segunda-feira, 28 de abril de 2014

UNIVERSIDADE DE COIMBRA PASSA A ACEITAR ENEM PARA INGRESSO DE BRASILEIROS

Estudantes do Brasil poderão entrar na instituição portuguesa já no primeiro ano de graduação


Substituto do vestibular em boa parte das instituições públicas e privadas do País, oExame Nacional do Ensino Médio (Enem) também servirá para brasileiros que queiram entrar na Universidade de Coimbra, em Portugal. Os candidatos que usarem a prova estarão dispensados dos exames nacionais portugueses.
A instituição aceitará os resultados das provas de 2011, 2012 e 2013. As notas no exame terão pesos diferentes de acordo com a graduação pretendida, o que pode ser conferido na tabela de ponderação de resultados no site da instituição. O Ministério da Educação (MEC) ainda não confirmou a data do Enem, mas estuda aplicar o exame nos dias 8 e 9 de novembro.
Segundo o vice-reitor da Universidade de Coimbra, Joaquim Ramos de Carvalho, o Enem tem padrão elevado de qualidade e a medida deve facilitar a mobilidade de estudantes brasileiros.
– O Enem já é o exame de acesso de várias boas universidades brasileiras e avaliamos que também serviria de qualificação para nossos candidatos – afirma.
– Não faz sentido obrigar os estudantes brasileiros que já fizeram o Enem a passarem por outro processo seletivo difícil – argumenta Joaquim Ramos de Carvalho.
Atualmente 2.059 alunos do Brasil estudam na instituição de Coimbra. No mês passado, o governo português publicou uma lei que permite às universidades do País criarem seus próprios sistemas de ingresso à graduação, possibilidade que não existia antes. De acordo com o MEC, não há outras universidades estrangeiras que usam o Enem como parte do processo seletivo.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

TROVADORISMO

O Trovadorismo se caracteriza como um estilo de época, o qual se manifestou na Idade Média, durante o período do feudalismo.

Cumpre dizer, antes de tudo, que o Trovadorismo se manifestou na Idade Média, período este que teve início com o fim do Império Romano (destruído no século V com a invasão dos bárbaros vindos do norte da Europa), e se estendeu até o século XV, quando se deu a época do Renascimento. Nesse sentido, o artigo ora em questão tem por finalidade abordar acerca do contexto histórico-social, cultural e artístico que tanto demarcou este importante período da arte literária.
No que diz respeito ao aspecto econômico, toda a Europa dessa época sofria com as sucessivas invasões dos povos germânicos, fato este que culminava em inúmeras guerras. Nessa conjuntura desenvolveu-se o sistema econômico denominado de feudalismo, no qual o direito de governar se concentrava somente nas mãos do senhor feudal, o qual mantinha plenos poderes sobre todos os seus servos e vassalos que trabalhavam em suas terras. Este senhor, também chamado de suserano, cedia a posse de terras a um vassalo, que se comprometia a cultivá-las, repassando, assim, parte da produção ao dono do feudo. Em troca dessa fidelidade e trabalho, os servos contavam com a proteção militar e judicial, no caso de possíveis ataques e invasões. A essa relação subordinada dava-se o nome de vassalagem.
Quanto ao contexto cultural e artístico, podemos afirmar que toda a Idade Média foi fortemente influenciada pela Igreja, a qual detinha o poder político e econômico, mantendo-se acima até de toda a nobreza feudal. Nesse ínterim, figurava uma visão de mundo baseada tão somente no teocentrismo, cuja ideologia afirmava que Deus era o centro de todas as coisas. Assim, o homem mantinha-se totalmente crédulo e religioso, cujos posicionamentos estavam sempre à mercê da vontade divina, assim como todos os fenômenos naturais.
Na arquitetura, toda a produção artística esteve voltada para a construção de igrejas, mosteiros, abadias e catedrais, tanto na Alta Idade Média, na qual predominou o estilo romântico, quanto na Baixa Idade Média, predominando o estilo gótico. No que tange às produções literárias, todas elas eram feitas em galego-português, denominadas de cantigas.
No intuito de retratar a vida aristocrática nas cortes portuguesas, as cantigas receberam influência de um tipo de poesia originário da Provença – região sul da França, daí o nome de poesia provençal –, como também da poesia popular, ligada à música e à dança. No que tange à temática elas estavam relacionadas a determinados valores culturais e a certos tipos de comportamento difundidos pela cavalaria feudal, que até então lutava nas Cruzadas no intuito de resgatar a Terra Santa do domínio dos mouros. Percebe-se, portanto, que nas cantigas prevaleciam distintos propósitos: havia aquelas em que se manifestavam juras de amor feitas à mulher do cavaleiro, outras em que predominava o sofrimento de amor da jovem em razão de o namorado ter partido para as Cruzadas, e ainda outras, em que a intenção era descrever, de forma irônica, os costumes da sociedade portuguesa, então vigente. Assim, em virtude do aspecto que apresentavam, as cantigas se subdividiam em:
CANTIGAS LÍRICAS             DE AMOR
                                                                       DE AMIGO
CANTIGAS SATÍRICAS              DE ESCÁRNIO
                                                                                DE MALDIZER
Cantigas de amor
O sentimento oriundo da submissão entre o servo e o senhor feudal transformou-se no que chamamos de vassalagem amorosa, preconizando, assim, um amor cortês. O amante vive sempre em estado de sofrimento, também chamado de coita, visto que não é correspondido. Ainda assim dedica à mulher amada (senhor) fidelidade, respeito e submissão. Nesse cenário, a mulher é tida como um ser inatingível, à qual o cavaleiro deseja servir como vassalo. A título de ilustração, observemos, pois, um exemplo:
Cantiga da Ribeirinha
No mundo non me sei parelha,
entre me for como me vai,
Cá já moiro por vós, e - ai!
Mia senhor branca e vermelha.
Queredes que vos retraya
Quando vos eu vi em saya!
Mau dia me levantei,
Que vos enton non vi fea!
E, mia senhor, desdaqueldi, ai!
Me foi a mi mui mal,
E vós, filha de don Paai
Moniz, e bem vos semelha
Dhaver eu por vós guarvaia,
Pois eu, mia senhor, dalfaia
Nunca de vós houve nem hei
Valia dua correa
.

