sexta-feira, 10 de abril de 2026
CARTÃO VERMELHO
Acho que deveria existir multa para pessoas em relação ao estado de cuidado e conservação. Pensa comigo: se o pneu do carro estiver careca… você já entendeu, né? Precisa trocar imediatamente, porque corre o risco de levar multa — e, de quebra, sofrer um acidente.
Agora, olha que curioso: as pessoas usam tênis furado, calças rasgadas, camisetas já sem forma e, como dizem meus alunos, “nem dá nada”.
Se você deixa o terreno sem roçar, multa.
Se não segue o padrão da calçada, multa.
Mas, se sai com o cabelo despenteado,ou sem cabelo nenhum. o máximo que acontece é uma risadinha escondida de alguém.
Pensou?
Brincadeiras à parte, o ser humano tem dado tanto valor às coisas e, em boa parte das vezes, não valoriza a si próprio. Falta consciência sobre si mesmo. É essa consciência que faz a pessoa perceber quando está exagerando, negligenciando ou precisando mudar. Sem isso, mesmo sabendo o que é certo, a gente simplesmente não pratica.
Gosto de pensar a vida de forma prática: fugiu à regra, cartão amarelo; insistiu no erro, cartão vermelho.
Fico imaginando um juiz invisível levantando placas ao longo do nosso dia:
Não escovou os dentes antes de dormir? Cartão vermelho.
Pegou o celular de novo, sem necessidade? Cartão vermelho.
Prometeu que ia cuidar de si e não cuidou? Vermelho direto.
Seria engraçado… se não fosse tão real.
Se analisarmos bem, a vida da maioria segue um padrão curioso: as mudanças de hábito só aparecem quando uma patologia resolve apitar o jogo. Dia desses, meu cardiologista soltou uma frase que não sai da cabeça: “todos iremos morrer, mas é bem melhor morrer com saúde”.
Parece estranho. Quase um paradoxo. Mas faz todo sentido.
O problema é que, na prática, não funciona assim. As grandes mudanças na alimentação, por exemplo, costumam começar só depois de um exame de colesterol alterado. O exercício físico vira prioridade depois do susto. O cuidado só chega quando o corpo já está gritando.
E olha que o corpo foi feito para se mover. Exercício não é só estética: regula hormônios, reduz ansiedade, melhora a longevidade. A saúde mental e emocional também não é detalhe — é base. Saber lidar com o estresse, com as frustrações, com as relações… consigo mesmo.
No fim das contas, talvez o que esteja faltando não seja mais informação, nem mais regra, nem mais lei.
Talvez esteja faltando um pouco de fiscalização interna.
Porque, se dependesse de multa, tem muita gente andando por aí já com a saúde apreendida e nem percebeu ainda que deverá ir direto para a reciclabem.
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