segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

 A FÉ CABE NUMA SEMENTE

Ontem fui à igreja.

O pastor Coty que havia participado de uma conferência no Paraguai aproveitou a passagem por Foz do Iguaçu e veio pregar na DOXA. Abriu a Bíblia e falou sobre uma história que eu conheço há muitos anos: a parábola do semeador.

Semente.

Terra.

Pedra.

Espinhos.

Fruto.

Jesus tinha essa extraordinária capacidade de explicar o céu apontando para a terra.

Talvez porque o mundo natural tenha muito mais a nos ensinar sobre o espiritual do que imaginamos.

Uma das primeiras frases daquela noite me alcançou:

— Frutificação não é um ato de esforço.

Pensei nas árvores.

Nunca vi uma laranjeira fazendo força para produzir laranjas. Nunca vi uma videira angustiada tentando fabricar uvas. O galho não acorda pela manhã preocupado com sua produtividade. Ele simplesmente permanece ligado à árvore.

E, porque permanece, frutifica.

Talvez tenhamos complicado demais algumas coisas.

Queremos produzir frutos sem permanecer na árvore. Queremos fé sem relacionamento, transformação sem Palavra, respostas sem escuta.

Na parábola, o problema nunca esteve na semente.

A semente era boa.

O que mudava era a terra.

Algumas sementes foram roubadas. Outras nasceram depressa e morreram. Algumas foram sufocadas. Mas houve aquelas que encontraram boa terra e produziram fruto.

E foi então que outra coisa chamou minha atenção.

Mateus diz que a boa terra representa aquele que ouve e compreende.

Marcos fala daquele que ouve e recebe.

Lucas, daquele que ouve e conserva.

Compreender.

Receber.

Conservar.

Três verbos para uma vida inteira.

Talvez eu tenha passado muito tempo pensando que oração fosse principalmente falar. Naquela noite, porém, anotei uma frase que me incomodou de um jeito bom:

Oração tem muito mais a ver com audição do que com fala.

Fiquei pensando em quantas vezes cheguei diante de Deus carregando uma lista de assuntos e, depois de dizer tudo, levantei-me e fui embora.

Sem perguntar:

— E o Senhor? Quer me dizer alguma coisa?

A fé vem pelo ouvir.

Pedro não caminhou sobre a água simplesmente porque teve coragem de colocar o pé para fora do barco. Antes disso houve uma palavra:

— Vem.

Talvez ninguém caminhe verdadeiramente sobre as águas.

Caminhamos sobre uma Palavra.

O centurião também compreendeu isso quando disse a Jesus que não precisava ir até sua casa:

— Basta uma palavra.

Gente de fé aprende a se agarrar à Palavra.

Mas existe ainda o terceiro verbo: conservar.

E talvez seja esse o mais difícil.

Porque receber uma promessa é emocionante. Conservá-la enquanto nada acontece é outra história.

Queremos a promessa, mas Deus parece interessado também na pessoa em que nos transformaremos enquanto esperamos por ela.

Então me ocorreu uma pergunta:

O que vale mais: o prêmio ou a pessoa que precisei me tornar para alcançá-lo?

Talvez algumas promessas não tenham sido dadas apenas para nos informar onde chegaremos. Talvez tenham sido dadas para nos encorajar a atravessar o caminho.

É durante a caminhada que aprendemos perseverança.

É durante a espera que o caráter cresce.

É quando ainda não vemos que descobrimos em quem realmente confiamos.

Josué recebeu uma missão enorme, mas a orientação de Deus passava por algo aparentemente silencioso: meditar na Palavra dia e noite.

É preciso coragem para enfrentar gigantes.

Mas talvez também seja preciso coragem para fechar a porta, silenciar o mundo e permanecer diante de Deus.

Vida devocional também é coragem.

Saí da igreja pensando naquela pequena semente.

Ela não faz barulho.

Não anuncia o que está acontecendo debaixo da terra.

Durante algum tempo, quem olha de fora pode até pensar que nada está acontecendo.

Mas está.

A casca se rompe.

A raiz procura profundidade.

Depois surge um pequeno sinal verde sobre a terra.

E um dia aquilo que cabia na palma da mão oferece sombra, abrigo e fruto.

Talvez a fé seja assim.

