa: rabos abanando, pulos e lambidas.

No meio do quintal havia uma grande árvore. Juarez fez apenas uma recomendação:

— Podem brincar onde quiserem, mas não cavem debaixo daquela árvore.

Nino e Lola nunca tinham pensado em cavar ali. Mas, depois da proibição, começaram a olhar para aquele lugar com curiosidade.

Até que apareceu uma gatinha.

— Por que vocês não podem cavar aí?

— Juarez não deixou — respondeu Lola.

— Talvez ele tenha enterrado um osso...

Lola olhou para Nino. Nino olhou para Lola.

Um osso?

Lola deu a primeira patada. Nino,  a segunda. Em poucos minutos, havia terra para todos os lados.

Então ouviram os passos de Juarez.

Pela primeira vez, em vez de correrem para recebê-lo, esconderam-se.

— Nino, onde você está?

NIno apareceu com a cabeça baixa e o focinho sujo de terra.

— Foi a Lola!

— Ah, claro! — reclamou ela. — E quem ajudou a cavar?

Juarez aproximou-se do buraco e explicou:

— Eu não proibi vocês porque havia alguma coisa escondida aqui. Do outro lado desta cerca passa uma estrada. Eu estava protegendo vocês.

Os dois abaixaram as orelhas.

Talvez tenha sido naquele dia que os cães aprenderam algo que os humanos também demorariam muito para entender: nem todo limite existe para nos impedir de viver. Alguns existem justamente para preservar a vida.

E dizem que foi assim que os cachorros herdaram de Nino e Lola duas características que carregam até hoje: quando fazem alguma coisa errada, sabem perfeitamente que fizeram...

E, mesmo tendo casa, comida, carinho e uma caminha confortável, basta alguém deixar o portão aberto para quererem descobrir o que existe do outro lado.


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

“NÃO TENHO TEMPO PARA LER...”


 📱📚 CHARGE #009 | “NÃO TENHO TEMPO PARA LER...”

Quantas vezes a gente já ouviu — ou falou — essa frase?

— Eu até queria ler, mas não tenho tempo...

Aí o Mitá fez uma pergunta simples:

📱 “Quanto tempo de celular hoje?”

😳 6 horas e 47 minutos!

E o Teko matou a charada:

😂 “Acho que o tempo estava escondido no celular...”

A verdade é que, muitas vezes, não precisamos encontrar mais tempo. Precisamos apenas perceber onde estamos colocando o tempo que já temos.

Não é preciso abandonar o celular nem começar lendo um livro inteiro por dia. Que tal trocar 20 minutinhos de tela por 20 minutos de leitura?

Em uma semana, são mais de duas horas de histórias, conhecimento e descobertas. 🌱📖

Como diria o Mitá:

“Às vezes não falta tempo. Falta escolher onde colocá-lo.”

📚 LER TRANSFORMA!
Menos tempo de tela. Mais tempo de história.

E aí, coragem para conferir seu tempo de tela hoje? 😂👇

#MitáArandu #ChargeDoMitá #Charge009 #Leitura #LeiaMais #TempoDeTela #MenosTelaMaisLeitura #Livros #Educação #Literatura #PensamentoCrítico #Teko #FozDoIguaçu

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Feira do livro

 Eu não lembro exatamente quantos anos tinha.

Também não lembro o nome de todos os livros que vi, nem consigo dizer quem eram os escritores que estavam lá. Criança guarda as coisas de outro jeito. Às vezes esquece os nomes, mas não esquece os cheiros, as cores e aquilo que sentiu.

Da Feira do Livro de Foz do Iguaçu eu lembro assim.

Lembro de chegar e achar que havia livros demais no mundo.

Livros grandes, pequenos, fininhos, enormes. Livros com monstros, princesas, animais que falavam, crianças aventureiras e lugares que eu nem sabia que existiam. Alguns estavam tão bonitos nas prateleiras que dava vontade de levar para casa mesmo sem saber do que tratavam.

Eu queria tocar em todos.

