sexta-feira, 16 de maio de 2014

CLASSICISMO

A chamada Era Clássica compreende os fatores socioeconômicos que marcaram os séculos XVI, XVII e XVIII. Essa fase retoma os valores da Antiguidade Clássica e, por isso, recebe a denominação citada.

O período histórico da Era Clássica envolve a queda do feudalismo, a expansão marítima e o desenvolvimento do capitalismo. Esse período perdura até que uma nova configuração política, econômica e social se estabeleça com a chegada das Revoluções Industrial e Francesa.

A Era Clássica enfatiza a poesia, a mitologia; os autores clássicos, como Homero, Virgílio e Horácio; a exaltação da vida no campo e o bucolismo.

Pode, ainda, ser dividida por três estilos literários: Classicismo, Barroco e Arcadismo.

O Classicismo surge durante o Período do Renascimento, ou seja, em meio ao movimento artístico no qual a cultura clássica ocupava o espaço da medieval, o capitalismo consolidava-se e a Idade Média tinha seu fim.

Então, a Idade Moderna precedia a nova realidade, mais liberal, mais antropocêntrica (o homem como centro). Todas as manifestações literárias que figuravam este modelo renascentista são chamadas de Classicismo. Este último passa a existir em Portugal no ano de 1527, com o retorno de Francisco Sá de Miranda da Itália, o qual divulga os novos conceitos europeus da arte e da poesia.

São características das obras do Classicismo: a presença de adjetivos, a perfeição estética, a pureza das formas, a retomada da mitologia pagã e a busca do ideal de beleza encontrado nos modelos dos autores da Antiguidade Clássica.
Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras

HUMANISMO

O Humanismo é um termo relativo ao Renascimento, movimento surgido na Europa, mais precisamente na Itália, que colocava o homem como o centro de todas as coisas existentes no universo.

Nesse período, compreendido entre a transitoriedade da Baixa Idade Média e início da Moderna (séculos XIV a XVI), os avanços científicos começavam a tomar espaço no meio cultural.

A tecnologia começava a se aflorar nos campos da matemática, física, medicina. Nomes como Galileu, Paracelso, Gutenberg, dentre outros, começavam a se despontar, em razão das descobertas feitas por eles.

Galileu Galilei comprova a teoria heliocêntrica que dizia ser o Sol o centro do sistema planetário, defendida anteriormente por Nicolau Copérnico, além de ter construído um telescópio ainda melhor que os inventados anteriormente. Paracelso explora as drogas medicinais e seu uso, enquanto Gutenberg descobre um novo meio de reproduzir livros.

Além disso, a filosofia se desponta como uma atividade intelectual renovada no interesse pelos autores da Antiguidade clássica: Aristótoles, Virgílio, Cícero e Horácio. Por este resgate da Idade Média, este período também é chamado de Classicismo.

A burguesia e a nobreza, classes sociais que despontam no final da Idade Média, passam a dividir o poderio com a Igreja.

É neste contexto cultural que a visão antropocêntrica se instala e influencia todo campo cultural: literatura, música, escultura, artes plásticas.

Na Literatura, os autores italianos que maior influência exerceram foram: Dante Alighieri (Divina Comédia), Petrarca (Cancioneiro) e Bocaccio (Decameron). Os gêneros mais cultivados foram: o lírico, de temática amorosa ou bucólica, e o épico, seguindo os modelos consagrados por Homero (Ilíada e Odisséia) e Virgílio (Eneida).

Podemos denominar Humanismo como ideia surgida no Renascimento que coloca o homem como o centro de interesse e, portanto, em torno do qual tudo acontece.
Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

quarta-feira, 14 de maio de 2014

PARA QUE SERVE O ENEM

Saiba quais as funções do Enem; inscrições começaram segunda

Exame é principal canal para conseguir vaga em universidades federais. 
Ciência sem Fronteiras, Fies e Prouni também exigem a prova.

