João sempre sonhou em crescer na vida. Quando criança, queria ser astronauta. Na adolescência, pensou em ser jogador de futebol. Na fase adulta, depois de algumas derrotas e boletos, passou a sonhar apenas com um emprego estável.
Conseguiu.
Entrava às oito, saía às dezoito, tomava café na copa, reclamava do calor do escritório e participava das tradicionais conversas sobre o resultado do futebol. Era funcionário. Tinha crachá, décimo terceiro, férias e até uma mesa com uma gaveta que não fechava direito.
A vida seguia seu curso previsível até que, certo dia, foi chamado para uma reunião.
— João, temos uma excelente oportunidade para você.
João estranhou. Na experiência dele, toda frase que começava com "excelente oportunidade" terminava em mais trabalho.
— Você vai deixar de ser funcionário e se tornar uma empresa.
Ele sorriu sem entender.
— Uma empresa?
— Exatamente! Você será empreendedor. Dono do próprio negócio. Mais liberdade, mais autonomia.
João saiu da sala se perguntando como havia se transformado em uma empresa em menos de quinze minutos.
Na semana seguinte, abriu um CNPJ.
Foi um momento emocionante. Antes era apenas João da Silva. Agora era "João da Silva Serviços Especializados Ltda.". Sentiu-se quase uma multinacional.
Mas algumas coisas continuaram curiosamente iguais.
Seguia entrando às oito.
Continuava saindo às dezoito.
Recebia ordens das mesmas pessoas.
Sentava na mesma cadeira.
Tomava o mesmo café.
Reclamava do mesmo calor.
A única diferença é que agora ele era uma empresa.
Uma empresa sem sede.
Sem funcionários.
Sem departamento financeiro.
Sem conselho administrativo.
Sem patrimônio.
Mas uma empresa.
Quando alguém perguntava onde ele trabalhava, a resposta ficou complicada.
— Trabalho na Empresa X.
— Mas você não tem uma empresa?
— Tenho.
— Então você trabalha para sua empresa?
— Mais ou menos.
— E sua empresa presta serviço para a Empresa X?
— Isso.
— E quem manda em você?
— A Empresa X.
— Então você é funcionário?
— Não. Sou empresário.
Ninguém entendia muito bem. Nem João.
Com o passar do tempo, percebeu que havia adquirido um superpoder moderno: o de assumir sozinho todos os riscos do negócio sem possuir o negócio.
Se adoecesse, problema dele.
Se precisasse parar, problema dele.
Se o contrato acabasse, problema dele.
A liberdade prometida parecia funcionar principalmente para o outro lado da mesa.
Ainda assim, João observava o mundo e percebia que não estava sozinho. Havia milhares de empresas como ele caminhando pelas ruas, esperando ônibus, tomando café e participando de reuniões online. Empresas que tinham rosto, família, sonhos e contas para pagar.
Talvez o fenômeno mais curioso do nosso tempo seja justamente esse: nunca houve tantos empreendedores que não escolheram empreender.
E assim João segue sua jornada.
Todos os dias acorda, toma banho, veste a roupa de trabalho e sai para mais uma jornada empresarial.
Sua esposa pergunta:
— Vai para a empresa?
Ele responde:
— Vou.
E a frase está correta dos dois jeitos possíveis.
TEXTO ELABORADO INTEGRALMENTE POR IA. Foi atribuido apenas um prompt.

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