Minha mãe dizia:

— Escolha um.

Mas escolher um livro no meio de tantos era uma tarefa quase impossível.

Eu pegava um, depois encontrava outro mais interessante. Colocava o primeiro no lugar, caminhava mais um pouco e descobria um terceiro.

Foi quando entendi que livro tinha um problema: a gente nunca quer apenas um.

Havia muita gente andando. Crianças sentadas ouvindo histórias, professores chamando seus alunos, pais carregando sacolas, escritores conversando com leitores. Em algum lugar alguém contava uma história e, mesmo com todo aquele movimento, algumas crianças permaneciam quietinhas, olhando para o contador como se o restante da feira tivesse desaparecido.

Eu fui uma delas.

Não lembro qual história ele contou.

Isso é engraçado.

Esqueci a história, mas nunca esqueci a sensação de ouvi-la.

Durante alguns minutos, Foz do Iguaçu deixou de ser Foz. Eu não estava mais numa feira. Estava em algum lugar muito distante, desses onde só conseguimos chegar quando alguém abre um livro.

Depois continuei caminhando.

Ganhei um marcador de páginas. Peguei alguns folhetos que provavelmente minha mãe jogou fora dias depois. Folheei livros que não compramos e fiquei namorando outros que eram caros demais.

Até que finalmente escolhi o meu.

Saí segurando aquele livro com as duas mãos.

Hoje não sei onde ele está.

Talvez tenha sido emprestado e nunca devolvido. Talvez esteja dentro de alguma caixa. Talvez tenha se perdido em alguma mudança. Pode ser até que eu ainda o encontre um dia, amarelado pelo tempo, esperando silenciosamente que eu me lembre dele.

Mas uma coisa eu sei:

alguma coisa daquela Feira voltou comigo.

Durante muitos anos pensei que tivesse sido apenas um livro.

Hoje percebo que não.

Voltei carregando a descoberta de que existiam milhares de vidas além da minha, escondidas dentro de páginas.

Voltei sabendo que era possível viajar sem sair de Foz do Iguaçu.

Voltei desconfiando que as palavras poderiam fazer uma pessoa rir, chorar, pensar e até enxergar o mundo de outro jeito.

Talvez seja por isso que, quando passo perto de uma feira de livros, ainda diminuo o passo.

O adulto continua andando.

Mas aquela criança que um dia entrou na Feira do Livro de Foz do Iguaçu ainda está lá dentro.

Curiosa.

Olhando as capas.

Folheando escondido.

Tentando decidir qual livro levar.

E acreditando, como acreditava naquele dia, que atrás de cada capa existe um mundo esperando alguém abrir a primeira página.

AMORA

 Amora

O nome dela era Amora. Sua risada lembrava o doce das amoras maduras. Amora morava em uma casa cheia de crianças, cores e brinquedos compartilhados.

 Amora gostava de desenhar corações.

 Desenhava corações vermelhos, azuis, verdes, dourados.

 Dizia que cada coração tinha um sonho diferente.

 Mas o coração que ela mais desenhava era o “coração que escolhe”, um coração grande, brilhante, que encontrava outro coração só seu.

 Um dia, enquanto Amora pintava mais um de seus corações na varanda, chegou um casal: Dona Lídia e Seu Pedro. Eles caminhavam devagar, observando cada criança com muito carinho. Amora continuou desenhando, tímida, mas com esperança piscando nos olhos.

 — Que coração bonito é esse? — perguntou Dona Lídia, encantada.

 — É o coração que escolhe — respondeu Amora. — Ele sempre encontra alguém que combina com ele.

 Dona Lídia e Seu Pedro se entreolharam.

 Seu Pedro sorriu devagar.

 — E você acha que o seu já encontrou alguém? — perguntou ele.

 Amora pensou por um instante. Depois, colocou o lápis no chão, respirou fundo e disse:

 — Eu acho quem, talvez,  hoje ele esteja escolhendo.

 Dona Lídia se ajoelhou ao lado dela.