As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2014 começam nesta segunda-feira (12) e vão até o dia 23 de maio. Sua função principal continua sendo a de servir de acesso às universidades federais de ensino superior, porém, ao longo das edições o exame acumulou outros objetivos.
O Enem é obrigatório para estudantes de escolas públicas interessados em bolsas de estudo parciais ou integrais em universidades particulares por meio do Prouni, bolsas de intercâmbio pelo Ciência sem Fronteiras e para universitários que querem financiar um curso superior pago por meio do Fies.
Além de estudantes prestes a ingressar na graduação, ou que já estão no ensino superior, o Enem ainda serve para que adultos que não completaram o ensino básico na idade certa possam conseguir o certificado de conclusão do ensino médio. Confira todas as funções do Enem:
- Seleção para universidades
As notas do Enem são usadas para selecionar os candidatos para as vagas em universidades federais e outras instituições de ensino. As universidades podem usar o Enem como único método de seleção, pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), ou fazer uma combinação entre as notas do Enem e seu vestibular próprio. O Sisu já recebeu a adesão da maioria das universidades e institutos federais e, na última edição, ofereceu mais de 170 mil vagas.
- Programa Universidade para Todos (Prouni)
Para disputar uma bolsa de estudos do Prouni, que varia de 50% a 100% do curso de uma instituição de ensino superior privada, o candidato precisa ter obtido nota mínima de 400 pontos no Enem, entre outros requisitos. Desde 2004, quando foi criado, o Prouni já ofereceu mais de 1,2 milhão de bolsas de estudo em cursos de graduação e sequenciais de formação específica.
- Financiamento estudantil (Fies)
Estudantes que concluíram o ensino médio a partir de 2010 e queriam solicitar o Fies devem ter feito Enem, caso contrário, não poderão solicitar o benefício. Não há nota mínima obrigatória. Estão isentos desta exigência os professores da rede pública de ensino. Pelo Fies é possível financiar os cursos de graduação bem avaliados junto ao MEC. A taxa de juros é de 3,4% ao ano para todos os cursos. Ele pode ser solicitado pelo estudante em qualquer etapa do curso e em qualquer mês. Em agosto deste ano, o governo afirmou haver assinado o milionésimo contrato do Fies.
- Ciência sem Fronteiras
O programa de intercâmbio do governo federal prevê oferecer, até 2015, 101 mil bolsas de estudo para intercâmbios no exterior destinado a alunos de graduação e pós. A partir de 2013, o Enem, antes usado de maneira classificatória no programa, passou a ser obrigatório aos alunos interessados nas bolsas de estudo da graduação-sanduíche. Para participar, é preciso ter feito qualquer edição do Enem a partir de 2009 e conseguido a média mínima de 600 pontos.  Os candidatos também são avaliados de acordo com seu aproveitamento acadêmico na universidade.
- Certificação do ensino médio
Quem tem no mínimo 18 anos e não concluiu o ensino médio pode conseguir a certificação por meio do Enem. A pontuação mínima é 450 pontos em cada uma das áreas de conhecimento e 500 pontos na redação. Desde 2009, quando o Enem ganhou a função de conferir o certificado, o número de candidatos que solicitaram a certificação do ensino médio triplicou: foi de 197.991 naquele ano para 784.830 em 2013.
Sobre as provas
O Enem é feito em dois dias de provas e tem no total 180 questões de múltipla escolha e uma redação. No sábado, dia 8 de novembro, os participantes farão as provas de ciências humanas e ciências da natureza, entre as 13h e as 17h30 (horário de Brasília). No domingo, dia 9, serão aplicadas as provas de linguagens e códigos, matemática e redação. Nesse dia, o tempo de prova será mais longo, entre as 13h e as 18h30 (horário de Brasília).
A inscrição no Enem 2014 deverá ser confirmada por meio do pagamento do boleto até o dia 28 de maio. A taxa de inscrição é de R$ 35. A isenção da taxa vale para todos os estudantes de escola pública e alunos que comprovarem ter renda familiar mensal inferior a R$ 1.086.
Segundo o MEC, este ano o edital foi traduzido para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), e o site do Enem terá uma versão do edital incorporada a um sistema de computação acessível a cegos, chamado Dosvox.
Este ano, a expectativa do governo é de que até 8,2 milhões de estudantes se inscrevam para o exame.

http://g1.globo.com/educacao/enem/2014/noticia/2014/05/saiba-quais-funcoes-do-enem-inscricoes-comecam-segunda.html

quinta-feira, 1 de maio de 2014

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EMPÓRIO COM ARTE

Que Foz do Iguaçu é uma cidade multiétnica não há dúvidas.
Mas o que vem surgindo aqui, na terra das cataratas, é além do pluriculturalismo.
Estive há alguns dias no Empório com Arte e minha surpresa foi total. Foz do Iguaçu recebeu de presente um espaço maravilhoso, com artesanatos mineiros do mais alto nível e com uma gastronomia de testar paladares. Saboreei já algumas especiarias, em uma semana apenas já estive lá duas vezes, foi realmente encantador.
E o bacana, além das peças artesanais de muito bom gosto, trazidas pelo proprietário Sergio Teixeira, diretamente de Minas Gerais, da comida saborosa – o cardápio é surpreendente, o espaço preserva a história da cidade. A proprietária do imóvel visita-o periodicamente e “tem muita historia para contar”, comenta Sergio. Em um dos balcões, está lá, uma foto com a família toda reunida em frente ao casarão em décadas passadas.