                                  Paio Soares de Taveirós
Vocabulário:
Nom me sei parelha: não conheço ninguém igual a mim.
Mentre: enquanto.
Ca: pois.
Branca e vermelha: a cor branca da pele, contrastando com o vermelho do rosto, rosada.
Retraya: descreva, pinte, retrate.
En saya: na intimidade; sem manto.
Que: pois.
Des: desde.
Semelha: parece.
D’haver eu por vós: que eu vos cubra.
Guarvaya: manto vermelho que geralmente é usado pela nobreza.
Alfaya: presente.
Valia d’ua correa: objeto de pequeno valor.
Cantigas de amigo
Surgidas na própria Península Ibérica, as cantigas de amigo eram inspiradas em cantigas populares, fato que as concebe como sendo mais ricas e mais variadas no que diz respeito à temática e à forma, além de serem mais antigas. Diferentemente da cantiga de amor, na qual o sentimento expresso é masculino, a cantiga de amigo é expressa em uma voz feminina, embora seja de autoria masculina, em virtude de que naquela época às mulheres não era concedido o direito de alfabetização.
Tais cantigas tinham como cenário a vida campesina ou nas aldeias, e geralmente exprimiam o sofrimento da mulher separada de seu amado (também chamado de amigo), vivendo sempre ausente em virtude de guerras ou viagens inexplicadas. O eu lírico, materializado pela voz feminina, sempre tinha um confidente com o qual compartilhava seus sentimentos, representado pela figura da mãe, amigas ou os próprios elementos da natureza, tais como pássaros, fontes, árvores ou o mar. Constatemos um exemplo:
Ai flores, ai flores do verde pinho
se sabedes novas do meu amigo,
ai deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado,
ai deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquele que mentiu do que pôs comigo,
ai deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquele que mentiu do que me há jurado
ai deus, e u é?
(...)                                                            
D. Dinis
Cantigas satíricas
De origem popular, essas cantigas retratavam uma temática originária de assuntos proferidos nas ruas, praças e feiras. Tendo como suporte o mundo boêmio e marginal dos jograis, fidalgos, bailarinas, artistas da corte, aos quais se misturavam até mesmo reis e religiosos, tinham por finalidade retratar os usos e costumes da época por meio de uma crítica mordaz. Assim, havia duas categorias: a de escárnio e a de maldizer.
Apesar de a diferença entre ambas ser sutil, as cantigas de escárnio eram aquelas em que a crítica não era feita de forma direta. Rebuscadas de uma linguagem conotativa, não indicavam o nome da pessoa satirizada. Verifiquemos:
Ai, dona fea, foste-vos queixar
que vos nunca louv[o] em meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar
em que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!...
João Garcia de Guilhade
Nas cantigas de maldizer, como bem nos retrata o nome, a crítica era feita de maneira direta, e mencionava o nome da pessoa satirizada. Assim, envolvidas por uma linguagem chula, destacavam-se palavrões, geralmente envoltos por um tom de obscenidade, fazendo referência a situações relacionadas a adultério, prostituição, imoralidade dos padres, entre outros aspectos. Vejamos, pois:
Roi queimado morreu con amor
Em seus cantares por Sancta Maria
por ua dona que gran bem queria
e por se meter por mais trovador
porque lhela non quis [o] benfazer
fez-sel en seus cantares morrer
mas ressurgiu depois ao tercer dia!...
Pero Garcia Burgalês

Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

segunda-feira, 7 de abril de 2014

"INCOMODAÇÃO' EXISTE?

'Incomodação' existe? Se não existisse, não estaria aqui
“Sinto vergonha de escrever este e-mail, mas o escreverei mesmo assim. Tenho dúvidas quanto à palavra ‘incomodação’. É uma palavra tão utilizada aqui em Florianópolis… Certo dia, conversando via chat com alguém do Nordeste, essa pessoa me informa que a palavra não existe. O choque foi grande, fiquei espantado com isso, não é possível que a palavra não exista. Consultei diversos dicionários até que me convencesse do fato. Depois de muito pesquisar e não obter grandes explicações, tive que me convencer muito a contragosto de que a palavra de fato não existe. Mas se existe incômodo, incomodar, por que não incomodação? Não deveria ser natural a sua existência? Talvez seja um problema da formação das palavras. Alguma regra que desconheço. Se puder elucidar, ficaria muito contente e mais tranquilo.” (Daniel Brisolara)
A palavra incomodação só incomoda Daniel porque, como a maior parte da humanidade, ele é vítima de um equívoco: o de acreditar que o simples fato de não constar no dicionário significa que uma palavra “não existe”. Ora, se não existisse, incomodação não seria um substantivo feminino tão falado em Florianópolis, segundo o próprio leitor – ou em Minas Gerais, segundo eu mesmo, para ficar em apenas dois testemunhos. Se não existisse, não estaria aqui, com todas as letras, provocando esta conversa.
O senso comum tende a acreditar que as palavras nascem magicamente nos dicionários e depois, decerto às custas de muito estudo da coletividade de falantes, pulam para a língua que as pessoas usam em casa, na rua, no escritório, no bar. O processo, claro, é justamente o inverso. “Trimúngulo” é uma palavra da qual se pode dizer que, esta sim, não existe, porque acabei de inventá-la. Incomodação é outra história.
O que ocorre é que estamos diante de um brasileirismo consagrado há gerações (pelo menos, posso atestar, desde o tempo de meus avós), diante do qual nossos ilustres lexicógrafos estão comendo mosca. Mas tudo bem, um dia eles acordam.
Incomodação é sinônimo de incômodo, “aquilo que incomoda”? Sim, o que provavelmente explica a necessidade de sua criação: se incômodo pode ser adjetivo e substantivo, ela elimina qualquer ambiguidade. Mas existe também uma sutil diferença de ênfase: a incomodação costuma ser mais ativa, mais persistente, mais irritante que um simples incômodo.
E quem, depois de tudo isso, ainda fizer questão de que suas palavras venham munidas de atestados cartoriais, sob pena de serem declaradas não existentes, vai gostar de saber que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, editado pela Academia Brasileira de Letras, já acordou: “incomodação” está lá.

http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/consultorio/%E2%80%98incomodacao%E2%80%99-existe-se-nao-existisse-nao-estaria-aqui/

sexta-feira, 28 de março de 2014

ENEM 2014

Enem 2014: inscrições

Em 2013 as inscrições para o Enem foram realizadas entre os dias 13 e 27 de maio. Acredita-se que para o Enem de 2014 as inscrições sejam realizadas também em maio.