 — Sabia que o nosso coração também estava procurando alguém? — disse, com a voz macia. — Procurando alguém exatamente como você.

 O coração de Amora pulou dentro do peito. Era como se todas as amoras doces do mundo tivessem estourado de alegria ali dentro.

 Naquele dia, Amora empacotou seus desenhos, deixando apenas um na parede.

 Uma das crianças pergunta:

 — Você esqueceu esse?

 Ela responde:

 — Não. Esse fica para a próxima criança que chegar.

Por fim abraçou todos os amigos e saiu segurando a mão de sua nova família. Na porta, ela olhou para trás e viu o sol brilhando diferente, como se estivesse sorrindo para ela.

Na nova casa, Amora ganhou um quarto todo decorado com seus desenhos de coração. E, no centro da parede principal, ela colocou o maior de todos: o coração que escolhe.

 — Por que esse aqui fica no meio? — perguntou Seu Pedro.

 Amora sorriu.

 — Porque foi ele que nos encontrou.

 E, desde então, sempre que alguém perguntava a história dela, Amora dizia com orgulho:

 — Eu sou a menina que foi escolhida pelo coração.

 E sua risada doce continuava enchendo a casa de alegria, igualzinha ao sabor das amoras maduras no pé.

 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Sou filho das selvas - Emerson Fulgencio

 Sou filho das selvas

 Uma luz é filtrada pelas folhas densas das árvores e clareia o chão úmido da mata. Uma imagem que, para os japoneses, poderia ser interpretada como um komorebi perfeito.

Agora é possível ouvir passos que se aproximam. São inúmeros e parecem estar ritmados ao som de uma fanfarra. Mais próximos. Mais próximos. O som aumenta como se alguém mexesse no botão de volume de um rádio. O que cantam parece ser algo tão puro, valente e encantador:

"Meu canto de morte,
Guerreiro, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi."

Que momento glorioso! Ali estava eu, simples espectador de um dos desfiles mais encantadores que já presenciei, um deslumbre inesquecível.

Os indígenas passam, em uma cadência perfeita, ali, na minha frente. Parecem não se importar com a minha presença. Estico o braço e toco em um deles. Ele não se mexe. Continua caminhando. Cantam juntos, olhando para o horizonte, como se seguissem um destino conhecido apenas por eles.

Então, de repente, tudo começa a desaparecer. Primeiro os sons. Depois as cores. Por fim, as figuras.

Abro os olhos.

— Guilherme! Você está dormindo? — pergunta meu pai, sorrindo.

Olho ao redor. Estou no banco de trás do carro. Meu pai dirige pela estrada enquanto meu irmão observa a paisagem pela janela.

— Já estamos chegando? — pergunto, ainda confuso.

— Estamos quase nas Cataratas — responde meu pai.

Sento-me direito. O coração ainda bate acelerado por causa do sonho. Em poucos dias seria a apresentação do Dia do Índio na escola e eu precisava decorar o poema I-Juca Pirama. Talvez por isso aqueles versos não saíssem da minha cabeça.

Quando chegamos, o rugido das águas tomou conta de tudo. Era um som poderoso, impossível de ignorar. Caminhamos pelas trilhas cercadas pela mata e, a cada curva, eu me sentia mais impressionado.

Foi então que encontramos um guia.

Ele era um senhor de fala tranquila e olhos atentos, daqueles que parecem guardar muitas histórias.

— Vocês conhecem a lenda das Cataratas? — perguntou.

Balancei a cabeça negativamente.

— Então vou contar.

Sentamos próximos ao mirante. Atrás dele, a névoa das quedas-d'água subia como fumaça branca em direção ao céu.