 As fotos falarão por si, o lugar é encantador, vale a visita, garanto que alimentará a alma.

 

 

 

 

 


segunda-feira, 28 de abril de 2014

UNIVERSIDADE DE COIMBRA PASSA A ACEITAR ENEM PARA INGRESSO DE BRASILEIROS

Estudantes do Brasil poderão entrar na instituição portuguesa já no primeiro ano de graduação


Substituto do vestibular em boa parte das instituições públicas e privadas do País, oExame Nacional do Ensino Médio (Enem) também servirá para brasileiros que queiram entrar na Universidade de Coimbra, em Portugal. Os candidatos que usarem a prova estarão dispensados dos exames nacionais portugueses.
A instituição aceitará os resultados das provas de 2011, 2012 e 2013. As notas no exame terão pesos diferentes de acordo com a graduação pretendida, o que pode ser conferido na tabela de ponderação de resultados no site da instituição. O Ministério da Educação (MEC) ainda não confirmou a data do Enem, mas estuda aplicar o exame nos dias 8 e 9 de novembro.
Segundo o vice-reitor da Universidade de Coimbra, Joaquim Ramos de Carvalho, o Enem tem padrão elevado de qualidade e a medida deve facilitar a mobilidade de estudantes brasileiros.
– O Enem já é o exame de acesso de várias boas universidades brasileiras e avaliamos que também serviria de qualificação para nossos candidatos – afirma.
– Não faz sentido obrigar os estudantes brasileiros que já fizeram o Enem a passarem por outro processo seletivo difícil – argumenta Joaquim Ramos de Carvalho.
Atualmente 2.059 alunos do Brasil estudam na instituição de Coimbra. No mês passado, o governo português publicou uma lei que permite às universidades do País criarem seus próprios sistemas de ingresso à graduação, possibilidade que não existia antes. De acordo com o MEC, não há outras universidades estrangeiras que usam o Enem como parte do processo seletivo.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

TROVADORISMO

O Trovadorismo se caracteriza como um estilo de época, o qual se manifestou na Idade Média, durante o período do feudalismo.