Não necessariamente compreender tudo o que Deus está fazendo, mas conhecer suficientemente o caráter de quem lançou a semente.

Ouvir.

Compreender.

Receber.

Conservar.

E permanecer ligado à Árvore.

Porque fruto não se fabrica.

Fruto nasce de relacionamento.


Observação: Fiz anotações da palavra, organizei em forma de texto, essa é a minha interpretação, acredito que o pastor transmitiu muito mais que isso na manhã do domingo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Piá de rua X Piá de prédio

Eu fui piá de rua.

Não desses que dizem que brincavam na rua porque, vez ou outra, chutaram uma bola na calçada. Fui piá de rua com endereço, território e jurisdição: Conjunto Libra, Rua Piraí.

A Rua Piraí era nossa, a Rua Iapó era nossa, mas nosso território comum era a Rua Mané Garrincha, que na época nem tinha esse nome, pois ainda não ligava os bairros como hoje. Ela era uma rua provisória para prefeitura, mas era nossa orficialmente. 

Ou pelo menos era isso que pensávamos.

Naquele tempo, ela não tinha o movimento que tem hoje. Dava para esticar uma rede de vôlei de um lado ao outro e, se a brincadeira fosse futebol, colocávamos os golzinhos no asfalto e pronto: estava inaugurado o estádio.

Carro?

De vez em quando aparecia um.

Alguém gritava:

— Ó o carro!

Arrastávamos o gol, esperávamos o cidadão passar e, imediatamente, retomávamos a posse do patrimônio público.

A prefeitura provavelmente nunca soube, mas havia concedido aquela rua para nós.

E havia moradores em todos os setores do nosso pequeno país.

Eu morava na Piraí. A Cíntia também, mas lá na última quadra. Júnior, Vinícius, Gabriela e Marcos moravam na rua de trás.

Marcos?

Bem, nós só descobrimos que ele se chamava Marcos depois de adultos.

Para nós, ele sempre foi o Índio.

Aliás, infância de bairro tinha dessas coisas. Você podia conviver dez anos com uma pessoa sem ter a menor ideia do nome que constava na certidão de nascimento dela.

Na avenida moravam Marli e a irmã. Tinha o Fabinho, o Etelvino e, evidentemente, o icônico Magvaldo.

Magvaldo não cabe nesta crônica.

Merece uma só para ele.

E havia ainda outros que apareciam, desapareciam, voltavam no dia seguinte e ninguém perguntava onde tinham ido. Criança não precisava confirmar presença. Bastava chegar.

Nossa comunicação também era bastante sofisticada.

A gente parava diante da casa e gritava:

— ÔÔÔÔ, FULANO!

Se não funcionasse, gritava mais alto.

Se a mãe aparecesse na janela dizendo:

— Ele tá de castigo!

Pronto.

Era o equivalente analógico de visualizar a mensagem e não poder responder.

Mas faltou alguém.

E eu sei que ele reclamaria se ficasse de fora.

Eder.

Meu primo.

Tecnicamente, Eder era um piá de prédio.

Mas ninguém é perfeito.

Ele morava em apartamento, conhecia elevador, interfone e essas modernidades todas. Só que, nos finais de semana, fazia sua migração particular para o Conjunto Libra.

E escolhia a rua.

Talvez porque tivesse descoberto uma coisa que nós, moradores do Conjunto Libra, nem percebíamos: aquelas ruas oferecia uma liberdade que não cabia entre quatro paredes.

No Libra, Eder deixava de ser piá de prédio.

Virava um dos nossos.

Jogava bola, vôlei, corria, inventava, brigava, fazia as pazes e participava daquele maravilhoso sistema educacional sem reconhecimento do MEC chamado rua.

A rua ensinava muita coisa.

Ensinava a dividir times.

Ensinava que o dono da bola tinha certos privilégios políticos.

Ensinava que “a bola é minha e eu vou embora” era uma poderosa ferramenta de negociação.

Ensinava medicina. Quantos "tampos" de dedão tivemos que colar de forma improvisada, quantos ralados, esfolados... O caso da porta da Brasília do pai do Vinícius que abriu, bem no momento da curva, não cabe aqui ainda, será conversa para outras crônicas. Acho que o leitor vai ficar curioso, mas não dá para contar agora.