— Há muito tempo — começou o guia — vivia nesta região uma bela jovem indígena chamada Naipi. Sua beleza era conhecida por todas as tribos. Segundo a tradição, ela havia sido prometida ao deus-serpente M'Boy. Naipi se apaixonou por um jovem guerreiro chamado Tarobá. E Tarobá também a amava. Os dois decidiram fugir juntos pelo rio. Porém, M'Boy descobriu a fuga e ficou furioso. Com sua enorme força, cortou a terra, abriu uma gigantesca fenda e fez as águas despencarem em uma queda colossal. Assim nasceram as Cataratas. Diz a lenda que Tarobá foi transformado em uma árvore às margens das quedas. Naipi tornou-se uma rocha no meio das águas. E M'Boy permanece ali, guardando para sempre seu reino.

Por alguns instantes, fiquei em silêncio. Observei a floresta. O vento. A névoa. O som das águas. Apertei os olhos com as duas mãos. Será que estou sonhando novamente? Olhei para o lado. Ali estava meu pai em pé, segurando a mão do meu irmão. Agora era real. Estava verdadeiramente nas Cataratas do Iguaçu e alguém havia contado uma história. Para testar se era real, resolvi fazer uma pergunta:

— Estamos em solo indígena?

O guia, mais que depressa, respondeu que sim com a cabeça e, olhando bem nos meus olhos, disse:

— A América toda é solo indígena. Foz do Iguaçu é apenas um dos palcos onde contamos histórias que jamais devem ser esquecidas.

Nessa hora, parecia que o guia havia se esquecido de todos os outros que ali estavam e, em uma conversa unicamente comigo, decidira contar mais sobre tudo o que sabia.

— Para você ter uma ideia, pequeno garoto, estamos em uma região trinacional em que os três países preservam muito da cultura dos povos originários. As Cataratas do Iguaçu não são uma das maravilhas da natureza exclusivamente brasileira; elas dividem os territórios brasileiro e argentino. As Cataratas são um exemplo claro de que Deus pode dar uma bênção que beneficia duas nações. Não se esqueça disso.

Que profundo aquilo que ele havia acabado de falar. Mas isso me fez concluir que, se as duas nações não entendessem isso, poderiam se tornar inimigas. O guia queria me contar mais. Eu parecia querer tirar uma conclusão de cada nova história.

— Vocês já foram a Ciudad del Este? — perguntou o guia. — Passando pela Ponte da Amizade, ao olhar para o lado direito da ponte — isso para quem está indo para o Paraguai —, você observará uma ilha: a Ilha Acaray. Moradores mais antigos também a chamam de Ilha das Cobras. Um detalhe importante: essa ilha pertence ao Brasil. — risos. — Aqui temos uma história não menos importante que a Lenda das Cataratas, mas muitas pessoas não a conhecem.

A versão mais conhecida da história conta que Jupira era uma jovem indígena de extraordinária beleza que vivia na ilha. Tão bela era que despertava o interesse de todos os guerreiros da região. Para protegê-la, seus pais a mantinham na parte mais alta da ilha, longe dos visitantes. Com o passar dos anos, Jupira cresceu sem se apaixonar por ninguém e, segundo a lenda, seu espírito permanece na ilha até os dias de hoje, como uma guardiã daquele lugar. Alguns chamam essa narrativa de O Mito da Princesa Jupira e ainda dizem que o pai a isolou no topo da ilha para que nenhum dos pretendentes chegasse até ela.

— Sabe o que significa Acaray? O som "i" no final das palavras, na língua guarani, geralmente indica o diminutivo. E no início significa rio ou água.

Meu Deus! Quanta coisa estava passando pela minha cabeça. Então, Rio Iguaçu é rio de água? Preciso saber o que significa "guaçu" em tupi-guarani. Mas uma coisa eu já estava percebendo: nossa língua, nossa cultura, que mistura era essa? Agora entendi o que o professor de História disse na aula sobre a formação do povo brasileiro: somos um amálgama. Estou cada vez mais curioso para descobrir cada história, cada cantinho dessa cidade.

— Pequeno menino, Acaray significa "pequena coroa". E dizem que ela ainda está lá. Ela é a guardiã da região. — O velho sorriu. — Algumas pessoas dizem que, em certas manhãs de neblina, uma jovem pode ser vista no alto da ilha. Outros juram que é apenas o desenho das árvores contra a luz do amanhecer.