Enem 2014: data das provas

As provas em 2013 foram realizadas nos dias 26 e 27 de outubro e em 2012 nos dias 3 e 4 de novembro. Como o dia 2 de novembro de 2014, domingo, é feriado (Finados) e cai em um domingo, acreditamos que a prova do Enem 2014 seja aplicada ainda em outubro, conforme ocorreu em 2013.

segunda-feira, 24 de março de 2014

LIMA DUARTE - SERMÃO PE. ANTONIO VIEIRA

Ator Lima Duarte concluindo sua participação numa entrevista coletiva: "... Posso encerrar com um sermão do Padre Antonio Vieira? Que é uma lição de humildade: No sermão do 4º domingo da ascensão... sobe ao púlpito e diz assim: A mim, a imagem dos meus pecados me comove muito mais que essa imagem do Cristo crucificado. Diante dessa imagem do Cristo crucificado eu sou levado a ensoberbecer-me por ver o preço pelo qual Deus me comprou. Diante da imagem dos meus pecados é que eu me apequeno por ver o preço pelo qual eu me vendi. Por ver que Deus me compra com todo o seu sangue, eu sou levado a pensar que eu sou muito, que eu valho muito. Mas quando noto que eu me vendo pelos nadas do mundo, aí eu vejo que eu sou nada. Eu valho nada."


sexta-feira, 21 de março de 2014

POR QUE MENTIAS? ÁLVARES DE AZEVEDO


POR QUE MENTIAS?

Por que mentias leviana e bela?
Se minha face pálida sentias
Queimada pela febre, e se minha vida
Tu vias desmaiar, por que mentias?

Acordei da ilusão, a sós morrendo
Sinto na mocidade as agonias.
Por tua causa desespero e morro...
Leviana sem dó, por que mentias?

Sabe Deus se te amei! sabem as noites
Essa dor que alentei, que tu nutrias!
Sabe esse pobre coração que treme
Que a esperança perdeu por que mentias!

Vê minha palidez - a febre lenta
Esse fogo das pálpebras sombrias...
Pousa a mão no meu peito! Eu morro! Eu morro!
Leviana sem dó, por que mentias?

quarta-feira, 19 de março de 2014

NILTON BOBATO - "A SORTE NÃO SORRIU PARA CÉSAR RONDICATTO"

 NILTON BOBATO -  "A SORTE NÃO SORRIU PARA CÉSAR RONDICATTO"

Neste mês de março começo a série de lançamentos do meu mais novo livro, o romance "A SORTE NÃO SORRIU PARA CÉSAR RONDICATTO". É minha sétima produção literária impressa, mas a primeira narrativa longa.
Será uma honra contar com sua presença e dos seus convidados nestes eventos.
A primeira atividade de lançamento, em Foz do Iguaçu, com autógrafos, apresentações culturais, acontecerá no dia 21 de março, sexta-feira, a partir das 19h30 (se você não puder chegar neste horário, não tem problema, estaremos lá até às 23h), na Aliança Francesa De Foz Do Iguaçu

No dia 4 de abril, em Curitiba. No dia 5, em Ponta Grossa. No dia 11 de abril, em Toledo. No dia 12 de abril, em Cascavel. Em maio estaremos em Londrina, Maringá e Campo Mourão. Outras datas em outras cidades estão sendo organizadas e também em Foz, neste período haverá outras atividades de apresentação do livro, em livrarias, universidades... Divulgaremos cada uma destas atividades.

A capa do livro homenageia, como fiz nos livros anteriores, as artes plásticas local. Nesta busquei no brilhante trabalho da amiga Ana Rita Varella Dotto feito em 2001, intitulado Urbanidade. Relações fortes com o cenário do romance.

O primeiro exemplar do meu novo livro, que apresentaremos na sexta-feira, dia 21, na Aliança Francesa, o romance A SORTE NÃO SORRIU PARA CÉSAR RONDICATTO, presenteei a Presidenta Dilma Rouseff, na sua visita a Foz do Iguaçu, nesta segunda-feira. Ela, uma leitora contumaz, garantiu que vai ler.
A foto é da imprensa oficial da Presidência (ao meu lado, como testemunhas do ato, Jorge Samek e Joel de Lima).

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

  A FÉ CABE NUMA SEMENTE Ontem fui à igreja. O pastor Coty que havia participado de uma conferência no Paraguai aproveitou a passagem por Fo...