Ensinava que uma discussão de quinze minutos sobre se a bola entrou ou não podia terminar imediatamente quando alguma mãe aparecia no portão:

— CHEGA! TODO MUNDO PRA CASA!

E todo mundo ia.

Porque existiam autoridades superiores ao dono da bola.

Hoje passo pela Mané Garrincha e quase não reconheço nosso antigo estádio.

A rua se tornou uma das mais movimentadas do bairro. Imagino o que aconteceria se alguém resolvesse esticar uma rede de vôlei de uma calçada à outra.

Provavelmente apareceria no grupo de WhatsApp do bairro antes mesmo do primeiro saque, ou da primeira bola furada, o que não era incomum acontecer, pois a cerca viva de espinhos era um rival difícil de vencer. 

Talvez seja essa uma das diferenças entre o piá de rua e o piá de prédio.

Nós tínhamos menos estrutura e mais território.


sábado, 5 de setembro de 2026

21ª Feira Internacional do Livro de Foz do Iguaçu - Praça da Paz, no coração de Foz do Iguaçu, transformou-se em uma grande página de livro.

 📚✨ FOZ VOLTOU A RESPIRAR LITERATURA!

Por Emerson Fulgencio. 

A 21ª Feira Internacional do Livro de Foz do Iguaçu está simplesmente encantadora. Um cenário que parece ter saído das páginas de um conto de fadas.

E talvez seja justamente disso que a cidade estivesse com saudade: de encontrar-se novamente entre livros, histórias, música, arte e gente.

Nestes dias, a Praça da Paz, no coração de Foz do Iguaçu, transformou-se em uma grande página de livro. E por ela passam crianças de olhos curiosos, jovens descobrindo novas histórias, adultos reencontrando o prazer da leitura e famílias inteiras vivendo juntas a cultura.

É bonito caminhar pela Feira e perceber a atmosfera contagiante. Livros por todos os lados, conversas, encontros, música, apresentações artísticas e, especialmente, o talento dos nossos escritores e artistas locais ganhando espaço e encontrando seus leitores.

Há crianças sentadas folheando livros. Há gente parando para ouvir música. Há escritores autografando suas obras. Há encontros inesperados e histórias sendo compartilhadas.

E talvez uma Feira do Livro seja exatamente isso: um lugar onde a cidade se encontra consigo mesma por meio da cultura.

Foz do Iguaçu tem muitos cartões-postais conhecidos pelo mundo inteiro. Nestes dias, porém, há outro cartão-postal que merece ser contemplado:

uma praça cheia de livros, arte, crianças, famílias e histórias.

Que cena bonita!

Que atmosfera!

Que saudade a gente estava disso.

📖❤️ A Praça da Paz virou uma página de livro. E Foz do Iguaçu está escrevendo uma história linda nela.





















quinta-feira, 3 de setembro de 2026

21ª FEIRA INTERNACIONAL DO LIVRO DE FOZ DO IGUAÇU! 2026


 📚✨ COMEÇOU A 21ª FEIRA INTERNACIONAL DO LIVRO DE FOZ DO IGUAÇU!

E adivinha quem vai estar por lá? 👀🌿
O Mitá Arandu!

Durante todos os dias da Feira, o Mitá vai passear, conhecer livros, encontrar histórias, descobrir curiosidades e trazer muita coisa legal para compartilhar por aqui. 📖💛

📅 3 a 6 de setembro de 2026
⏰ 9h às 22h
📍 Praça da Paz — Foz do Iguaçu

E o Mitá já avisou:

“Vou visitar todos os dias e trazer muitas dicas pra você!” 😄

Porque livro não é só para ler.
Livro é para descobrir mundos! 🌎📚

#MitáArandu #FeiraDoLivro #FeiraDoLivroFoz #FozDoIguaçu #Literatura #Leitura #Livros #Cultura #NossaFoz #LerTransforma


PROGRAMAÇÃO COMPLETA: https://www.foz.pr.gov.br/21a-feira-internacional-do-livro-de-foz-do-iguacu-comeca-nesta-quinta-feira-03/

ILKA AGRIPINA VERA: A PROFESSORA QUE AJUDOU A ESCREVER A HISTÓRIA DE FOZ DO IGUAÇU

Foto: Áurea Cunha / Arquivo Guatá   Pioneira da educação iguaçuense, Ilka Vera dedicou mais de quatro   décadas ao magistério e deixou um le...