Meu pai me puxou pelo braço. Hora de ir embora. Meu irmão queria comprar uma camiseta. Meu pai comprou algumas lembranças para expor na estante de casa e mostrar para todo mundo que havia visitado as Cataratas do "rio grande" (durante o momento em que eles escolhiam seus souvenires, eu pesquisei no Google o significado de Iguaçu). Eu só queria ir para o carro e poder digerir tudo aquilo que havia acontecido durante o passeio.

No caminho de volta, o cansaço venceu novamente. Fechei os olhos e me vi outra vez na mata. A luz atravessava as folhas das árvores. Ao longe, ouvi o canto dos guerreiros. Mas, desta vez, não caminhei em direção a eles. Caminhei em direção ao rio.

Lá estava Jupira.

Envolvida pela névoa das águas, como se fosse parte da própria floresta.

— Você encontrou o que procurava? — perguntou ela.

Pensei nos guerreiros do épico de Gonçalves Dias. Na lenda de Naipi e Tarobá. Nas águas das Cataratas.

Então respondi:

— Acho que sim.

Ela sorriu.

— E o que encontrou?

Olhei para a correnteza.

— Histórias.

Ela apontou para o meu peito.

— Você encontrou pertencimento. As histórias estavam aqui antes de você nascer e continuarão aqui depois que você partir. Mas agora elas também vivem em você.

A névoa se tornou mais intensa. Os guerreiros começaram a cantar. As águas rugiram. As árvores dançaram com o vento. E tudo desapareceu.

Quando abri os olhos, estava no auditório da escola. Meu nome havia sido chamado. Caminhei até o palco segurando a folha do poema. Respirei fundo. E comecei:

"Meu canto de morte,
Guerreiro, ouvi..."

Não enxergava apenas palavras. Via os guerreiros atravessando a mata. Via Naipi e Tarobá navegando pelo rio. Via Jupira guardando a floresta. Via as Cataratas.

Enquanto existir alguém disposto a contar uma lenda, recitar um poema ou ouvir o canto da floresta, eles continuarão vivos.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Entre livros e leis: o que fazemos com aquilo que aprendemos?

Ontem, 11 de agosto, duas datas dividiram o calendário: o Dia do Estudante e o Dia do Advogado.

À primeira vista, talvez não tenham muito em comum. De um lado, cadernos, livros, provas, professores e aquela velha pergunta: “Isso vai cair na prova?”. Do outro, processos, tribunais, leis, argumentos e decisões.

Mas talvez estejam muito mais próximos do que imaginamos.

Todo advogado já foi estudante.

E, se for um bom advogado, provavelmente nunca deixou de ser.

Porque há profissões em que o diploma encerra uma etapa. No Direito — e talvez na própria vida — ele apenas muda o tipo de pergunta que fazemos.

O estudante aprende que não sabe.

Parece pouco, mas é uma descoberta extraordinária.

Quando somos jovens, temos uma estranha facilidade para acreditar que já entendemos o mundo. Depois vêm os livros, os professores, as experiências, os erros, as pessoas que pensam diferente de nós — e percebemos o tamanho daquilo que desconhecemos.

Estudar é, portanto, também um exercício de humildade.

Cada página lida deveria diminuir um pouco nossas certezas apressadas e aumentar nossa capacidade de perguntar.

Talvez seja justamente aí que o estudante encontre o advogado.

O Direito nasce da necessidade humana de organizar a convivência. Onde existem pessoas, existem interesses. Onde existem interesses, surgem conflitos. E onde existem conflitos, precisamos de princípios, regras, justiça e pessoas preparadas para defendê-los.

Mas nenhuma lei se sustenta apenas porque está escrita.

Antes da lei existe a vida.

Existe alguém que trabalha.

Alguém que perdeu.

Alguém que espera.

Alguém que foi injustiçado.

Alguém que precisa ser ouvido.