Cumpre dizer, antes de tudo, que o Trovadorismo se manifestou na Idade Média, período este que teve início com o fim do Império Romano (destruído no século V com a invasão dos bárbaros vindos do norte da Europa), e se estendeu até o século XV, quando se deu a época do Renascimento. Nesse sentido, o artigo ora em questão tem por finalidade abordar acerca do contexto histórico-social, cultural e artístico que tanto demarcou este importante período da arte literária.
No que diz respeito ao aspecto econômico, toda a Europa dessa época sofria com as sucessivas invasões dos povos germânicos, fato este que culminava em inúmeras guerras. Nessa conjuntura desenvolveu-se o sistema econômico denominado de feudalismo, no qual o direito de governar se concentrava somente nas mãos do senhor feudal, o qual mantinha plenos poderes sobre todos os seus servos e vassalos que trabalhavam em suas terras. Este senhor, também chamado de suserano, cedia a posse de terras a um vassalo, que se comprometia a cultivá-las, repassando, assim, parte da produção ao dono do feudo. Em troca dessa fidelidade e trabalho, os servos contavam com a proteção militar e judicial, no caso de possíveis ataques e invasões. A essa relação subordinada dava-se o nome de vassalagem.
Quanto ao contexto cultural e artístico, podemos afirmar que toda a Idade Média foi fortemente influenciada pela Igreja, a qual detinha o poder político e econômico, mantendo-se acima até de toda a nobreza feudal. Nesse ínterim, figurava uma visão de mundo baseada tão somente no teocentrismo, cuja ideologia afirmava que Deus era o centro de todas as coisas. Assim, o homem mantinha-se totalmente crédulo e religioso, cujos posicionamentos estavam sempre à mercê da vontade divina, assim como todos os fenômenos naturais.
Na arquitetura, toda a produção artística esteve voltada para a construção de igrejas, mosteiros, abadias e catedrais, tanto na Alta Idade Média, na qual predominou o estilo romântico, quanto na Baixa Idade Média, predominando o estilo gótico. No que tange às produções literárias, todas elas eram feitas em galego-português, denominadas de cantigas.
No intuito de retratar a vida aristocrática nas cortes portuguesas, as cantigas receberam influência de um tipo de poesia originário da Provença – região sul da França, daí o nome de poesia provençal –, como também da poesia popular, ligada à música e à dança. No que tange à temática elas estavam relacionadas a determinados valores culturais e a certos tipos de comportamento difundidos pela cavalaria feudal, que até então lutava nas Cruzadas no intuito de resgatar a Terra Santa do domínio dos mouros. Percebe-se, portanto, que nas cantigas prevaleciam distintos propósitos: havia aquelas em que se manifestavam juras de amor feitas à mulher do cavaleiro, outras em que predominava o sofrimento de amor da jovem em razão de o namorado ter partido para as Cruzadas, e ainda outras, em que a intenção era descrever, de forma irônica, os costumes da sociedade portuguesa, então vigente. Assim, em virtude do aspecto que apresentavam, as cantigas se subdividiam em:
CANTIGAS LÍRICAS             DE AMOR
                                                                       DE AMIGO
CANTIGAS SATÍRICAS              DE ESCÁRNIO
                                                                                DE MALDIZER
Cantigas de amor
O sentimento oriundo da submissão entre o servo e o senhor feudal transformou-se no que chamamos de vassalagem amorosa, preconizando, assim, um amor cortês. O amante vive sempre em estado de sofrimento, também chamado de coita, visto que não é correspondido. Ainda assim dedica à mulher amada (senhor) fidelidade, respeito e submissão. Nesse cenário, a mulher é tida como um ser inatingível, à qual o cavaleiro deseja servir como vassalo. A título de ilustração, observemos, pois, um exemplo:
Cantiga da Ribeirinha
No mundo non me sei parelha,
entre me for como me vai,
Cá já moiro por vós, e - ai!
Mia senhor branca e vermelha.
Queredes que vos retraya
Quando vos eu vi em saya!
Mau dia me levantei,
Que vos enton non vi fea!
E, mia senhor, desdaqueldi, ai!
Me foi a mi mui mal,
E vós, filha de don Paai
Moniz, e bem vos semelha
Dhaver eu por vós guarvaia,
Pois eu, mia senhor, dalfaia
Nunca de vós houve nem hei
Valia dua correa
.

                                  Paio Soares de Taveirós
Vocabulário:
Nom me sei parelha: não conheço ninguém igual a mim.
Mentre: enquanto.
Ca: pois.
Branca e vermelha: a cor branca da pele, contrastando com o vermelho do rosto, rosada.
Retraya: descreva, pinte, retrate.
En saya: na intimidade; sem manto.
Que: pois.
Des: desde.
Semelha: parece.
D’haver eu por vós: que eu vos cubra.
Guarvaya: manto vermelho que geralmente é usado pela nobreza.
Alfaya: presente.
Valia d’ua correa: objeto de pequeno valor.
Cantigas de amigo
Surgidas na própria Península Ibérica, as cantigas de amigo eram inspiradas em cantigas populares, fato que as concebe como sendo mais ricas e mais variadas no que diz respeito à temática e à forma, além de serem mais antigas. Diferentemente da cantiga de amor, na qual o sentimento expresso é masculino, a cantiga de amigo é expressa em uma voz feminina, embora seja de autoria masculina, em virtude de que naquela época às mulheres não era concedido o direito de alfabetização.
Tais cantigas tinham como cenário a vida campesina ou nas aldeias, e geralmente exprimiam o sofrimento da mulher separada de seu amado (também chamado de amigo), vivendo sempre ausente em virtude de guerras ou viagens inexplicadas. O eu lírico, materializado pela voz feminina, sempre tinha um confidente com o qual compartilhava seus sentimentos, representado pela figura da mãe, amigas ou os próprios elementos da natureza, tais como pássaros, fontes, árvores ou o mar. Constatemos um exemplo:
Ai flores, ai flores do verde pinho
se sabedes novas do meu amigo,
ai deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado,
ai deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquele que mentiu do que pôs comigo,
ai deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquele que mentiu do que me há jurado
ai deus, e u é?
(...)                                                            
D. Dinis
Cantigas satíricas
De origem popular, essas cantigas retratavam uma temática originária de assuntos proferidos nas ruas, praças e feiras. Tendo como suporte o mundo boêmio e marginal dos jograis, fidalgos, bailarinas, artistas da corte, aos quais se misturavam até mesmo reis e religiosos, tinham por finalidade retratar os usos e costumes da época por meio de uma crítica mordaz. Assim, havia duas categorias: a de escárnio e a de maldizer.
Apesar de a diferença entre ambas ser sutil, as cantigas de escárnio eram aquelas em que a crítica não era feita de forma direta. Rebuscadas de uma linguagem conotativa, não indicavam o nome da pessoa satirizada. Verifiquemos:
Ai, dona fea, foste-vos queixar
que vos nunca louv[o] em meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar
em que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!...
João Garcia de Guilhade
Nas cantigas de maldizer, como bem nos retrata o nome, a crítica era feita de maneira direta, e mencionava o nome da pessoa satirizada. Assim, envolvidas por uma linguagem chula, destacavam-se palavrões, geralmente envoltos por um tom de obscenidade, fazendo referência a situações relacionadas a adultério, prostituição, imoralidade dos padres, entre outros aspectos. Vejamos, pois:
Roi queimado morreu con amor
Em seus cantares por Sancta Maria
por ua dona que gran bem queria
e por se meter por mais trovador
porque lhela non quis [o] benfazer
fez-sel en seus cantares morrer
mas ressurgiu depois ao tercer dia!...
Pero Garcia Burgalês

Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

segunda-feira, 7 de abril de 2014

"INCOMODAÇÃO' EXISTE?

'Incomodação' existe? Se não existisse, não estaria aqui
“Sinto vergonha de escrever este e-mail, mas o escreverei mesmo assim. Tenho dúvidas quanto à palavra ‘incomodação’. É uma palavra tão utilizada aqui em Florianópolis… Certo dia, conversando via chat com alguém do Nordeste, essa pessoa me informa que a palavra não existe. O choque foi grande, fiquei espantado com isso, não é possível que a palavra não exista. Consultei diversos dicionários até que me convencesse do fato. Depois de muito pesquisar e não obter grandes explicações, tive que me convencer muito a contragosto de que a palavra de fato não existe. Mas se existe incômodo, incomodar, por que não incomodação? Não deveria ser natural a sua existência? Talvez seja um problema da formação das palavras. Alguma regra que desconheço. Se puder elucidar, ficaria muito contente e mais tranquilo.” (Daniel Brisolara)
A palavra incomodação só incomoda Daniel porque, como a maior parte da humanidade, ele é vítima de um equívoco: o de acreditar que o simples fato de não constar no dicionário significa que uma palavra “não existe”. Ora, se não existisse, incomodação não seria um substantivo feminino tão falado em Florianópolis, segundo o próprio leitor – ou em Minas Gerais, segundo eu mesmo, para ficar em apenas dois testemunhos. Se não existisse, não estaria aqui, com todas as letras, provocando esta conversa.
O senso comum tende a acreditar que as palavras nascem magicamente nos dicionários e depois, decerto às custas de muito estudo da coletividade de falantes, pulam para a língua que as pessoas usam em casa, na rua, no escritório, no bar. O processo, claro, é justamente o inverso. “Trimúngulo” é uma palavra da qual se pode dizer que, esta sim, não existe, porque acabei de inventá-la. Incomodação é outra história.
O que ocorre é que estamos diante de um brasileirismo consagrado há gerações (pelo menos, posso atestar, desde o tempo de meus avós), diante do qual nossos ilustres lexicógrafos estão comendo mosca. Mas tudo bem, um dia eles acordam.
Incomodação é sinônimo de incômodo, “aquilo que incomoda”? Sim, o que provavelmente explica a necessidade de sua criação: se incômodo pode ser adjetivo e substantivo, ela elimina qualquer ambiguidade. Mas existe também uma sutil diferença de ênfase: a incomodação costuma ser mais ativa, mais persistente, mais irritante que um simples incômodo.
E quem, depois de tudo isso, ainda fizer questão de que suas palavras venham munidas de atestados cartoriais, sob pena de serem declaradas não existentes, vai gostar de saber que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, editado pela Academia Brasileira de Letras, já acordou: “incomodação” está lá.

http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/consultorio/%E2%80%98incomodacao%E2%80%99-existe-se-nao-existisse-nao-estaria-aqui/

Manifesto do MITÁ ARANDU

Manifesto do MITÁ ARANDU Antes de existir um menino, existiu uma pergunta. E toda grande pergunta nasce da curiosidade. O Mitá Arandu é aqu...