A FÉ CABE NUMA SEMENTE
Ontem fui à igreja.
O pastor Coty que havia participado de uma conferência no Paraguai aproveitou a passagem por Foz do Iguaçu e veio pregar na DOXA. Abriu a Bíblia e falou sobre uma história que eu conheço há muitos anos: a parábola do semeador.
Semente.
Terra.
Pedra.
Espinhos.
Fruto.
Jesus tinha essa extraordinária capacidade de explicar o céu apontando para a terra.
Talvez porque o mundo natural tenha muito mais a nos ensinar sobre o espiritual do que imaginamos.
Uma das primeiras frases daquela noite me alcançou:
— Frutificação não é um ato de esforço.
Pensei nas árvores.
Nunca vi uma laranjeira fazendo força para produzir laranjas. Nunca vi uma videira angustiada tentando fabricar uvas. O galho não acorda pela manhã preocupado com sua produtividade. Ele simplesmente permanece ligado à árvore.
E, porque permanece, frutifica.
Talvez tenhamos complicado demais algumas coisas.
Queremos produzir frutos sem permanecer na árvore. Queremos fé sem relacionamento, transformação sem Palavra, respostas sem escuta.
Na parábola, o problema nunca esteve na semente.
A semente era boa.
O que mudava era a terra.
Algumas sementes foram roubadas. Outras nasceram depressa e morreram. Algumas foram sufocadas. Mas houve aquelas que encontraram boa terra e produziram fruto.
E foi então que outra coisa chamou minha atenção.
Mateus diz que a boa terra representa aquele que ouve e compreende.
Marcos fala daquele que ouve e recebe.
Lucas, daquele que ouve e conserva.
Compreender.
Receber.
Conservar.
Três verbos para uma vida inteira.
Talvez eu tenha passado muito tempo pensando que oração fosse principalmente falar. Naquela noite, porém, anotei uma frase que me incomodou de um jeito bom:
Oração tem muito mais a ver com audição do que com fala.
Fiquei pensando em quantas vezes cheguei diante de Deus carregando uma lista de assuntos e, depois de dizer tudo, levantei-me e fui embora.
Sem perguntar:
— E o Senhor? Quer me dizer alguma coisa?
A fé vem pelo ouvir.
Pedro não caminhou sobre a água simplesmente porque teve coragem de colocar o pé para fora do barco. Antes disso houve uma palavra:
— Vem.
Talvez ninguém caminhe verdadeiramente sobre as águas.
Caminhamos sobre uma Palavra.
O centurião também compreendeu isso quando disse a Jesus que não precisava ir até sua casa:
— Basta uma palavra.
Gente de fé aprende a se agarrar à Palavra.
Mas existe ainda o terceiro verbo: conservar.
E talvez seja esse o mais difícil.
Porque receber uma promessa é emocionante. Conservá-la enquanto nada acontece é outra história.
Queremos a promessa, mas Deus parece interessado também na pessoa em que nos transformaremos enquanto esperamos por ela.
Então me ocorreu uma pergunta:
O que vale mais: o prêmio ou a pessoa que precisei me tornar para alcançá-lo?
Talvez algumas promessas não tenham sido dadas apenas para nos informar onde chegaremos. Talvez tenham sido dadas para nos encorajar a atravessar o caminho.
É durante a caminhada que aprendemos perseverança.
É durante a espera que o caráter cresce.
É quando ainda não vemos que descobrimos em quem realmente confiamos.
Josué recebeu uma missão enorme, mas a orientação de Deus passava por algo aparentemente silencioso: meditar na Palavra dia e noite.
É preciso coragem para enfrentar gigantes.
Mas talvez também seja preciso coragem para fechar a porta, silenciar o mundo e permanecer diante de Deus.
Vida devocional também é coragem.
Saí da igreja pensando naquela pequena semente.
Ela não faz barulho.
Não anuncia o que está acontecendo debaixo da terra.
Durante algum tempo, quem olha de fora pode até pensar que nada está acontecendo.
Mas está.
A casca se rompe.
A raiz procura profundidade.
Depois surge um pequeno sinal verde sobre a terra.
E um dia aquilo que cabia na palma da mão oferece sombra, abrigo e fruto.
Talvez a fé seja assim.
Não necessariamente compreender tudo o que Deus está fazendo, mas conhecer suficientemente o caráter de quem lançou a semente.
Ouvir.
Compreender.
Receber.
Conservar.
E permanecer ligado à Árvore.
Porque fruto não se fabrica.
Fruto nasce de relacionamento.
Observação: Fiz anotações da palavra, organizei em forma de texto, essa é a minha interpretação, acredito que o pastor transmitiu muito mais que isso na manhã do domingo.
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