Por trás de cada processo existe uma história que não cabe completamente nas folhas de um processo.

E talvez por isso estudar seja tão importante.

Não estudamos apenas para saber mais.

Estudamos para enxergar melhor.

Para não aceitar qualquer argumento.

Para reconhecer nossos direitos e compreender nossos deveres.

Para distinguir opinião de conhecimento, grito de razão, conveniência de justiça.

Uma sociedade que deixa de estudar torna-se mais fácil de enganar.

Uma sociedade que conhece pouco seus direitos torna-se mais fácil de controlar.

Por isso, celebrar estudantes e advogados no mesmo dia acaba produzindo uma bela coincidência — ou, quem sabe, um lembrete.

Conhecimento e justiça precisam caminhar juntos.

De pouco adianta acumular conhecimento se ele não melhora nossa relação com o outro. E de pouco adianta falar em justiça se não estivermos dispostos a compreender a realidade daqueles que estão ao nosso redor.

Ontem foi o dia daqueles que estudam.

Foi também o dia daqueles que escolheram o Direito.

Hoje, passado o dia das homenagens, talvez reste a pergunta mais importante:

O que estamos fazendo com aquilo que aprendemos?

Porque livros podem ocupar estantes.

Diplomas podem ocupar paredes.

Leis podem ocupar códigos.

Mas conhecimento de verdade precisa ocupar a vida.

E, quando isso acontece, estudar deixa de ser apenas preparação para uma profissão.

Torna-se preparação para sermos pessoas melhores, cidadãos mais conscientes e seres humanos mais atentos ao mundo e às pessoas que passam diante dos nossos olhos.

Afinal, aprender é importante.

Mas aprender para servir, compreender e fazer justiça é ainda melhor.

FEITO COM IA.

sábado, 8 de agosto de 2026

Antes de ser pai, é preciso ser filho


Há uma curiosidade interessante sobre o Dia dos Pais: ele existe porque alguém, em algum momento da história, decidiu que a paternidade merecia ser lembrada. A sociedade escolheu uma data. Deus, porém, escolheu um princípio.

A Bíblia nunca apresenta a paternidade apenas como uma função biológica. Gerar um filho é um acontecimento. Tornar-se pai é um chamado.

Talvez seja por isso que ser pai assuste tanto. Não existe manual capaz de responder todas as perguntas. Não há pai que nunca tenha sentido medo de errar, culpa por uma decisão, ou dúvida sobre o caminho certo. A paternidade é uma escola onde ninguém se forma antes de começar.

Quando olhamos para as Escrituras, encontramos homens extraordinários que também foram pais imperfeitos. Abraão teve seus tropeços. Jó conheceu a dor. José precisou confiar em Deus sem entender todos os planos. Davi conquistou reinos, mas sofreu dentro da própria casa. O pai do filho pródigo experimentou a angústia da espera.

Nenhum deles foi perfeito.

Mas todos apontam para um Pai perfeito.

É exatamente aí que o evangelho muda completamente nossa compreensão sobre a família. Paulo escreve:

"Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome." (Efésios 3:14-15)

A palavra é profunda. Toda família recebe seu nome daquele que é Pai. Ou seja, Deus não aprendeu a ser Pai observando famílias humanas. Somos nós que aprendemos a paternidade observando Deus.

Isso muda tudo.

Porque um pai não ama apenas quando o filho merece. Deus nos amou primeiro.

Um pai não disciplina porque deseja punir. Deus disciplina porque ama.

Um pai não protege apenas quando é conveniente. Deus nunca abandona seus filhos.

Um pai não conduz apenas com palavras. Deus caminha conosco todos os dias.

Talvez o maior erro da nossa geração seja tentar ensinar os filhos a seguir um caminho que nós mesmos ainda não decidimos percorrer.

Filhos aprendem muito menos pelos discursos e muito mais pelas pegadas que encontram dentro de casa.

Antes de ensinar a orar, precisam ver um pai de joelhos.

Antes de aprender sobre perdão, precisam ver um pai pedindo perdão.

Antes de ouvir sobre honestidade, precisam conviver com um pai íntegro.

Antes de escutar sobre Deus, precisam enxergar em casa um reflexo do caráter de Deus.

Por isso, a maior responsabilidade de um pai talvez não seja construir patrimônio para os filhos, mas construir um testemunho diante deles.

No fim das contas, descobrimos uma verdade simples e transformadora: ninguém consegue exercer plenamente a paternidade sem antes aceitar a condição de filho.

Quanto mais nos aproximamos do Pai celestial, mais nos tornamos o pai que nossos filhos precisam.

Porque a paternidade não começa quando um filho nasce.

Ela começa quando um homem decide seguir o Pai que nunca falha.

E talvez seja essa a maior herança que um pai pode deixar: não apenas um sobrenome, mas um caminho. Um caminho que leva seus filhos até Deus.


Reflexão elabora a partir de pesquisa e escrito com o uso de IA. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

21ª Feira do Livro Internacional de Foz do Iguaçu - 2026


                                         21ª Feira do Livro Internacional de Foz do Iguaçu

A literatura tem o poder de transformar vidas, despertar a imaginação e aproximar pessoas. Entre os dias 3 e 6 de setembro, a Praça da Paz será palco da 21ª Feira do Livro Internacional de Foz do Iguaçu, um dos mais importantes eventos culturais da região.

Nesta edição, a autora homenageada será Ruth Rocha, um dos maiores nomes da literatura infantojuvenil brasileira. Com uma trajetória de mais de 50 anos dedicados aos livros, ela conquistou gerações de leitores com obras marcantes, como Marcelo, Marmelo, Martelo, incentivando o gosto pela leitura e pela criatividade.

O evento contará com uma programação especial, reunindo escritores, atividades culturais, lançamentos de livros, palestras, oficinas e atrações para crianças, jovens e adultos.

Você é nosso convidado! Venha viver essa grande celebração da literatura, conhecer novos autores, prestigiar a cultura e compartilhar momentos inesquecíveis com toda a família.

🗓 Data: 3 a 6 de setembro de 2026
📍 Local: Praça da Paz – Foz do Iguaçu

Esperamos por você! Afinal, cada livro abre um novo mundo de possibilidades. 📖✨

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Manifesto do MITÁ ARANDU


Manifesto do MITÁ ARANDU

Antes de existir um menino, existiu uma pergunta.

E toda grande pergunta nasce da curiosidade.

O Mitá Arandu é aquele menino que observa antes de falar. Que escuta antes de julgar. Que aprende antes de ensinar.

Ele não sabe tudo.

E talvez seja justamente por isso que aprenda tanto.

Enquanto muitos procuram respostas prontas, ele prefere descobrir o caminho.

Aprende com os livros, mas também com as árvores.

Aprende com a professora, mas também com a avó.

Aprende com os erros, com os acertos, com os amigos, com o silêncio, com a chuva, com o rio e com o voo dos pássaros.

Para ele, toda pessoa tem uma história.

Toda história tem um ensinamento.

E todo dia traz uma nova oportunidade de aprender.

Mitá Arandu significa "menino sabido" em tupi-guarani.

Mas ser sabido não é ser dono da verdade.

É manter viva a curiosidade.

É fazer perguntas sem medo.

É reconhecer que ninguém é pequeno demais para ensinar, nem grande demais para aprender.

Neste espaço, o humor caminha ao lado da reflexão.

As risadas dividem lugar com as perguntas.

As charges não existem para apontar culpados.

Existem para despertar olhares.

Acreditamos que a inteligência pode ser gentil.

Que a simplicidade pode ser profunda.

Que uma boa conversa vale mais do que um grito.

Que o conhecimento cresce quando é compartilhado.

E que a sabedoria começa quando entendemos que ainda há muito para descobrir.

Seja bem-vindo.

Sente-se conosco.

O Teko provavelmente vai fazer alguma bagunça.

O Mitá Arandu fará uma pergunta.

E talvez, sem perceber, você encontre uma resposta que estava procurando há muito tempo.

Porque toda criança nasce curiosa.

E toda sociedade melhora quando decide continuar aprendendo.

MITÁ ARANDU

Onde a curiosidade encontra a sabedoria.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

MITÁ ARANDU e TEKO


 

O dia em que João Virou empresa

João sempre sonhou em crescer na vida. Quando criança, queria ser astronauta. Na adolescência, pensou em ser jogador de futebol. Na fase adulta, depois de algumas derrotas e boletos, passou a sonhar apenas com um emprego estável.

Conseguiu.

Entrava às oito, saía às dezoito, tomava café na copa, reclamava do calor do escritório e participava das tradicionais conversas sobre o resultado do futebol. Era funcionário. Tinha crachá, décimo terceiro, férias e até uma mesa com uma gaveta que não fechava direito.

A vida seguia seu curso previsível até que, certo dia, foi chamado para uma reunião.


— João, temos uma excelente oportunidade para você.

João estranhou. Na experiência dele, toda frase que começava com "excelente oportunidade" terminava em mais trabalho.

— Você vai deixar de ser funcionário e se tornar uma empresa.

Ele sorriu sem entender.

— Uma empresa?

— Exatamente! Você será empreendedor. Dono do próprio negócio. Mais liberdade, mais autonomia.

João saiu da sala se perguntando como havia se transformado em uma empresa em menos de quinze minutos.

Na semana seguinte, abriu um CNPJ.

Foi um momento emocionante. Antes era apenas João da Silva. Agora era "João da Silva Serviços Especializados Ltda.". Sentiu-se quase uma multinacional.

Mas algumas coisas continuaram curiosamente iguais.

Seguia entrando às oito.

Continuava saindo às dezoito.

Recebia ordens das mesmas pessoas.

Sentava na mesma cadeira.

Tomava o mesmo café.

Reclamava do mesmo calor.

A única diferença é que agora ele era uma empresa.

Uma empresa sem sede.

Sem funcionários.

Sem departamento financeiro.

Sem conselho administrativo.

Sem patrimônio.

Mas uma empresa.

Quando alguém perguntava onde ele trabalhava, a resposta ficou complicada.

— Trabalho na Empresa X.

— Mas você não tem uma empresa?

— Tenho.

— Então você trabalha para sua empresa?

— Mais ou menos.

— E sua empresa presta serviço para a Empresa X?

— Isso.

— E quem manda em você?

— A Empresa X.

— Então você é funcionário?

— Não. Sou empresário.

Ninguém entendia muito bem. Nem João.

Com o passar do tempo, percebeu que havia adquirido um superpoder moderno: o de assumir sozinho todos os riscos do negócio sem possuir o negócio.

Se adoecesse, problema dele.

Se precisasse parar, problema dele.

Se o contrato acabasse, problema dele.

A liberdade prometida parecia funcionar principalmente para o outro lado da mesa.

Ainda assim, João observava o mundo e percebia que não estava sozinho. Havia milhares de empresas como ele caminhando pelas ruas, esperando ônibus, tomando café e participando de reuniões online. Empresas que tinham rosto, família, sonhos e contas para pagar.

Talvez o fenômeno mais curioso do nosso tempo seja justamente esse: nunca houve tantos empreendedores que não escolheram empreender.

E assim João segue sua jornada.

Todos os dias acorda, toma banho, veste a roupa de trabalho e sai para mais uma jornada empresarial.

Sua esposa pergunta:

— Vai para a empresa?

Ele responde:

— Vou.

E a frase está correta dos dois jeitos possíveis.


TEXTO ELABORADO INTEGRALMENTE POR IA. Foi atribuido apenas um prompt. 

Nino e Lola

No início eram apenas dois cães, Nino e Lola. Juarez ia todos os dias visitar o canil. Quando chegava, era uma festa: rabos abanando, pulos ...